"Se as várias estimativas que temos recebido se concretizarem, em 40 anos ficaremos sem peixe"

- Pavan Sukhdev, economista e consultor da ONU, sobre o eventual esgotamento dos recursos piscícolas a nível mundial, em 2050 (In Visão 20/26 Maio 2010)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O salva-amostras


O presente apetrecho é um daqueles que até há algum tempo achei perfeitamente dispensável e mais um daqueles itens de utilidade questionável.

Aliás, só para me tranquilizar a mim próprio, eu tinha inventando um semelhante há uns anos largos, com os mesmos propósitos salvadores de amostras, mas cujo resultado deixava bastante a desejar. Mas depois da expêriencia de ontem, fiquei francamente rendido às evidências.
Talvez pelo facto de termos abusado a durante toda a curta manhã de pesca, das amostras abundantes, devido ao facto de supostamente os peixes estarem mais fundos, esta geringonça provou que funciona e funciona bem.
Em direcção ao fundo!

Trata-se de um peso (+ ou- 300gms) que neste caso até imita uma amostra, com uma larga argola dupla na parte superior. Numa das extremidades possui um conjunto de pequenas correntes metálicas e na outra, um fio resistente para a recuperação.

Aplicação no nylon

A sua utilização é bastante simples: Quando uma amostra fica presa num obstáculo, insere-se a nossa linha de pesca na argola dupla do salva-amostras e deixa-se o apetrecho correr pelo nylon até ao local onde está presa a amostra, segurando-o pelo fio que os vai resgatar posteriormente. Pela experiência constatei que o peso é um factor extremente importante para o sucesso da acção. Daí que o impacto do salva-amostras na estrutura é muitas vezes só por si, suficiente para soltar a amostra. Se tal não acontecer basta umas sacudidelas para que se solte ou pelo menos as correntes acessórias do salva-amostras se prendam nos anzóis triplos e a tragam de regresso.

Salva!


Percebi por isso que o peso e a força do impacto amostra a resgatar são factores importantes, de tal forma que seria por isso que o que eu próprio construi, não era tão eficaz quando este.
Acho por isso que é simplesmente um item imprescindível na bagagem dum pescador de amostras e vale bem o dinheiro que custa.

A não perder!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A gambusia

Macho e fêmea, esta no plano inferior

Este peixe, porventura o mais insignificante das espécies que habitam nas nossas águas, é bastante conhecido devido à sua dispersão geográfica. Muito comum em água doce e salobra, tem um papel importante que quase ninguém conhece muito bem...
A gambúsia é de facto um peixe pouco importante para a maioria dos pescadores de água doce. Quase todos o conhecem, mas ninguém sabe muito bem o seu nome e de onde vem este peixe. Excepto em estudos sobre esta espécie, provavelmente nunca ninguém perdeu muito tempo a escrever sobre este peixe, que por algum motivo se encontra espalhado por vários países e com um papel muito importante como adiante veremos.
A Gambúsia holbrooki é um pequeno peixe originário da América Central, concretamente dos rios que vão desaguar ao Golfo do México. Neste momento, encontra-se espalhado por vários países da Europa, incluindo naturalmente Portugal, África, Ásia e Austrália. No nosso país é muito vulgar nas barragens, em especial no Centro e Sul e nas pequenas represas de rega, preferencialmente com alguma vegetação aquática.
Curiosamente, esta espécie é um familiar bastante próximo dos conhecidos Guppis, o peixe mais popular nos aquários domésticos de águas tropicais, denotando-se facilmente os traços de família. As fêmeas são bastante diferentes dos machos incluindo o tamanho bem maior, que pode atingir os seis centímetros, contra os três e meio, nos machos. Estes possuem a particularidade da barbatana anal estar adaptada a aparelho reprodutor.
São ovovivíparos, o que quer dizer que os filhotes desenvolvem-se dentro da barriga da mãe, onde os ovos são fecundados, nascendo já desenvolvidos. São completamente autónomos à nascença, necessitando apenas de se refugiar de imediato, visto que são insistentemente perseguidos pelos da sua espécie.
As fêmeas são muito prolíferas podendo produzir cerca de cinquenta crias de mês a mês. Como se encontram constantemente em estado de gestação, as gambúsias são conhecidas em algumas regiões por “barrigudinhos”. Suportam grandes amplitudes térmicas, baixos níveis de oxigénio e até bastante salinidade na água, revelando-se verdadeiros “todo-o-terreno” da adaptação.

