"Se as várias estimativas que temos recebido se concretizarem, em 40 anos ficaremos sem peixe"

- Pavan Sukhdev, economista e consultor da ONU, sobre o eventual esgotamento dos recursos piscícolas a nível mundial, em 2050 (In Visão 20/26 Maio 2010)

sábado, 5 de abril de 2008

A lucioperca


A lucioperca, com o nome científico Stizostedion lucioperca, é uma espécie relativamente recente nas nossas águas. Fisicamente é bastante esguia e acastanha escura na zona lombar, e esbranquiçada na ventral. Possuir uma boca grande, dois grandes dentes caninos em cada maxilar e uma cauda proporcionalmente grande, bem como as barbatanas dorsais, o que indicia grande facilidade em desferir ataques às suas potencias presas.
É originária da Europa de Leste: regiões dos mares Negro, Báltico e Aral, zona dos Urais e rio Volga. Prefere zonas de águas frias, limpas e oxigenadas, embora se mostre uma verdadeira adaptada a todas as que não reúnem estas exigentes condições, como são a generalidade as albufeiras portuguesas onde tem surgido.
Desova na Primavera, ou logo que a temperatura atinja valores entre os 7 e os 12 ºC. Os ovos com cerca de 1,5mm são colocados na vegetação ou directamente no substrato do fundo.
O crescimento da lucioperca é bastante rápido, segundo estudos efectuados no rio Volga. No primeiro ano de vida podem atingir mais de 500 gramas para um tamanho de 34 centímetros e após os sete de idade, ultrapassar 4,800 Kg para o tamanho de 68 centímetros. Noutras regiões da Europa onde foi introduzida, são frequentemente capturados exemplares que ultrapassam os 10 quilos de peso, dependendo das condições de disponibilidade de alimento.
Em Portugal existe já nos rios Douro, Tejo e Guadiana e em algumas albufeiras dos seus afluentes, mas encontra-se em franca expansão por outras mais afastadas destes rios internacionais.
Não sendo um peixe com particular interesse desportivo é um predador voraz para as nossas espécies autóctones – maioritariamente peixes de pequeno porte: bogas, barbos, e escalos, - pelo que seria desejável sempre tentar conter a todo o custo, toda e qualquer introdução desta espécie, em toda e qualquer massa de água.
Infelizmente, quando se pescam os primeiros exemplares, já toda a massa de água está repovoada. Isto porque apenas procuram alimento nas camadas mais superficiais onde vulgarmente circulam as nossas amostras, quando de todo não se consegue alimentar em profundidade ou quando sobe para zonas mais baixas para a reprodução. Desportivamente, pesca-se com todo o tipo iscos que trabalhem em camadas mais profundas e imitem as suas presas habituais.

8 comentários:

ZeNeR disse...

jÁ era altura de lhes fazermos uma pesca... Devem andar na reprodução nesta altura não?

José Gomes Torres disse...

Pois, não sei.
Teremos que ir averiguar isso em breve, logo que o S. Pedro pare de mandar água e vento cá para baixo.

cp disse...

um colega de pesca apanhou na Aguieira um destes bichos com aprox 1kg e 50 cm. pescava com uma rapala mn de 5cm e meia água. Há anos q pesco na aguieira e é o 2º exemplar que vejo sendo que o 1º foi há um mês e era bastante + peuqeno. Qual a melhor forma de os apanhar ? E cozinhar? o q é certo é q as percas desapareceram de lá e achiogãs com + de 0,5 kg é cada vez + dificil. Será q está relacionado ?

José Gomes Torres disse...

cp, esta espécie vai-se espalhando a pouco e pouco por todo o país.
É tradicionalmente um peixe de fundo que vive em cardumes, constituídos por peixes de tamanhos idênticos. Prefere a profundidade mas é possivel pescar-se mais perto da superficie ao amanhecer e ao anoitecer. Gosta também de zonas de cascalho e pedras soltas. É um predador terrível, em especial para os restantes peixes e lagostins. A perca sol, não será dos seus alimentos preferidos até porque raramente se cruzam.
Quanto aos achigãs, o maior predador continua a ser o Homem, sem qualquer dúvida...

Fabio Rossano Dario disse...

Acabei de chegar da Romênia onde
experimentei este delicioso peixe que os romenos chamam de şalău e que possui uma das carnes mais saborosas que já provei. Para quem vai pra Romênia recomendo: file de şalău prăjit cu cartofi şi salad asortate (filé frito de lucioperca com batata e salada mista).

Anónimo disse...

EMBORA ESTEJA RETIRADO DA MODALIDADE SEI QUE O CAIA NESTE MOMENTO ESTÁ INFESTADO DESTA ESPECIE.

Anónimo disse...

Acabei de apanhar um exemplar destes de 5KG num lago, a pescar em alta profundidade.

Gostava de saber que tipo de isco vivo usar para apanhar esta grande praga , uqe me está a dar cabe da minha rica pesca há carpa!

Filipe Delgado disse...

No rio Tejo utilizamos todos os iscos artificiais de cor amarela ou verde.
Na pesca ao fundo (chumbada livre) pescamos com alburnos, vivos, aos pedaços, inteiros com a barriga aberta.
Depende do dia e da vontade dos "rapazes".
Boas pescarias.