"Se as várias estimativas que temos recebido se concretizarem, em 40 anos ficaremos sem peixe"

- Pavan Sukhdev, economista e consultor da ONU, sobre o eventual esgotamento dos recursos piscícolas a nível mundial, em 2050 (In Visão 20/26 Maio 2010)

domingo, 4 de julho de 2010

Libertação de uma truta fário

Aqui fica mais um pequeno filme da libertação de uma truta fário pescada à pluma pelo meu filho, um destes dias.
São tão poucas e tão perseguidas, que todas são importantes na água.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Convívio de Pesca Embarcada de Figueiró dos Vinhos

Clique na imagem para ampliar o Cartaz

A Secção de Pesca da Associação Desportiva de Figueiró dos Vinhos vai levar a cabo no próximo sábado dia 3 de Julho, o II Convívio de Pesca Embarcada ao Achigã na Barragem de Castelo do Bode.
A concentração está marcada para as 7 horas e o inicio da prova de pesca para as 10 horas. O final da prova está previsto para as 18H00, seguindo-se a pesagem e o jantar com entrega de prémios às 20H30.

As inscrições estão abertas até sexta-feira dia 2 e têm um custo de 25 achigãs por pescador e de 10 por participante no jantar.
Podem ser feitas para o Jorge Humberto através do telemovel 964087273 ou o João Almeida com o telemóvel 968034648.

À semelhança do ano transacto, há inúmeros e valiosos prémios e lembranças para todos os participantes, além dos troféus que serão entregues até ao 20 º Classificado.
Vale a pena salientar o mérito desta Associação na realização de um convívio de pesca em que o mais importante é a confraternização e a sã camaradagem entre os participantes, enquanto demonstra uma grande capacidade de bem receber!

Os meus sinceros Parabéns à ADFV, e mais uma vez, tenho muita pena de não poder estar convosco neste dia. Bom trabalho!

domingo, 27 de junho de 2010

Faunasport com loja on-line


A empresa Faunasport sedeada em Elvas inaugurou recentemente a sua loja on-line, possibilitando agora a aquisição de produtos de caça, pesca e náutica, sem que os seus clientes saiam do seu domicílio.

A grande aposta da casa é a politica de preços, em que a vantagem é sempre do comprador, procurando também ir ao encontro daquilo que o visitante procura.

Detentora de uma grande tradição familiar neste género de bens e serviços, vem com este balcão virtual, mostrar uma capacidade inovadora de se manter perfeitamente actual, sem descurar o atendimento atencioso e personalizado, que sempre fez parte desta casa.

A morada virtual da loja é http://www.faunasport.pt/ e o endereço de e-mail é geral@faunasport.pt

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mexilhões detêm barragem de Padroselos

O Governo, por intermédio do Ministério do Ambiente, chumbou a construção de uma das quatro barragens da Cascata do Alto Tâmega, concessionadas à Iberdrola, por causa de doze exemplares de Mexilhão-de-Rio do Norte, (Margaritifera margaritifera, Linnaeus, 1758).
Estes mexilhões foram descobertos aquando do estudo de impacte ambiental, elaborado justamente devido à construção da barragem. Este empreendimento deveria ter um total de 1.135 megawatts (MW) de potência e uma produção eléctrica anual de 1.900 gigawatts/hora (GWh), equivalente ao consumo de um milhão de pessoas, e representa um investimento de 1700 milhões de euros.
Acrescente-se que a Iberdrola já pagou ao Estado um prémio de concessão no valor de 303 milhões de euros pela exploração das barragens durante 65 anos.
Importa saber também que quando as Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico estiverem concluídas, Portugal irá poupar cerca de 205,2 milhões de euros por ano com a importação de petróleo.

Por outro lado, e porque aqui no INSTANTES, a balança tem dois pratos é necessário também saber algo mais sobre o Mexilhão-de-rio do Norte, num breve resumo obtido no site do ICNB:

O mexilhão-de-rio do norte, Margaritifera margaritifera, é uma espécie rara protegida pela legislação nacional e europeia e que, em 1986, chegou a ser dada como extinta em Portugal.
DistribuiçãoNacional: Em Portugal ocorre a Norte, incluindo a Bacia do Douro - Rios Cávado, Mente, Neiva, Paiva, Tuela e Rabaçal.

Tendência Populacional
Esta espécie terá sido o animal aquático mais abundante dos rios da região holártica, tendo sofrido uma regressão notável no último século (cerca de 90% na Europa) devido à acção do Homem (Quesada1999, Araújo & Ramos 2001, Reis 2004).
Após ter sido dada como extinta em Portugal (Bauer 1986, Young et al. 2001b in Reis 2004), a redescoberta da M. margaritifera é sem dúvida um acontecimento marcante a nível europeu. A importância desta nova descoberta é acentuada pelas boas condições em que parecem subsistir as populações dos rios Rabaçal, Mente e Tuela. Curioso é também encontrá-la ainda num rio tão regularizado como o Cávado, mas neste caso todos os indicadores biológicos e ecológicos apontam para que se extinga a curto prazo se nada for feito. A extinção em Portugal pode ocorrer a um ritmo mais acelerado que no resto da Europa, devido à menor longevidade dos animais (Young et al. 2000 in Reis 2002). A conservação das populações dos rios Rabaçal, Mente e Tuela e a recuperação das populações dos rios Cávado, Neiva e Paiva é absolutamente indispensável no contexto do cumprimento das obrigações portuguesas perante a União Europeia no âmbito da Directiva Habitats.

Habitat
Os bivalves de água doce têm, na sua maioria, tolerância muito reduzida à salinidade. Habitam toda uma variedade de habitats de água doce, desde lagos e charcas até rios e valas, enterrando-se total ou parcialmente no substrato arenoso ou de cascalho. Ocorre geralmente a temperaturas inferiores a 20ºC e em águas com pH próximo de 7 e evita águas com baixo grau de oxigénio. É extremamente intolerante a qualquer tipo de poluição (Reis 2004).