O peixe do mosquito
A particularidade mais importante deste pequeno peixe é que se alimenta sempre que pode, de larvas de mosquito. É um verdadeiro devorador, podendo ingerir por dia entre cem a duzentas larvas, segundo estudos efectuados. Em muitos países, onde foi introduzido para combate às pragas de mosquito, tem mesmo o nome de mosquitofish ou “peixe do mosquito”, nome por que também conhecido em alguns locais no nosso país. Este “insignificante” peixe fez inclusive, parte do programa da Organização Mundial de Saúde para combate à “doença do sono” em África, com a vantagem de ser um produto biológico.
Como tudo, não há bela sem senão, e a esta espécie já foram atribuídos alguns prejuízos ambientais. Na Nova Zelândia e Austrália, estudos efectuados revelaram que as gambúsias preferiam muitas vezes como alimento, os ovos de espécies nativas, dizimando rapidamente as mais sensíveis, ou por competição directa por alimento, visto que são muito vorazes. Por sua vez, também se tornaram presa fácil e abundante de outros peixes predadores e aves aquáticas.
Por cá, e uma vez que aparentemente não existem estudos sobre este possível impacto, as gambúsias são presença vulgar nos variados locais onde os pescadores de água doce as observam, sem no entanto saberem concretamente que peixe estão a ver.
(Texto da minha autoria publicado no Correio da Manhã de 18 Agosto de 2002)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Swim Baits


Os swim baits são amostras que se encontram já em utilização por uma boa parte dos pescadores portugueses, depois de este fenómeno ter acontecido também um pouco por todo o mundo. A americana AC Plug foi das primeiras marcas a produzir este género de amostras que conseguiram fabulosos resultados na captura de exemplares recorde e contribuíram para a divulgação dos swim baits. Actualmente, um grande número de marcas japonesas fabrica este género de iscos, tendo incrementado muito a variedade destas amostras no mercado.
Uma das suas características dos swim baits é a sua perfeição e o rigor na imitação da espécie que pretendem simular. A articulação do corpo é outra característica habitual que lhes permite obter o efeito porque são conhecidas e denominadas: a natação ou o “swim” – amostras nadadoras, se não nos chocasse esta tradução à letra da sua designação.
A sua utilização não tem nada que nos seja desconhecido e limita-se à recuperação, com toques e paragens, ou outra qualquer acção que nos seja produtiva em resultados.
Tratam-se normalmente de amostras de grande tamanho e de aspecto robusto, apresentando um peso bastante superior ao normal, nitidamente direccionadas para os grandes predadores, quer sejam de água doce quer de água salgada.


Os grandes fabricantes de canas como a Daiwa, Shimano ou a GLoomis adaptaram-se também a este género de iscos mais pesados e produziram equipamentos específicos. As swimbait rods são mais robustas, estão preparadas para arremessos pesados e habitualmente possuem cabos mais comprimidos que facilitam o lançamento.
Este género de amostras permitem explorar de outra forma as águas onde pescamos predadores, pelo que são mais uma ferramenta disponível ao pescador de iscos artificiais.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Licença de Pesca para Águas Interiores no Multibanco

Pela primeira vez, em trinta anos de pescador licenciado, tive a possibilidade de ter em meu poder a Licença de Pesca Desportiva para Águas Interiores, no primeiro dia de Janeiro. Ao contrário do que acontecia até aqui, já é possível pescar legalmente no primeiro dia do ano.
Como precisei de ir ao Multibanco nesse dia, aproveitei e testei eu próprio a funcionalidade desta nova fórmula mágica. Chegar ao menu da Licença de Pesca em Águas Interiores é relativamente fácil, embora com a quantidade de serviços que se podem obter no Multibanco actualmente, o monitor está cada vez mais cheio, o que nos exige mais tempo até descobrirmos a localização daquilo que nos interessa. Se tiver dúvidas sobre este assunto consulte este post que tem um link para a TV Natur sobre o tema.

Mas nem tudo são maravilhas.
* Em baixo, no talão pode ler-se “Obtenha 2º via no CA-MB durante 60 dias ou na AFN após este período”. De facto esta informação baralha as pessoas que ficam sem perceber se têm que obter um comprovativo definitivo (a tal 2º via) sendo o talão provisório para os referidos 60 dias. Em esclarecimentos com a AFN, recebi o mail que transcrevo:

