
Este verão, numa fugida de fim-de-semana até à albufeira do Cabril, tive a surpresa de bater o meu recorde pessoal do maior peixe pescado em todas as águas.
Mais uma vez, numa amostra destinada aos achigãs, ferro um peixe que me deixou a cana apontada para a água e o fio a sair furiosamente do carreto.
Mais uma briga de dá e recupera linha, até que o peixe já no final da luta decide dar a última corrida junto à margem, em águas particularmente baixas e com bastantes arbustos submersos.
- Vai-se prender nos paus e vai partir… disse já a antecipar o final da contenda.
-Pode ser que não, responde o meu filho.
- Pronto, já está! Digo logo de seguida.
De facto o peixe em fuga consegui que a linha passasse num arbusto e que continuasse a levar linha do carreto, mas com esta a entrar na água sempre no mesmo sítio.
- Vou afrouxar um pouco, pode ser que solte ou que o peixe volte para trás e a linha saia dos paus…acrescento, com pouca convicção.
Não resultou. Agora o peixe parecia já imóvel, porque a linha continuava estática, a entrar na água no mesmo local.
Nisto, o meu filho olha para o lado esquerdo e diz:
- Olha, o peixe está ali ao cima de água… De facto, embora a linha continuasse a entrar na água no mesmo local, o peixe estava exausto à tona de água, a cerca de quinze metros à nossa esquerda.
- Pronto, então segura aqui a cana, que eu vou tentar soltar a linha dos paus. Quando te fizer sinal, é porque está livre e recolhes rapidamente, para que o peixe não se solte por o fio estar frouxo.
Passo-lhe a cana, e salto do barco para as límpidas águas do Cabril. Segurando a linha para me guiar, facilmente chego ao pequeno pauzinho onde a linha passa. Percebo que a sua passagem fez um vinco na madeira amolecida, - por estar à tantos anos submersa e solto a linha que de imediato fica bamba.
- Recupera, rápido!
Ele assim faz, até a linha ficar esticada e o peixe começar a ser trazido lentamente até nós.
- Vá, acaba de a tirar porque o peixe é teu, diz ele.
- Deixa-te de coisas, este foi a meias!
Já no barco e com a cana na mão, ele armou rapidamente o camaroeiro que mergulha por baixo do peixe que é finalmente assim trazido a bordo, depois desta pequena peripécia…
Esta carpa acusou na nossa balança digital 8,700Kg, tornando-se assim o maior peixe de qualquer género que já pesquei, destronando o
barbo de 7200Kg que também se interessou por um isco dos achigãs. E o
fio Gamma 0,30 resistiu a todas estas torturas de forma heróica, sim senhor…
É o meu recorde, mas resta acrescentar, a meias com o meu filho…
Obviamente, depois de pesada, foi devolvida às águas da albufeira.