Alimentação
Todos os bivalves de água doce se alimentam filtrando a água por um sistema de cílios, sendo a sua dieta constituída por detritos e plâncton (Reis 2004). Em condições óptimas, os bivalves atingem densidades elevadas e são então eles próprios determinantes da qualidade de água, devido ao volume que filtram (Reis 2002 e 2004), sendo um indicador da boa qualidade da água. As larvas (gloquídio) de M.margaritifera parasitam obrigatoriamente membros da família Salmonidae, nomeadamente Salmo salar (salmão) e Salmo trutta fario (truta fário) (Wells & Chatfield 1992, Araújo & Ramos 2001, Reis 2002 e 2004).
Reprodução: Atingem a maturidade sexual entre os 7-20 anos (Meyers & Milleman 1977 e Young & Williams 1984 in Araujo & Ramos 2001, Wells & Chatfield 1992, Woodward 1995). Espécie dióica, mas existem vários relatos de hermafroditismo, em situações em que a densidade populacional cai abaixo de um valor crítico (Wells & Chatfield 1992, Woodward 1995, Araujo & Ramos 2001). A gravidez dura 2-3 meses, desde Junho, e a fase larvar inicia-se em Agosto, tendo uma duração que vai de várias semanas até 10 meses (Woodward 1995, Ziuganov et al. 1994 in Araújo & Ramos 2001), dependendo da temperatura. As larvas permanecem fixas às guelras dos peixes, sofrendo várias metamorfoses, até que se soltam do peixe, estando a sua sobrevivência dependente do local onde caem. A vida parasitária constitui, assim, uma fase do desenvolvimento larvar e simultaneamente de disseminação da espécie, devido às deslocações do hospedeiro. Bauer (1988 in Quesada 1999) considera como populações saudáveis aquelas que apresentam uma elevada proporção de juvenis, com uma percentagem de indivíduos com menos de 20 anos superior a 30%.
Espécie de grande longevidade, cujos indivíduos podem atingir 140 anos ou mais (Woodward 1995).

Ameaças
A poluição, construção de barragens e açudes, regularização de sistemas hídricos, o desaparecimento dos hospedeiros das larvas, a extracção de materiais inertes, e a introdução de espécies exóticas de peixes, são os principais factores de risco.

Orientações para a gestão
Importa salientar que, dada a dependência da espécie, na sua fase larvar, de hospedeiros piscícolas, qualquer intervenção sobre estes salmões e trutas autóctones, tem grande influência sobre as populações de M. margaritifera. Outras medidas: Melhorar a eficiência de transposição de barragens e açudes já construídos, através da colocação de passagens adequadas para os salmonídeos, hospedeiros da M. margaritifera. Assegurar o caudal dos cursos de água, e restaurar as condições originais dos rios onde a espécie já existiu. Manter ou melhorar a qualidade da água a um nível favorável à conservação da espécie. Mas também restringir o uso de agro-químicos, monitorizar a qualidade da água e implementar um programa de reforço das populações samonídeas, interditar a extracção de inertes, em qualquer época do ano, em toda a área de ocorrência da espécie.

À consideração dos leitores...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Abertura a quê?


Mais um final de defeso, mais uma abertura à pesca geral, por assim dizer.
No passado domingo, os ciprinideos e os achigãs tiveram que se haver com os pescadores.
Eu, nós, fanáticos da pesca ao achigã como somos, lá fomos de manhã bem cedo, não para apanhar muitos, porque não pescamos por obrigação mas porque gostamos mesmo, só porque nos apetecia cheirar aqueles cheiros que só se conseguem muito de manhã.
Pouca gente. Nenhum barco. O que se passa? Viemos um dia antes?
Afinal havia motivo, nós é que não sabíamos…
Os achigãs, os tais peixes predadores/invasores e que comem tudo e acabam com as espécies autóctones, devem estar em vias de extinção, só que não sabíamos…
Resultado de um dia de pesca: seis ou sete achigãs, entre os dois pescadores, todos com menos de meio quilo. Que raio de invasor este, que não se encontra em lado nenhum, mesmo por quem lhe conhece os hábitos há muitos anos…

No regresso a casa, faz-se o ponto de situação:
- A água está um nojo, como é possivel que os peixes estejam bem?


- Pesca-se no defeso, com a passividade daqueles a quem pagamos o ordenado para fazerem o que não fazem. Há pescadores de competição embarcada ao achigã que se gabam nos fóruns de pescar no defeso... Se isto não fosse o país que é… mas os bons exemplos chegam-nos de cima. Cada um faz a lei à sua maneira e a fiscalização é inexistente.
- Há quem faça negócios com a venda de achigãs descaradamente em pleno defeso, vendidos ao desbarato de oito euros o quilo, nas margens do Cabril. Apetece dizer: - Oh da Guarda…!


Porque tem que ser assim? O nosso país está a saque? É o salve-se quem puder, mesmo destruindo um património que é de todos? Faz lembrar uma empresa falida que deve ordenados, e onde cada um rouba por onde pode.
Em conversa de loja de pesca, parece que o problema é generalizado, Alqueva incluído.
O mar alentejano que parecia de recursos infinitos, está arrasado. Nada que eu não tivesse adivinhado, escrevi-o várias vezes. Que raio de vida...


Valeu o almoço de grelhada mista com a familia e o facto de a grelha propriamente dita ter ficado em casa, que originou grandes doses de improviso e não nos impediu de almoçar e partilhar o momento. Apesar de tudo, vale sempre a pena ir à pesca...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Barbo Comum

O barbo é um peixe bem conhecido de todos os pescadores de águas interiores. Apresenta o perfil da cabeça ligeiramente convexo, com boca inferior com dois pares de barbilhos. A barbatana dorsal apresenta o raio ossificado a 2/3 da altura da dorsal sendo o perfil posterior da barbatana quase linear e oblíquo relativamente ao perfil dorsal do corpo. O lábio superior é grande e espesso estando o lábio inferior ligeiramente retraído.
Região dorsal é castanha-esverdeada, região ventral branca. Os juvenis apresentam manchas escuras na zona dorsal que desaparecem nos adultos. Durante a época de reprodução os machos apresentam uns curiosos tubérculos nupciais na extremidade do focinho.

Este peixe tem preferência pelos troços médios e inferiores dos rios e vive quase sempre junto ao fundo (bentónico) embora seja usual capturar insectos à superfície. Prefere zonas com pouca ou moderada velocidade de corrente, excepto na época de reprodução em que sobem os cursos de água transpondo os obstáculos com saltos espectaculares.