"Em resposta à mensagem de V. Ex.ª, cumpre-nos informar de que o talão do Multibanco constitui a licença de pesca, a qual é válida até 31 de Dezembro de cada ano.
Para a eventualidade de perder o referido talão, ou do mesmo se danificar, pode obter 2.ªs vias do mesmo (tantas quantas desejar) através da Cx. MB, tal como de qualquer outro talão, durante os 60 dias seguintes ao da operação. Para o efeito deve utilizar o mesmo cartão bancário com que foi efectuada a operação original e;
- Seleccionar a operação "Consultas";
- No ecrã seguinte seleccionar "Consulta de Oper. do Cartão no MB";
- De seguida, seleccionar "2.ª Via de Talão MB";
- Introduzir a data da operação original (dia e mês) e confirmar;
- Seleccionar a operação em causa."
Mas, acrescento eu, o mais provavel é perder ou especialmente danificar o talão, após o prazo dos 60 dias... e depois tenho mesmo que ir à AFN, não é?
E tenho mesmo que decorar a data da operação original??? Já tenho tanta coisa para decorar, bolas...
* O tamanho do talão é francamente desproporcionado e não cabe em qualquer carteira sem ser dobrado. Isto leva a que na zona da dobra as letras desapareçam com facilidade porque este papel não foi pensado para andar um ano no bolso dum pescador. Na minha Licença, que foi dobrada ao meio, a dobra coincide com o tipo de Licença, o que me pode trazer problemas se for encontrado a pesca no Algarve.
* É mau afastarem-se as pessoas dos serviços públicos e do contacto com as entidades que gerem os nossos recursos naturais. Dá ideia da ausência da autoridade, era das poucas vezes que se via um Guarda Florestal...
* Persiste a sensação de que o objectivo é apenas sacar o dinheiro aos contribuintes e ter o menos possível de trabalhadores na Administração Florestal, para aligeirar as despesas com a Função Pública.

Às vezes quando se consegue uma coisa que nos parece fácil, coloca-se em causa várias outras que não nos lembramos, mas que de mais cedo ou mais tarde, nos será MUITO MAIS DESFAVORÁVEL.
Se não for para nós, será para os nossos filhos.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Finalmente, com acesso ao mundo

Terminei hoje já e bem cedo - perto das 03H00 - a minha ligação ao mundo web, depois de receber na quarta-feira um senhor, que trabalhava para a PT/SAPO, a quem tive que emprestar um escadote, para eu ter ter uma coisa chamada "ligação à rede".
- Mas não se pense que fiquei com internet e telefone logo de seguida... Tive que esperar mais dois dias, até ontem à tarde, para receber uma mensagem no meu telemóvel informando-me que já podia "viver a assapar..."
Como se eu tivesse necessidade disso...
- Mas não se pense que já tinha internet, não senhor! Faltava a activação on-line com um complicadíssimo processo de registo em cinco passos - e com muitas alíneas- onde tive que digitar por inúmeras vezes o username e a password, o número de telefone de casa e o meu NIF, não vá eu como delinquente que sou, baldar-me aos compromissos fiscais.
Fui também literalmente obrigado a criar uma caixa de correio electrónico no quarto passo, mesmo que não estivesse interessado nisso, porque não tenho tempo para gerir diversas caixas de correio. Se não o fizesse, não poderia prosseguir na activação da conta.
O simplex passou ao lado desta empresa...
Foi extremamente complicado este processo de troca de fornecedor de internet. Gastei montes de dinheiro em telemóvel, protestei inúmeras vezes, reclamei oficialmente outras, foram-me ocultados inumeros pormenores do serviço, mentiram-me descaradamente dezenas de vezes.
Mas isso vai ficar tudo escrito no Livro de Reclamações da empresa PT/SAPO.
Doutra forma não evoluimos.
PS: Ainda hoje espero colocar um post sobre pesca e esquecer rápidamente este assunto!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Novos agradecimentos ao MEO incompetente

Aproveitando a facilidade de um acesso que não é meo nem meu, quero manter e reforçar os meus agradecimentos públicos ao MEO/PT, pelo facto de ESTAR SEM ACESSO Á INTERNET PELO 13º DIA CONSECUTIVO, apesar dos meus insistentes pedidos, quer por telefone quer pessoalmente no balcão da PT.
E eu que até tinha um serviço razoável... obrigado Clix, pelos serviços prestados...

Verificamos que esta empresa CONTINUA A DESPREZAR DE FORMA LAMENTÁVEL E VERGONHOSA OS SEUS CLIENTES, NÃO TENDO O MINIMO DE RESPONSABILIDADE E PREOCUPAÇÃO EM RESOLVER UM PROBLEMA QUE ELA PRÓPRIA CRIOU.
QUE INCOMPETÊNCIA...!!!!!

Obviamente, o meu desabafo ficou já manifestado no LIVRO DE RECLAMAÇÕES do balcão da PT em Castelo Branco e segue para a ANACOM.

Como dizem os Comandantes Gatos Fedorentos… falam, falam… mas não fazem nada.

- E se o MEO Comandante fosse para um sítio longínquo…?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

OBRIGADO, MEO COMANDANTE!