O barbo comum tem preferência por troços mais profundos, com mais oxigénio e substrato fino. Os juvenis ocorrem em zonas com alguma profundidade, próximas da margem e sem corrente, evitando habitats com muita cobertura arbórea.

Alimentação:
O barbo comum apresenta uma alimentação generalista e oportunista. Alimenta-se principalmente de material vegetal (plantas e algas filamentosas) e larvas de insectos aquáticos. Dentro os insectos aquáticos incluem-se as larvas de dípteros, plecópteros, coleópteros, hemípteros, moluscos e tricópteros. Ocasionalmente ingere areia, cladóceros, insectos terrestres e sementes. Os peixes de maiores dimensões alimentam-se mais alimentos vivos, incluindo lagostins e outros peixes, acabando por se tornar predadores de topo.
Porque é bastante exigente com a qualidade da água, encontra-se em declínio em algumas bacias. A construção de barragens tem levado à destruição de zonas de postura e perda de habitat. Aumento da regularização e extracção de água durante o verão. A extracção de inertes leva ao aumento da turbidez e consequente destruição das zonas de postura. A descarga de efluentes e o aumento da poluição têm sido apontados também como causas do declínio.

A pesca
O barbo pode pescar-se de quase todas as formas: à bóia, ao fundo e até com as amostras dedicadas aos achigãs, em algumas albufeiras em que se tornam particularmente agressivos e, boa parte devido à competição pelo alimento.
Na modalidade de pesca à pluma, com imitações de insectos e pequenos lagostins, torna-se um peixe especialmente interessante sob o ponto de vista desportivo, devido aos seus arranques poderosos e luta interminável, testando os limites do material e da astúcia do pescador.

Por algum motivo é considerado o bonefish português pelos pescadores de pluma…

Fonte: Carta Piscícola Nacional e adaptado.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Destino final da nossa águia de asa redonda, 3 anos depois...


A propósito de um post que coloquei neste espaço no dia 22 de Setembro de 2007, sobre a entrega ao SEPNA de uma ave que recolhemos numa das nossas saídas de pesca, recebi no dia 19 de Abril de 2010 um comentário do sr. Samuel Infante da Quercus, com o seguinte conteúdo:

Caro Sr. Jose Gomes Torres,

Tomamos conhecimento da sua indignação referente a uma águia de asa redonda recolhida por si no dia 7 Setembro de 07 e que fazia alusão à sua entrada no CERAS ( Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo) centro esse gerido pela Quercus.
Fomos verificar nos arquivos a situação, a qual muito estranhamos, pois a prática comum no CERAS comunicar com as entidades ou pessoas que entram animais ao CERAS a informar do estado da ave e caso ocorra o momento da sua devolução ao meio natural.
Neste caso em particular a ave deu entrada no CERAS no dia 7 de Setembro de 2007 através do SEPNA, foi estabilizado e entregue ao ICNB (PNTI) no dia 12 Setembro. Pois neste período o CERAS estava com a actividade suspensa, devido ao cancelamento do apoio anual que o ICNB dava ao CERAS, tendo sido retomada a actividade apenas alguns meses depois, após ter sido obtido o apoio do CONTINENTE.

Sugerimos que entre em contacto com o PNTI no sentido de averiguar o desfecho deste caso.
Com os melhores cumprimentos,

Pela Quercus
Samuel Infante
Quercus A.N.C.N.- Núcleo Regional de Castelo Branco
R. Dr. João Frade Correia Lote 7, loja direita, fracção B
6000-352 Castelo Branco - PORTUGAL
tel/fax:++351 272 324 272
Skype: quercus_cb
E.mail :castelobranco@quercus.pt
www.quercus.pt
19 de Abril de 2010 11:15

Respondi no mesmo dia o seguinte:
José Gomes Torres disse...
Caro Sr. Samuel,
Suponho que teve conhecimento de um pequeno texto que saiu no Jornal Reconquista na ocasião e sobre este tema. O objectivo desse texto foi só e apenas chamar a atenção dos leitores em primeiro lugar para a necessidade de preservação das rapinas e por outro servir de exemplo de como proceder quando encontram uma ave ferida.
Foi também através do mesmo texto que tive conhecimento de que a ave tinha sido entregue ao CERAS, era uma águia de asa redonda, e tinha uma entorse numa pata. De outra forma, nunca saberia mais nada sobre ela desde a hora em que a deixei na GNR… O jornal, tentou saber mais, para produzir a noticia. Eu resolvi apenas ficar á espera daquilo que me parecia legítimo, pelo facto de a ter entregue….
Não é o primeiro animal que encontro ferido ou fragilizado. Há uns anos encontrei um corvo, por indicação de umas crianças que brincavam na rua e entreguei ao Parque Natural da Costa Vicentina, depois de gastar muitos telefonemas para a GNR (não existia o SEPNA à altura), SPEA, etc, etc… Ao fim de uns bons 10 dias, lá foi um guarda do PNCV recolher o bicho e nem uma caixa de cartão levou…
Infelizmente, raramente o sistema funciona ao contrário do que afirma. O facto de me dizer que a ave foi entregue ao PNTI, e o CERAS não me ter informado disso, dá-me razão ao afirmar que o sistema não funciona ou pelo menos, às vezes funciona mal.
O facto de ter perdido o rasto desta águia de asa redonda, e uma vez que a prática comum no CERAS é comunicar com as entidades ou pessoas que entregam animais e informar do estado da ave e caso ocorra o momento da sua devolução ao meio natural - como refere no seu comentário –, é uma realidade incontornável. No mínimo poderiam ter-me enviado uma mensagem, pelo menos, (deixei o meu contacto, que deve constar do processo que refere) informando da sua transferência para o PNTI. Teria então sido feito o que deve ser feito e eu não tinha perdido o rasto do animal e saberia – como soube agora – que teria sido entregue ao PNTI.
Receio agora que, ao reencaminhar o seu mail para o PNTI, indagando o destino da ave, não obtenha resposta, como aliás já estou habituado.
Mas já que o tema foi abordado e considerando a sua informação, fá-lo-ei e irei aguardar pelos resultados, que certamente irei publicar no blog.
Mais curioso e só para reforçar que há várias coisas não batem certo, a águia foi encontrada e entregue em Maio/Junho de 2007, faltando agora saber onde esteve até ao dia 7 de Setembro que refere como ter sido recebida no CERAS. Basta-me ver o registo do dia em que as fotos foram tiradas para me certificar da data exacta. Onde esteve no intervalo de tempo entre Maio/Junho e 7 de Setembro?
Com os melhores cumprimentos,
Gomes Torres


Seguindo o conselho do sr. Samuel, enviei no dia 21 de Abril de 2010 um mail ao PNTI com o seguinte conteúdo:

Exmos Srs.

Por sugestão da Quercus de Castelo Branco, conforme mail anexo datado de 19 do corrente, gostaria saber qual o destino da águia de asa redonda recolhida por mim e pelo meu filho em 2007 e entregue na ocasião no SEPNA de Castelo Branco.

Referi nesse dia que gostaria de ser informado do destino da ave, tendo deixado os meus contactos (obrigatórios para a entrega) e se esta viesse a ser devolvida à Natureza, gostaria que fosse libertada pelo meu filho.Recordo que esta recolha foi na altura alvo de uma reportagem no Jornal Reconquista, com o intuito de sensibilizar as populações para a protecção das espécies, nomeadamente das rapinas.

Uma vez que o assunto foi retomado - e com legitimidade, pelo Sr. Samuel, agradeço as informações solicitadas.

Com os melhores cumprimentos,
Gomes Torres

No dia 3 de Maio recebo um mail do CERVAS de Gouveia, com o seguinte assunto:

Caro Sr. José Gomes Torres,

Bom tarde

De acordo com os nossos registos, a ave que o Sr. José Manuel Gomes Torres refere deu entrada no CERVAS - Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens. Este animal foi recolhido a 07 de Junho de 2007 e entregue no CERAS no mesmo dia, por intermédio da equipa do SEPNA de Castelo Branco. Posteriormente, foi entregue aos cuidados do PNTI e transferida para o CERVAS, local onde ingressou a 13 de Junho.
Na altura do seu ingresso apresentava uma fractura na pata direita, em inicio de processo de ossificação. Este animal acabou por morrer (cerca de um mês depois do seu ingresso) durante o processo de recuperação.

Aproveitamos para indicar que, em toda a documentação que acompanhou a entrega desta ave no CERVAS, não é mencionado o pedido do Sr. José Manuel Gomes Torres em ser informado do destino da mesma. Informamos também que sempre que um animal é devolvido à Natureza, o CERVAS contacta todos os intervenientes no seu processo de recuperação, desde a recolha até ao final do mesmo, informando-os do mesmo, e convidando a estarem presentes no momento de devolução ao seu habitat natural. Para além disso, o CERVAS disponibiliza informação sobre a evolução do processo de recuperação sempre que a mesma é solicitada.

Convidamo-lo a visitar o blog do CERVAS (em http://cervas-aldeia.blogspot.com), bem como do RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Aves Selvagens (em http://rias-aldeia.blogspot.com), outro centro de recuperação, que tal como o CERVAS se encontra sob gestão da Associação ALDEIA. Desmo modo, convidamo-lo também a visitar as instalações do CERVAS, em Gouveia, fazendo-se acompanhar do seu filho, bastando para isso que nos comunique essa intenção de modo a que seja possível combinar uma data conveniente a ambas as partes.

Com os melhores cumprimentos

Pela Equipa do CERVAS
José Póvoa
--
CERVAS - Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens
Apartado 126
6290-909 - Gouveia
Telm: 962714492 / E-mail: cervas.pnse@gmail.com
http://cervas-aldeia.blogspot.com

O CERVAS é uma estrutura que pertence ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) / Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e que se encontra actualmente sob a gestão da Associação ALDEIA (www.aldeia.org) com o apoio da ANA – Aeroportos de Portugal e outros parceiros. O centro tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitates. As linhas de acção do CERVAS são a recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados, o apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto – Portugal www.antidoto-portugal.org, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias científicas.

Donde se conclui que:
- A águia de asa redonda que recuperamos só foi recebida no CERVAS no dia 13 de Junho, seis dias depois de ser recolhida.

- O CERAS de Castelo Branco recebeu a ave no dia 7 de Setembro, tendo esta morrido sensivelmente a 13 de Julho, suponho que já em adiantado estado de putrefacção.

- Nunca fui informado, apesar de ter deixado o contacto (obrigatório) e solicitado várias vezes, do destino da ave. A não ser agora, 3 anos volvidos, quando recebi o primeiro mail referido neste post.

- Se há quem faça um bom trabalho neste campo e mereça o reconhecimento público por ele, também há quem não o faça. Não perdi a oportunidade de dar os meus sinceros parabéns ao CERVAS e felicitá-los pelo trabalho realizado com os mais novos.

Deixo ao critério dos leitores, as conclusões sobre este tema.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Desenquadrado...


Há coisas despropositadas e insólitas.

Uma delas é encontrar pedaços de plástico numa ribeira de trutas.

É tão desenquadrado do meio, como encontrar um urso polar em África.

Nunca irei perceber o que leva as pessoas a atirar lixo para as linhas de água, quando têm contentores do lixo, (já para não falar em ecopontos) certamente bem mais perto!

domingo, 11 de abril de 2010

Vogar Contra a Indiferença

Clique no cartaz para ampliar
Realiza-se no dia 9 de Maio de 2010, um conjunto de acções de mobilização dos cidadãos em defesa do Tejo e do património natural e cultural associado, manifestando igualmente os protestos contra a sobre exploração a que o Tejo se encontra submetido em resultado do aumento dos transvases.

A iniciativa consiste numa descida em canoa que terá o seu início na Barragem de Cedillo, com paragem na margem do Tejo junto da Aldeia de Salavessa, no Concelho de Nisa, e cuja expedição tem como destino as Portas de Ródão, realçando a beleza deste património natural e cultural associado ao rio no domínio da geologia e da biodiversidade, onde culminará num almoço convívio.

Neste momento de convívio irá proceder-se à leitura da Carta Contra a Indiferença onde se evidencia a necessidade de defender o rio Tejo da sobre exploração da água devido aos transvases da água do Tejo para o sul de Espanha, da agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear, como sejam, os riscos de contaminação e poluição do rio Tejo face à eventual extracção de urânio em Nisa, à localização de cemitérios nucleares e à produção de energia nuclear na central nuclear de Almaraz.