POST´S ADIADOS, AQUI NO INSTANTES…
Pelo facto de ter aderido ao MEO e ter sido informado que deveria, aquando da instalação, ter já anulado o contrato com o anterior fornecedor destes serviços, encontro-me actualmente sem internet e telefone.
É que fui informado na sexta-feira passada por uma menina muito bem disposta, que iriam proceder à ligação hoje entre as 9H00 e as 9H30.
Mas na quarta-feira ligou-me outra, que ficou logo menos bem disposta, a dizer que devido a problemas técnicos não poderiam fazer a ligação…
Conclusão, não tenho actualmente serviço de internet e telefone em casa, nem se prevê quando venha a ter.
Obviamente, segue reclamação para vários serviços, entre os quais a ANACOM bem como no Livro de Reclamações da delegação da PT.
Terei que procurar outro operador?
Só me resta agradecer publicamente ao MEO Comandante…

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

FELIZ ANO NOVO




Nesta nova quadra festiva, quero desejar a todos os visitantes deste nosso espaço, um feliz ano de 2009. Que o próximo ano nos traga saúde, felicidade, paz e tudo o que se usa dizer nesta ocasião.
E já agora, algum tempo de sobra, para que possamos incomodar os peixes com os nossos artefactos de pesca.


** FELIZ ANO NOVO **

Prendas de Natal


Este Natal fui presenteado com duas amostras novas, para a minha colecção de amostras que nunca vou usar, ou melhor, só vou usar uma vez para ver como trabalham.
Uma delas, a da esquerda é da marca Mirrorlure, modelo TNT HP Sinker, numa espectacular tonalidade rosa, que por certo afasta de forma particularmente eficaz, qualquer peixe das imediações.
A da direita é da marca Hart, modelo ISASA KK Beetle, de apenas três centímetros de tamanho e um grama de peso. Conheço um sítio onde os barbos vão enlouquecer quando a virem… Mas não vão ver.
Obrigado Zé Pedro…

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Feliz Natal!


Na época festiva que se aproxima, aproveito para desejar a todos os visitantes deste espaço, quer sejam habituais ou casuais, um Bom Natal cheio de presentes e coisas doces.
Aproveito para deixar novamente a imagem do presépio cá de casa. O mesmo do ano passado, fabricado em Portugal, à base de matérias-primas naturais do nosso país, como a madeira e barro.
Um Bom Natal para todos!
Deixemos os peixes descansados esta semana….

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Publicado o Regulamento do PNTI


O Parque Natural do Tejo Internacional viu finalmente aprovado em Diário da Republica, o seu Regulamento.
Apesar da forte oposição da Associação MarDoce, representante dos utilizadores embarcados deste troço do Tejo nas reuniões da Comissão de Coordenação, foram interditos locais e estabelecidos períodos de interdição à navegação. Além disso, cada embarcação deverá possuir um parecer positivo do PNTI quanto sua presença naquelas águas.
Embora este regulamento tenha entrado em vigor no dia 25 de Novembro, os serviços do Parque não conseguiram até ao dia de hoje, apesar das inúmeras solicitações, emitir um único parecer para a navegação de recreio.
Apesar dos proprietários de embarcações terem sido “beneficiados” este ano, com um incremento de cerca de cerca de quatro vezes mais, no imposto sobre embarcações, sem qualquer aviso prévio.
É de louvar, a atenção dedicada ao super-contribuinte.


Aquela que deveria ser uma preocupação básica do ICNB e que muitas vezes foi referida nas reuniões – a deplorável qualidade da água que nos chega de Espanha - não parece fazer parte das preocupações desta instituição, visto que nem são referidas acções de controle na área do Parque.
Não será grave que os animais que se pretendem proteger, bebam daquela água?

domingo, 14 de dezembro de 2008

A história das coisas

Desta vez, nada de pesca mas um pouco de meditação para a preservação dos limitados recursos que o planeta tem para a Humanidade. No fundo e indirectamente, também afecta os rios e as espécies aquáticas, toda a Natureza e obviamente a nós próprios.

Este pequeno-grande filme, dura no somatória das três partes, cerca de vinte minutos. Trata-se dum documentário daquilo que se passa actualmente e que todos os dias nos é escondido.
Quem fica para pagar esta factura não somos nós, mas sim os nossos descentes, que em caso algum foram responsáveis pela nossa irresponsabilidade.

Para reflectir e se possivel, por em prática. Um contributo para que neste Natal possamos resistir um pouco mais à tentação das compras inúteis.

PARTE I


PARTE II


PARTE III



domingo, 7 de dezembro de 2008

Para recordar...