Esta actividade é organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo, Associação Salavessa Viva (ASA), Ambiente nas Zonas Uraníferas (AZU), ADENEX - Asociación para la Defensa de la Naturaleza y los Recursos de Extremadura, CerciZimbra - Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Sesimbra, Movimento Urânio em Nisa Não (MUNN) e QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Conta ainda com o apoio institucional da Associação de Estudos do Alto Tejo, da Naturtejo Geopark, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo, da United Photo Press/ 2010 – Ano Internacional da Biodiversidade e dos Municípios de Nisa e de Vila Velha de Ródão e de Nisa.

Está prevista uma mobilização significativa de grupos de cidadãos de ambos os lados da fronteira, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.

Mais pormenores poderão ser encontrados no sítio do Movimento ProTejo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Você sabe mesmo lidar com anzóis? (Parte II)


Para começar a ler este texto pela 1ª parte, CLIQUE AQUI.

Anzol de farpas, vulgarmente utilizado para iscos naturais

Técnica do Avanço, Corte e Retrocesso

Este método exige um alicate de corte, suficientemente robusto e capaz de cortar o aço-carbono dos anzóis, em especial os de maior dimensão. A vantagem deste método de remoção é ser normalmente bem sucedida, mesmo em anzóis grandes.


Depois de cortar a farpa, retirar o anzol, puxando em sentido contrário


A técnica de avanço, corte e retrocesso é mais indicada quando o anzol está próximo da superfície da pele, já no sentido da saída da mesma.
O objectivo é aceder à farpa do anzol – pode ser necessário prosseguir com a penetração! – cortar o anzol após a mesma com o alicate de corte e retirar o anzol no sentido contrário ao da sua entrada.

Em anzóis espetados profundamente pode ser necessário fazer avançar o mesmo para aceder à farpa

Como em todos os métodos referidos, estas operações devem ser efectuadas com destreza e rapidez de forma a diminuir o stress da vítima.

Técnica de Corte e Avanço do Anzol

Relativamente parecida com a técnica anterior, também exige a utilização de um alicate de corte adequado. Neste caso a parte do anzol que se deve cortar é a argola ou patilha de empate, consoante o tipo que o anzol em causa disponha.

Depois do corte, fazer avançar o anzol, puxando-o pela parte já exposta do bico

Este método é particularmente adequado quando o anzol possuiu farpas múltiplas e estas estejam enterradas. Estes anzóis são bastante utilizados na pesca com iscos naturais - vermes, com o objectivo de segurar com mais eficácia o isco o corpo do anzol.
Passa assim por ser o método alternativo ao anterior, empregado quando não é possível retroceder o movimento do anzol, caso as farpas adicionais tenham penetrado na vítima.
Depois de cortado o dispositivo de empate (argola, olhal ou patilha) faz-se avançar o anzol de forma a poder ser retirado, por exemplo, com a ajuda do mesmo alicate, sem no entanto o cortar.

Em caso de penetrações profundas ou anzóis com farpas, não é aconselhável puxar para trás, pelo que esté método é o recomendado

Conclusão

Estas intervenções, apesar da aparente facilidade de execução, não são fáceis de realizar. Os intervenientes devem estar conscientes de que há necessidade de algum à-vontade e até algum sangue-frio, para que sejam bem sucedidas. Recorrer aos cuidados dos profissionais de saúde deve por isso ser – reforço a ideia – obrigatório sempre que nos assalte qualquer dúvida de como proceder ou se a vítima não apresentar serenidade que permita que qualquer uma destas técnicas seja realizada no local onde ocorreu.

É que pode até acontecer em casa, quando preparamos baixadas, estralhos, terminais ou substituímos anzóis triplos e afins!

Recomendações

Tipos de anzol
Existem inúmeros tipos de anzóis, concebidos para as mais diversas modalidades de pesca. O seu formato deve ser considerado, quando precisamos de os remover de um local em que se espetou acidentalmente.



Os anzóis triplos
No caso de anzóis triplos e múltiplas penetrações, a tarefa poderá ficar mais facilitada se separar cada anzol espetado, retirando-os um a um e utilizando depois a técnica mais adequada a cada um. No entanto, se estiver apenas um dos anzóis envolvido, poderá ser mais fácil manusear o conjunto, se utilizar as técnicas da linha de pesca e do avanço, corte e retrocesso. Ainda assim, vale a pena eliminar os bicos e farpas dos restantes que não estejam cravados, evitando assim novas picadas acidentais, quer ao paciente quer a quem o tenta ajudar.

O anzol triplo deve merecer uma atenção especial

Kit de emergência

Por uma questão de precaução, tenho no meu barco, aquilo que considero o Kit de Emergência para estas ocasiões:
- Um alicate de corte - capaz de decepar anzóis 5/0 de mar, um spray anestesiante, bisturis em embalagens individuais esterilizadas, algumas comprensas, soro fisiológico para limpeza de feridas, desinfectante tipo Betadine, algodão em rama e pensos de vários tamanhos.
Considere que o gelo ou os acumuladores térmicos de frio da nossa geleira, quando disponíveis, podem servir em caso de necessidade, como um anestesiante de recurso.

Kit de emergência para anzóis espetados acidentalmente


Cuidados adicionais
Normalmente, nestes casos em que procedemos à remoção dum anzol, não é necessário recorrer à administração de antibióticos, mas como sabemos, qualquer cidadão deve ter a vacinação anti-tetânica em dia, que recordo, deve ser administrada de dez em dez anos, até ao fim das nossas vidas.
Ainda assim, depois de qualquer intervenção deste género, deve-se quanto antes proceder à desinfecção do ferimento com qualquer produto do género Betadine, mantendo a terapêutica e os necessários cuidados de verificação até à cicatrização da ferida.