Se há dias de pesca para recordar, este foi um deles. De tal forma, que ainda hoje me vem à ideia com doentia frequência...
A saída para a pesca estava atrasada, porque desgraçadamente o nosso barco, quando lá chegamos, estava em seco graças de uma mudança repentina no vento que o deixou virado para terra, enquanto a maré vazava…
Mas as férias não são para nos chatearmos com nada e não seria isso que nos ia estragar o dia de pesca.
Arrumamos o material, instalamos as electrónicas, preparamos as canas, arrumamos os cabos e tiramos umas fotos, enquanto a água da enchente chegava calmamente à proa do Ranger.
Uns empurrões, e aí está ele a flutuar. Rapidamente o motor é posto a aquecer enquanto saímos devagar por entre os restantes barcos ainda adormecidos na madrugada . Mais um minuto ao ralenti e depois, aumento progressivamente a velocidade porque os robalos estão à nossa espera, sem imaginar que nesse dia, vários estavam mesmo à nossa espera…
Chegados, faço o primeiro lançamento com uma passeante, uma das minha amostras preferidas para os achigãs, que uso quase há duas décadas, muito antes da recente febre do spinning de mar as ter tornado populares na pesca dos robalos.
Alguns lançamentos depois e o primeiro ataque surgiu, concretizado num robalo com cerca de um quilo e quatrocentas.
Mais ataques, mais peixes, mais falhanços, mais vezes ouvimos mutuamente “-Tenho um!!!” numa verdadeira cascata de adrenalina que não nos deixava descansar um instante.


Eles, nesse dia estavam lá e estavam a comer, disso não havia duvida e nós aproveitamos o frenesim. Em cerca de uma hora, pescamos dez peixes, com mais de um quilo e duzentas, tendo o maior pesado dois quilos e oitocentas.


Como pescadores conscientes e ao contrário do que vemos em muitas fotos um pouco por todo o lado, não sacrificamos todos os que pescamos e nesse dia libertamos cinco dos dez robalos capturados. Apesar de neste ano, apenas termos tido oportunidade de pescar desta forma, cerca de dez dias… Afinal, não somos nós os interessados em manter esta espécie?
Algumas libertações foram documentadas como a que já publiquei neste post, outras não houve tempo ou os peixes ficaram mal enquadrados porque não me estava a apetecer meter a cabeça dentro de água - visto que a máquina é submersível - para fazer o devido enquadramento ….
Foi um dia para recordar, não só pelos robalos que nos permitiram a sua captura mas também aos que - por via do destino - nos foi permitida a sua libertação.
Infelizmente a ganância de muitos pescadores desportivos, ou dito de outra forma, apanhadores de peixe para vender, irá rapidamente acabar com estes dias para recordar…
A esses, brevemente só lhes vai restar ficar a olhar para o material e pensar que esteve nas suas mãos, a continuação dos dias de abundância.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Neve na Gardunha

Os últimos dias de Novembro encheram de neve muitas paisagens do Interior, que nos são mais ou menos habituais. Ganharam outro visual, capaz até de fazer parte dum postal daqueles que se vêem nos escaparates rotativos das lojas da Serra da Estrela.
Desta vez, democratizou-se a queda de neve e também a nossa serra da Gardunha que não vai além dos 1230 metros teve direito a um bom nevão.

Esta paisagem que nos serve tantes vezes de pano de fundo às nossas imagens de pesca de carpas à pluma, ficou assim de repente, ainda mais bonita.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Em que é que ficamos?


Esta placa encontra-se em vários locais da albufeira da Marateca ou Sta. Águeda, como também é conhecida a massa de água que abastece Castelo Branco.
É também mais uma prova do amadorismo, da prepotência e no fundo da palermice que caracterizam o português típico, porventura imaginada por algum funcionário com categoria de capataz, que pensa que ele próprio, é dono da barragem.
Estamos em presença de uma sinalização que tem como fundo um barco à vela e em sobreposição, um sinal reconhecido como de interdição. Até aqui percebe-se que é interdita a navegação à vela nesta albufeira. Será aliás, a conclusão que qualquer estrangeiro que não entenda português e que procura a albufeira, tira de imediato.
Mas, eis que, mais abaixo encontramos uma frase que afirma categoricamente: “PROÍBIDO BARCOS COM MOTOR”. Ou seja, além dos barcos à vela, também são proibidos os barcos com motor.
Mas, no canto superior esquerdo encontramos ainda uma outra frase: “PERMITIDO MOTORES ELÉCTRICOS”. Perante esta enorme e controversa quantidade de informação, o incauto cidadão fica de certa forma atordoado e sem conseguir tirar uma conclusão decente.
Para facilitar, eu sugiro o seguinte e explico porquê:
Caro pescador eventualmente embarcado, ignore a placa e faça o que a sua consciência lhe ditar. Simplesmente porque a placa é COMPLETAMENTE ILEGAL, os símbolos não fazem parte de nenhuma listagem de símbolos reconhecidos na navegação, pelo que ninguém é obrigado a perceber tamanha palermice junta.
Para ser sincero, estou a pensar enviar a foto para o site “Portugal no seu melhor”…
Assim não vamos a lado nenhum…

domingo, 23 de novembro de 2008

A hibernação do motor do barco - Parte II

No seguimento do post anterior, iremos ainda prestar atenção à preparação dum barco para o período de descanso, bem como a outros componentes importantes do motor e da própria embarcação.

Antes de mais, é de referir que cada vez que se intervém num motor, a chave de ignição deve estar retirada, bem como o dispositivo de homem-ao-mar para que não se dê um arranque intempestivo.

Protecção interna dos cilindros
Existem líquidos no mercado (normalmente em embalagem spray), indicados para esta operação. Cada fabricante de motores apresenta o seu produto, o que não quer dizer que exista incompatibilidade entre marcas diferentes. As velas devem ser retiradas. Pelo orifício destas aplica-se o spray, seguindo as instruções do fabricante.


Depois e rodando manualmente o volante do motor, espalha-se o líquido pelo curso dos cilindros formando-se então uma película de protecção contra a corrosão, no interior destes.
Aproveite e verifique se a mistura de combustível é a correcta, verificando a cor das velas que deve ser castanha clara e se o isolador de porcelana não se encontra estalado ou partido. Os eléctrodos devem estar sem vestígios de desgaste. Aplique um pouco de óleo do motor na rosca da vela e aperte.

Lubrificação o veio do hélice
O veio do hélice deve ser lubrificado, após a retirada deste. Para tal, utilize um taco de madeira para imobilizar o hélice enquanto o desaperta.


Verifique se não existem restos de fio de pesca ou detritos no eixo e remova a massa de lubrificação antiga. Curiosamente, ao realizar esta tarefa no meu motor detectei restos de fio de pesca, que inevitavelmente iriam deteriorar o retentor do veio do hélice e permitir a saída do lubrificante da caixa do veio de transmissão. Esta avaria teria uma reparação dispendiosa e uns fins de semana sem pescar.


No veio, depois de limpar, deve-se aplicar junto ao retentor um lubrificante do género do HHS2000 - da Wurth, enquanto se roda à mão. Aplique agora massa consistente espessa e aperte a porca, utilizando o truque do taco de madeira, desta vez no lado oposto.



Bateria
A bateria é um elemento caro e que se não for cuidado deteriora-se em pouco tempo. E o Inverno é a época do ano em que mais baterias chegam ao final dos seus dias. As vulgares baterias de ácido e chumbo automotivas, devem ser guardadas com carga máxima. Antes desta carga, deve naturalmente verificar-se o nível de electrólito, se a bateria não for selada e corrigi-lo com água destilada até ao nível assinalado como máximo, se tal for necessário.
Qualquer bateria destas características deve ser submetida uma carga de manutenção de quinze a trinta minutos uma vez por mês, porque com o passar do tempo verifica-se uma descarga lenta nestes tipo de acumuladores o que dá origem ao processo de sulfatação das placas e consequentemente à sua destruição precoce.

Bom trabalho!

sábado, 15 de novembro de 2008

A hibernação do motor do barco - Parte I

A lavagem do motor antes da imobilização prolongada é imprescindível
O bom tempo decididamente já nos deixou e o Inverno está aí. Uma grande parte dos pescadores que possuem barcos, não os utiliza no Inverno, devido ao facto de ser menos agradável pescar nesta altura do ano e também porque as condições de mar muitas vezes não sugerem aventuras...

Qualquer que seja o motivo, os motores que passam longos períodos de imobilização (mais de dois meses) devem ser preparados para esta inactividade, com pequenas tarefas fáceis de realizar e que lhe aumentarão o período de vida e a fiabilidade.

Umas das acções recomendadas no início do período de imobilização é a lavagem completa do sistema de arrefecimento. Esta operação tem como objectivo fazer circular água doce por todo o sistema de refrigeração, para que este seja limpo pela água doce que aí circula. Nos modelos mais pequenos, abaixo dos 25 CV, pode fazer-se colocando o motor num bidão com água.

Nos modelos mais potentes a melhor solução é a utilização dos “auscultadores” como vulgarmente são designados. Este prático acessório permite a ligação a uma mangueira que por sua vez é ligada à torneira e assim fornece ao motor a água necessária para o sistema de arrefecimento, permitindo o seu funcionamento “ a seco”. Algumas marcas têm modelos que possuem uma entrada de água com um bujão que se desaperta e onde se liga directamente uma mangueira com um acessório de rega, dispensando os auscultadores.