Texto da minha autoria e publicado na revista Mundo da Pesca, Especial Mar 2009

domingo, 21 de março de 2010

Cenários truteiros

Cada uma das pescas que fazemos tem pelo menos um factor diferente das restantes.
No caso da pesca às trutas, o que mais me fascina é o cenário em que se desenrola.
A água fria e cristalina, as quedas de água, a mística das manhãs de nevoeiro e frio, são elementos que dominam a paisagem e nos envolvem, obrigando-nos a pertencer a ela.
A pesca decorre num meio líquido que está em constante movimento.
Nós próprios estamos em constante movimento também, tentando as trutas aqui, ali e acolá. Elas próprias, estão de igual forma em permanente movimento e quando não são enganadas pelo pescador denunciam-se apenas com suas silhuetas, tal como relâmpagos escuros, que ficamos na dúvida se vimos acontecer.

Aqui ficam algumas das primeiras fotos deste ano, sem comentários, só para observar...







terça-feira, 16 de março de 2010

A Catch Magazine


Uma das revistas electrónicas ou e-zines, que me dá particular gozo visitar na Web, da qual sou subscritor e me identifico bastante, é a Catch Magazine, que conta já com décima edição saída neste mês de Março. Inteiramente gratuita, conta com a participações de variados correspondentes de várias partes do globo que têm em comum duas grandes paixões, que também eu tenho: a pesca à mosca e a imagem, seja em fotografia ou filme. Esta mescla de actividades dá origem a um espaço de soberbas fotos e vídeos de pesca, como não conheço em mais lugar algum, quer na web quer em papel impresso.
A espectacularidade das imagens que aqui encontramos, em que muito raramente se observa mais que um peixe capturado, é de facto um enorme contraste com algumas imagens que encontramos em diversos espaços pessoais de pesca, na net. Não percebo as fotografias de alcofas abarrotar e serapilheiras com peixes perfilados pela direita, como se estivessem em parada militar, na presença do pescador que empunha a cana, em pose de matador… Será que precisam de provar alguma coisa a alguém?
A Catch Magazine auto-intitula-se como o jornal oficial da pesca à pluma, fotografia e filme e apresenta-nos em cada número, vários cenários de pesca e alguns vídeos com possibilidade de visualização em HD - Alta Definição. Neste modo, convém que o acesso à net, seja com uma ligação ADSL de razoável velocidade para evitar paragens durante o visionamento do filme.
Por isso, recomendado! Para acesso directo clique aqui.

terça-feira, 9 de março de 2010

Você sabe mesmo lidar com anzóis? (Parte I)

Embora escrito de forma simples, este texto é baseado no documento “Fishhook Removal” dos americanos Matthew Gammons, M.D. e Eduard Jackson, M.D., docentes do Michigan State University College of Human Medicine, East Lansing, Michigan. No entanto, sofreu algumas adaptações e opiniões da minha parte, fruto de 30 anos a mexer em anzóis, de vários tamanhos e feitios.

Embora não sejam muito frequentes os acidentes pessoais envolvendo anzóis, quando acontecem, devemos estar preparados para lidar com eles. A maioria destes ferimentos não é grave e pode até ser tratado no local onde ocorre. Apesar disso, todos os episódios envolvendo anzóis cravados em pessoas, exigem uma avaliação cuidadosa do sítio onde o anzol se encontra, antes de tentar a sua remoção.

Se o traumatismo ocorreu na região ocular, por motivos óbvios nunca deve ser tentada a remoção do anzol. A vítima deve ser de imediato transportada ao hospital e observada por um especialista, removendo-se apenas tudo o que for possível das imediações do anzol e que eventualmente a ele esteja ligado, como a linha, a amostra, os chumbos ou até eventualmente peixes... Se tal não for possível devem tentar imobilizar-se estes acessórios, para que não perturbem ainda mais a vítima.

Por outro lado, sempre que alguma situação nos suscite a mais pequena dúvida relativamente à possibilidade de executar estas operações de forma segura, o paciente deve ser sempre levado ao hospital, onde outros meios de tratamento, como os anestésicos, a pequena cirurgia ou outros meios de diagnóstico como o raio-X, podem proporcionar uma melhor resolução do problema, com os ideais cuidados médicos.


Diversos tipos de anzóis

Em qualquer situação, o primeiro passo é sempre avaliar o estado do paciente, colocá-lo numa posição confortável tanto quanto possível e sobretudo acalmá-lo. De seguida deveremos examinar o local do ferimento provocado pelo anzol e decidir em função do local e tipo de tecido envolvido, se é possível a sua remoção ou se será melhor encaminhar a vítima para o hospital.
No caso de considerarmos ser possível a sua remoção sem recorrer ao hospital, em função do tipo de anzol, - se é simples, com farpas múltiplas ou triplo, devemos escolher qual o método ou métodos a usar para a sua remoção.

As técnicas
As técnicas mais comuns de remoção de anzóis no local de pesca dependem fundamentalmente do tipo de anzol envolvido, da profundidade da penetração no tecido e do local/tipo de tecido.
Assim, estão identificadas quatro técnicas básicas, que depois de conhecidas, nos podem ajudar a resolver um incidente envolvendo anzóis e pessoas, que poderão até nem ser pescadoras:

1 - Técnica do retrocesso, em que o anzol é simplesmente puxado para fora.
2 - Técnica da linha de pesca, com o objectivo de anular a barbela.
3 - Técnica de Avanço, Corte e Retrocesso do anzol.
4 - Técnica de Corte e Avanço do anzol

1 - Técnica do retrocesso, anzol puxado para fora.

A técnica do retrocesso é método mais simples, mais lógico e mais fácil de executar, mas o menos bem sucedido na remoção e sobretudo mais doloroso devido à actuação da farpa nos tecidos. Por outro lado não cria ferimentos adicionais, como outros métodos originados pela remoção. Funciona bem para os anzóis com farpas simples e pequenas, espetados superficialmente.


Apertar lateralmente e fazer sair o bico do anzol na direcção oposta, empurrando a zona do empate para baixo

Durante a execução desta operação deve ser aplicada uma ligeira pressão à pata do anzol de maneira a que a farpa desencoste do tecido, enquanto se comprime lateralmente a região lesionada. Desta forma pretende-se ovalizar o caminho aberto pelo anzol e pela farpa, mas que agora irá ser percorrido em sentido contrário, criando assim espaço um pouco mais livre, para a farpa se deslocar com o mínimo de estragos. Quantas vezes já fizemos algo parecido com isto, quando inadvertidamente um anzol se espetou na nossa roupa?
No caso de um anzol de pequenas dimensões em que é difícil pegar, podemos prender um pedaço de fio de pesca à curvatura do mesmo, de forma a poder puxar com mais firmeza.