Pormenor dos "auscultadores"

Deve-se em primeiro lugar abrir a torneira da água, fazendo depois o arranque do motor e confirmando que o esguicho de água de arrefecimento é contínuo. Desta forma certificamo-nos que o caudal de água é suficiente e não existe risco de sobreaquecimento do motor. Por outro lado confirmamos igualemnte que todo o sistema funciona bem e não existem problemas de entupimento no circuito, nem o impulsor da bomba de água está gasto ou danificado.

Depois de funcionar entre cinco a dez minutos, deve desligar-se a mangueira da gasolina do motor, levando a que este pare por falta de combustível. Isto evita que a gasolina fique retida nos carburadores, ou injectores nos modelos mais recentes e ao longo do tempo evapore, deixando resíduos acumulados no sistema de alimentação.

Nunca de deve desligar a água com o motor em funcionamento, mas só depois deste parar, mesmo que sejamos nós a desligar a ignição.

No próximo post serão abordados outros elementos importantes para a manutenção invernal do motor, bem como cuidar da(s) bateria(s) do barco neste periodo.

sábado, 8 de novembro de 2008

O achigã recorde do Zé Pedro...


Partilhar uma jornada de pesca com uma criança pode revelar-se uma surpresa. Em especial, porque os peixes não escolhem os anzóis...Esta história verídica passou-se em 2001, no fim de uma tarde de Julho.
- Há aqui alguém interessado em ir dar uma volta de barco?
Foi como se de repente, se ouvisse gritar que havia fogo cá em casa...
- Hehehe… - Como gosto de fazer isto... pensei para comigo.
A mãe foi preparar o lanche, porque o ar do campo abre sempre o apetite, vestir o fato de banho, calçar os ténis, procurar o livro que está a ler, etc.
O pescador mais jovem, foi preparar o colete de pesca, calçar as sandálias, procurar o boné, eventualmente debaixo da cama, junto de uma infinidade de coisas que só ele conhece a utilidade.
- Daqui a cinco minutos, na garagem! - Fui dizendo enquanto fechava a porta.
Engatei o barco no carro, enquanto chegavam os restantes passageiros e aí vamos nós.
Já no rio, como estavam bastantes pescadores de margem nas imediações, fomo-nos afastando com o motor eléctrico, que não faz ruído e aproveitando para começar a tentar enganar os achigãs mais distraídos, mesmo já ali.
Após alguns lançamentos, pesquei um, com cerca de quatrocentas gramas.
- Já cá tenho o primeiro... Disse em voz alta e tom jocoso, para espevitar o meu aprendiz.
Mas ele resmungou qualquer coisa relacionada com o fio e não ligou.
Depois de tirado do anzol, foi devolvido com cuidado à água. Mais uns lançamentos e mais um achigã, pouco maior que o primeiro.
- Dois, a zero…digo eu, em jeito de provocação.
Nada… Não responde…
Após alguns lançamentos, o jovem pescador capturou um, com cerca de meio quilo, enquanto eu lutava com outro, de cerca de um quilo. Algazarra a bordo. Dois peixes, ao mesmo tempo... Espectacular!!!
- Mãe, foto para a equipa, por favor… digo eu enquanto o Zé Pedro se colocava ao meu lado. Peixes na água, e toca a recomeçar.
- Pai, temos que ir àquelas pedras fazer uns lançamentos, diz ele.
- Claro, respondo sem hesitar.
Lancei e apercebo-me de um derivar da linha, quase imperceptível. Ferrei, mas nada.
Entretanto, o Zé Pedro lança para lá e ferra com violência. Em troca recebe um violento puxão que lhe deixa a cana apontada para a água e sem capacidade de reagir.
- Pai… paaaai... gagueja, enquanto o fio continua a sair do carreto…
- Vai ajudá-lo, depressa...diz a mãe, enquanto eu corro para a máquina fotográfica.
- Nem penses, retorqui, não vou perder a oportunidade de fazer umas fotos...
Vejo a linha a dirigir-se para a superfície, indicando que o peixe vai saltar fora de água. E aí está ele...em todo o seu esplendor... tem... mais de... dddois quilos... DOIS QUILOS... ??????
Só agora é que todos nos apercebemos do que é que o Zé Pedro tem na ponta da cana a lutar com barbatanas e dentes para se soltar... Um enorme achigã, o peixe mais desportivo, lutador e espectacular que existe.
Está instalado um motim a bordo: O miúdo grita porque acha que não está a ver bem. A mãe acha que o devo ajudar. E eu estou muito mais interessado em eternizar este momento único, não dando tréguas à máquina fotográfica.
O peixe, ora salta fora de água, ora afunda, deixando o iniciado pescador, sem pinga de sangue...
Finalmente, já cansado, aproxima-se para ser içado para o barco, pelas pequenas mãos do meu filho, que está nitidamente em estado de choque.
Já com o peixe dentro do barco, ninguém quer acreditar no que está a ver.
- Ganda Zé Pedro!!!... digo emocionado, - Vamos pesá-lo, rápido.
- Dois quilos e quinhentas gramas, meu !!! digo enquanto mostro a balança à mãe, incrédula !!
Uma foto do pescador com o peixe na balança e aí vai ele para a água, bem vivo e em condições de crescer mais uns quilos. Se não se deixar enganar por alguém que o ache mais interessante rodeado por batatas no forno. Nós, pelo contrário, consideramo-lo mais importante bem vivo e aos saltos na ponta das nossas linhas...
- Pai, agora já não me podes chamar pescador de meia-tigela...
- Tá bem, pescador de tigela inteira... Imagino os sonhos dele, nessa noite...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mesa de Plumas