Puxar na direcção oposta. Com anzóis pequenos, pode-se usar um pedaço de fio para atar na curvatura

A remoção deve ser decidida mas cuidadosa, sendo conveniente um prévio cálculo mental da manobra. Se for detectada alguma resistência durante a remoção e esta estiver a decorrer numa região em que possam existir tendões, a intervenção deverá ser interrompida de imediato e considerado recurso a outra técnica ou mesmo intervenção hospitalar.

Este método deve ser utilizado com precauções adicionais se o anzol de encontrar localizado em determinados pontos críticos, por motivos óbvios. Assim, no caso dos lóbulos das orelhas, extremidade do nariz ou qualquer outra parte do corpo mais sensível e que não esteja solidamente fixa ao corpo, poderão em situações limite, ocorrer lesões adicionais se o anzol for grande e puxado com demasiada impetuosidade. Quando se utiliza esta técnica na variante auxiliada por um pedaço de linha de pesca para facilitar a tracção do anzol, deve ter-se o cuidado de alertar os presentes para a possibilidade deste sair de forma brusca, podendo em casos extremos, ferir alguém mais desprevenido.
Segundo os especialistas, esta técnica é a menos invasiva porque produz menos traumatismos nos tecidos para além dos que já existem e pode ser usada mesmo sem qualquer ferramenta adicional que facilite a remoção de anzóis.

2 - Técnica da linha de pesca, para anular a barbela.
Esta técnica é utilizada em ocorrências em que anzol possui a farpa exposta ou quando se encontra quase nessa condição. Se estivermos em presença da última hipótese, há necessidade de prosseguir com a penetração – tarefa que não é facilmente exequível por pessoas mais impressionáveis, de maneira a que esta fique efectivamente exposta. É um método adequado em zonas de pele e/ou músculo e que não deve ser utilizado em locais delicados e/ou com tendões ou nervos de qualquer espécie.


Depois de colocar a laçada de nylon, puxar o anzol para trás, retirando depois o nylon

Com a farpa exposta deve cortar-se um pouco de linha de pesca – nylon de preferência, de diâmetro aproximado ao tamanho do relevo da barbela. De seguida e dobrando a linha precisamente no local da barbela deve proceder-se à remoção do anzol, puxando no sentido contrário ao da penetração.

O objectivo é que o nylon dobrado na farpa, anule o efeito desta. Depois do anzol afastado, retira-se rapidamente o nylon em sentido contrário. Já vi o recurso a esta técnica pelo pescador profissional americano Hank Parker. Enquanto rodava um vídeo de pesca ao achigã, acidentalmente espetou um anzol num braço, aproveitando para fazer esta demonstração, que certamente não estava prevista no guião do filme. A gravação prosseguiu, enquanto ele removeu o anzol com algum à-vontade, retomando a pesca logo após este percalço!

Esta técnica é a indicada se não possuirmos no local qualquer ferramenta capaz de cortar o anzol e remover a farpa. Se tal for possível – cortar o anzol pela farpa, é preferível o recurso à técnica seguinte.
(Continua...)

Texto da minha autoria e publicado na revista Mundo da Pesca, Especial Mar 2009

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pesca por Solidariedade

Clicar no cartaz para ampliar

A Vala do Ruivo em Vila Franca de Xira, vai ser palco no próximo dia 18 de Abril, de um evento muito especial: uma JORNADA DE PESCA DE SOLIDARIEDADE para com o Dinis Rosa, um menino de apenas dois anos que sofre de duas doenças raríssimas e muito sérias: Leucoencefalopatia com calcificações e quistos cerebrais associado a síndrome de COATS.

Esta condição é tão rara, na história da medicina a nível mundial, que não existe investigação médica suficiente para dar o necessário apoio aos pais do Dinis, confrontados com grandes dificuldades para fazer face aos tratamentos.

A prova de pesca tem a concentração marcada para as 06h30 no restaurante da Associação de Cultura, Recreio e Desporto de A-dos-Bispos, em Vila Franca de Xira e decorre entre as 9 e as 13 horas, com a participação (limitada a 130 pescadores) a custar 15 "carpas" (para seniores) ou 20 "carpas" (para equipas).
As inscrições estão disponíveis até às 22h de dia 16 pelos tel. 964 922 222, 965 070 425, 961 511 780, 968 939 105 ou 966 502 006; e ainda pelo tel. e fax 263 275 899.

Os prémios são às dezenas, mas o mais importante é, claro, participar para ajudar este jovem lutador e os seus pais, Sofia e Paulo.
Quem quiser saber mais sobre o Dinis Rosa pode visitar o site http://www.dinis.webnode.com/.
Ofertas e donativos estão disponíveis por estes meios:
Banco: BPN * NIB: 0079 0000 3647 1370 10 146
N.º de Conta: 36471370.10.001
IBAN: PT50 0079 0000 36471370 10 146 Código SWIFT: BPNPPTPLPT50

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MoraPesca 2010


A VIII edição da MoraPesca vai decorrer de 19 e 21 de Fevereiro e espera receber este ano cerca de 25 mil visitantes.
Estarão presentes cerca de 30 expositores e concentra no mesmo espaço, as principais empresas de pesca, agentes do sector e as mais recentes tecnologias ligadas a este desporto.
O certame é inaugurado oficialmente na tarde do dia 19, sexta-feira pelas 17H30, sendo o encerramento no Domingo às 19H00.
Como é hábito, as entradas são gratuitas.

Programa
Sexta, 19 Fevereiro
17h30 - Cerimónia de Abertura da VIII MoraPesca
no Auditório Municipal.
18h00 - Inauguração da VIII MoraPesca
no Pavilhão de Exposições
22h30 - Encerramento do recinto da Exposição

Sábado, 20 Fevereiro
09h00 - VI Meeting da Juventude Prova de ensino destinada a Jovens Pescadores na Pista de Pesca de Mora.
10h00 - Abertura da VIII MoraPesca
12h00 - Demonstração de Pesca no recinto da feira - apoio APPA
14h00 - Demonstração de Pesca no recinto da feira - apoio APPA
14h30 - Entrega de prémios do VI Meeting da Juventude no Auditório Municipal
15h00 - Seminário - Pesca Desportiva - Rio, “Perspectivar o futuro”.
(organização - Federação Portuguesa de Pesca Desportiva)
22h00 - Encerramento do recinto da Exposição

Domingo, 21 Fevereiro
09h00 - Início da Prova de Pesca na Concessão de Pesca do Raia (Mora e Cabeção)
10h00 - Abertura da VIII MoraPesca
11h30 - Demonstração da Pesca ao Achigã (APPA) no recinto da Feira - apoio APPA
12h00 - Festa dos Campeões da APPA / 2009 - Auditório Municipal - apoio APPA
14h30 - Demonstração da Pesca ao Achigã (APPA) no recinto da Feira - apoio APPA
15h00 - Entrega de Prémios Anuais da 1ª A.R.P.D.R. - Auditório Municipal
16h30 - Entrega de prémios da Prova de Pesca - Auditório Municipal
19h00 - Encerramento da VIII MoraPesca

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cenas de carpas à pluma

Como sabemos, há muitas maneiras de apanhar peixe.
Aqui ficam mais algumas cenas de pesca de carpas à pluma, ou como fazer saltar um peixe que habitualmente não salta quando ferrado… excepto quando pescado à pluma…

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A maior mentira do Mundo


Pessoalmente nunca gostei de ser enganado e sinto-me particularmente incomodado quando uma mentira é a nível planetário. Naturalmente, por detrás de uma grande mentira, há sempre um elevado número de mentirosos que a sustêm, com objectivos vários e em boa parte obscuros. Quando “cientistas”, de forma deliberada manipularam os resultados das suas pesquisas, e profetizem que a o Mundo acabe num deserto já neste século, o que podemos esperar mais?
O caso concreto e que considero “A maior mentira do Mundo” passa tão-somente e apenas por um tema que todos os dias ouvimos falar na comunicação social: A questão do Aquecimento Global.
De facto, esta teoria que nos vem sido administrada quase todos os dias é uma falácia das grandes. Vários factos desmontam com inúmeras provas esta especulação. Mas nada melhor que ver um documentário sobre o tema, produzido pela cadeia britânica de TV “Channel 4”. Outros há, e afinal há muitos na internet, basta uma simples busca.
Eu bem que não andava a entender os nevões dos últimos anos quase em todo o país em geral e em toda a Europa em particular. Nos últimos dias a Alemanha esteve completamente imobilizada pela neve e gelo, como já não acontecia há muito. Será pelo facto de afinal, desde 1998 que as temperaturas médias do planeta estão a diminuir?
O documentário é longo, mas só prova que foi um trabalho alicerçado na realidade e não na ficção.


















terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

“Virar” um carreto de pluma


Por vezes, quando compramos um carreto de pesca à pluma, verificamos que este vem preparado para ser utilizado com a manivela para o lado direito. Em especial se vier dos Estados Unidos ou de Inglaterra, porque por esses lados pesca-se muito manivelando à direita.

E como sabemos, se está preparado para a esquerda ou para a direita?
É simples: pegando no carreto com a manivela para a esquerda, como habitualmente faz a esmagadora maioria dos pescadores portugueses, aperta-se um pouco a embraigem e manivela-se para enrolar fio. Se sentimos algum esforço ao manivelar, e para desenrolar a bobina esta roda solta, está “ao contrário”. Ou seja, para mãos direitas. Por outro lado, se ao enrolar, a bobina não oferecer resistência, e em sentido contrário se sentir resistência, está tudo bem e pode dar utilidade à nova máquina. Note-se que a resistência se deve à fricção da embraiagem.

“Virar” o carreto é normalmente bastante simples e passa sobretudo por inverter o sentido de algumas peças e na maioria dos casos apenas uma: o rolamento do anti-retrocesso, como é o caso apresentado.

Tirar a bobina e despertar a fixação do rolamento do anti-retrocesso.


Tirar o rolamento do anti-retrocesso, virá-lo 180 graus, colocando-o no mesmo local. Podemos aproveitar e lubrificar o dito rolamento com um pouco de óleo ou massa lubrificante fina.

Apertar a fixação do rolamento do anti-retrocesso. Instalar a bobina e no carreto, dando por concluída a operação.

Como disse, noutro tipo de carretos é possível que este procedimento envolva mais peças, mas o objectivo principal é de um modo geral, desmontar, mudar de posição no mesmo local e montar.
A maioria dos casos esta tarefa é intuitiva e nem requer ferramenta, pelo que trata-se de mais um assunto de bricolage de pesca!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lisboa Boat Show e Sport Show 2010



Transformou-se em duas Feiras: A Lisboa Boat Show e a Sport Show.

Outra das grandes mudanças foi a presença de importadores e comerciantes de marcas de pesca que decidiram também eles apostar na nova Feira. Este ano podemos lá encontrar a Vega, Amorim & Dias, Mar Peche, Barros Fishing e a Probass e Mar que irão partilhar um stand circular.

Novidade também são as três provas de pesca que irão decorrer durante a Feira: Bóia na pista de Coruche, pesca à bóia no mar, em Oeiras e embarcada ao achigã na barragem do Pego do Altar. A prova de pesca embarcada ao achigã designada por Bass Eurocup, acontece nos dias 5 e 6 de Fevereiro será nos moldes em que decorreram as edições do Eurobass Cup em Valladolid, em que estão em confronto uma equipa norte-americana e outra europeia. Cada dupla de pescadores é constituída por um pescador europeu e um norte-americano que partilham o mesmo barco. Cada um destes pescadores pesca para a sua equipa e troca periodicamente de posição no comando da embarcação. A pesagem será no recinto da FIL em Lisboa em cada um dos dias, às 19H30.

Falta referir o verdadeiro motor de toda esta dinâmica em torno da náutica e da pesca desportiva, o Sr. Javier Galiana, amigo de longa data e pescador. Sem ele, certamente as coisas não eram da mesma maneira.

Datas
De 3 a 7 Fevereiro 2010

Horário
3 a 5 Fevereiro - 15H00 / 23H00
Sádabo, 6 Fevereiro - 10H00 / 23H00
Domingo, 7 Fevereiro - 10H00 / 20H00


Preços das entradas:
Até 10 anos – Grátis
Dos 11 aos 14 – 3€
Adultos – 6€