Já um pouco farto de ouvir as reclamações da desarrumação constante e dos restos de penas e linhas por todo o lado, também de deixar cair um acessório e nunca mais o encontrar, decidi finalmente fazer eu próprio, uma mesa de plumas.
Levou tempo, mas já está.
Andei meses a magicar, como seria o lay-out que cumprisse todos os pré-requisitos que pretendia.
- Ser espaçosa
- Ser fácil de limpar
- Ser facilmente transportável para outro lugar em caso de emergência (visitas, levar para o campo, etc..
- Poder albergar também a maioria dos materiais que utilizo frequentemente. Resolvi fazer uma espécie de espaço inferior para albergar três caixas plásticas.
- Ter capacidade para reter os anzóis e cabeças douradas, missangas e todo o género de pequenos acessórios que utilizamos e que desaparecem misteriosamente quando caem… Para isso apliquei um rebordo a toda a volta da mesa para evitar “saídas de campo”.
-Aguns imans e esponjas seguram as plumas já feitas e em fase de secagem.

Finalmente e depois de alguns ensaios, está pronta e já levou a camada final de verniz, aplicada à pistola por mim próprio.

Aqui fica o modelo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Peixe Recorde!


Este verão, numa fugida de fim-de-semana até à albufeira do Cabril, tive a surpresa de bater o meu recorde pessoal do maior peixe pescado em todas as águas.
Mais uma vez, numa amostra destinada aos achigãs, ferro um peixe que me deixou a cana apontada para a água e o fio a sair furiosamente do carreto.
Mais uma briga de dá e recupera linha, até que o peixe já no final da luta decide dar a última corrida junto à margem, em águas particularmente baixas e com bastantes arbustos submersos.
- Vai-se prender nos paus e vai partir… disse já a antecipar o final da contenda.
-Pode ser que não, responde o meu filho.
- Pronto, já está! Digo logo de seguida.
De facto o peixe em fuga consegui que a linha passasse num arbusto e que continuasse a levar linha do carreto, mas com esta a entrar na água sempre no mesmo sítio.
- Vou afrouxar um pouco, pode ser que solte ou que o peixe volte para trás e a linha saia dos paus…acrescento, com pouca convicção.
Não resultou. Agora o peixe parecia já imóvel, porque a linha continuava estática, a entrar na água no mesmo local.
Nisto, o meu filho olha para o lado esquerdo e diz:
- Olha, o peixe está ali ao cima de água… De facto, embora a linha continuasse a entrar na água no mesmo local, o peixe estava exausto à tona de água, a cerca de quinze metros à nossa esquerda.
- Pronto, então segura aqui a cana, que eu vou tentar soltar a linha dos paus. Quando te fizer sinal, é porque está livre e recolhes rapidamente, para que o peixe não se solte por o fio estar frouxo.
Passo-lhe a cana, e salto do barco para as límpidas águas do Cabril. Segurando a linha para me guiar, facilmente chego ao pequeno pauzinho onde a linha passa. Percebo que a sua passagem fez um vinco na madeira amolecida, - por estar à tantos anos submersa e solto a linha que de imediato fica bamba.
- Recupera, rápido!
Ele assim faz, até a linha ficar esticada e o peixe começar a ser trazido lentamente até nós.
- Vá, acaba de a tirar porque o peixe é teu, diz ele.
- Deixa-te de coisas, este foi a meias!
Já no barco e com a cana na mão, ele armou rapidamente o camaroeiro que mergulha por baixo do peixe que é finalmente assim trazido a bordo, depois desta pequena peripécia…
Esta carpa acusou na nossa balança digital 8,700Kg, tornando-se assim o maior peixe de qualquer género que já pesquei, destronando o barbo de 7200Kg que também se interessou por um isco dos achigãs. E o fio Gamma 0,30 resistiu a todas estas torturas de forma heróica, sim senhor…
É o meu recorde, mas resta acrescentar, a meias com o meu filho…
Obviamente, depois de pesada, foi devolvida às águas da albufeira.