"Se as várias estimativas que temos recebido se concretizarem, em 40 anos ficaremos sem peixe"

- Pavan Sukhdev, economista e consultor da ONU, sobre o eventual esgotamento dos recursos piscícolas a nível mundial, em 2050 (In Visão 20/26 Maio 2010)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

- Achigã... praga? Onde...?


- Clique nas imagens para aumentar o tamanho -
- A propósito de um texto publicado na revista Nova Gente, sobre Ambiente e espécies invasoras, enviei ao Sr. Director da revista em causa, o seguinte e- mail " aberto":
Exmo. Sr. Director da Revista Nova Gente,
Encontrava-me a desfolhar a vossa revista nº1647 de 07 a 13 de Abril, quando deparo na secção intitulada “Ambiente – Há invasores em Portugal”, considerações sobre algumas espécies denominadas por “invasoras” e onde é referido um peixe, designado por “achigã”.
Se por um lado não surpreende, porque não se espera rigor científico no género de texto e revista, já a imensidade de disparates, especificamente sobre este “invasor de Portugal” em tão pequeno espaço, é de salientar. Não fosse o caso, nem estaria incomodar V. Excelência…
Efectivamente quem lê a peça, fica com a ideia que este peixe foi trazido ilegalmente, dentro de uma garrafa de litro e meio de água, para depois ser libertado à noite e sem que ninguém veja, “trazido pelo comércio e criadores, à boleia em barcos e aviões”.
Para que conste, o achigã foi estudado previamente, trazido, aclimatado e repovoado pelo Instituto Florestal, organismo da Direcção Geral de Florestas, no início dos anos 50 do século passado – há mais de 50 anos, portanto. Foi, porque a construção de grandes barragens ocorridas em Portugal na ocasião, provocou as consequentes alterações de habitat nos meios onde ocorreram.
De um rio de água correntes surgiu um novo ecossistema, completamente diferente, facto que só por si criou novas condições para, por um lado potenciar o desenvolvimento de umas espécies e ao mesmo tempo, minimizar a presença de outras.
Mas foi o Homem que provocou essa alteração, não o achigã, que fique bem claro!
Esta espécie nunca pode ser uma praga - como aliás se verifica na realidade, porque é canibal ou seja, pode controlar-se a ela própria. Além disso e ao contrário do referido, o achigã tem um predador e o pior de todos: O Homem que o persegue, captura ilegalmente nos períodos de defeso devido à insípida fiscalização e o comercializa nos restaurantes, algumas vezes de forma ilegal.
Adianto-lhe ainda que este peixe foi introduzido em mais de quarenta países do mundo, devido justamente à sua mais valia a todos os níveis: Limita o crescimento anormal de populações doutras espécies – algumas sem qualquer tipo de interesse, (estas sim, são pragas), origina aquilo que passou a chamar-se “Actividades de Natureza” e é mais recurso alimentar para as populações do interior. Além disso, auxilia o desenvolvimento regional, como por exemplo no sector de serviços e alojamento para os pescadores desportivos e familiares, comércio de artigos de pesca, ajudando a conter a fuga para os grandes centros urbanos, de onde normalmente vêm este género de textos e opiniões completamente alienadas da realidade.
É aliás recorrente, a origem desta desinformação: Os grupos pseudo-ecologistas, no seu puro fundamentalismo exacerbado, mais preocupados com os mitos que eles próprios criam para sua auto-promoção nos média, enquanto ignoram e fazem ”vista grossa” à realidade das gentes do interior, que lidam directamente com a Natureza.
No entanto, esquecem-se ou omitem a importância de outras espécies “invasoras” no seu próprio bem-estar, como a batata e o milho, só para dar dois rápidos exemplos. Aliás, é a incoerência o principal motivo porque já ninguém os leva a sério e são frequentemente alvo de chacota da população…
Catalogar o mosquito de transmissão do dengue da mesma maneira que o achigã, tal como tal se observa no texto, não tem qualquer comentário que me pareça “escrevível” num nível de linguagem que quero manter…
Para terminar, gostaria de acrescentar que a espécie referida no texto, bem como a imagem apresentada – o Micropterus dolomieu, nem sequer existe em Portugal. A espécie que existe entre nós, bem como nos restantes países onde se entendeu a importância deste peixe, é o Micropterus salmoides, bastante diferente do apresentado.
Aceite o meu e-mail como um desabafo e não como um direito de resposta:
- É que começa a ser preocupante a constante intoxicação da opinião pública sempre pelos mesmos grupos de pessoas, com disparates inclassificáveis…
Atentamente,
José Gomes Torres

sábado, 5 de abril de 2008

A lucioperca


A lucioperca, com o nome científico Stizostedion lucioperca, é uma espécie relativamente recente nas nossas águas. Fisicamente é bastante esguia e acastanha escura na zona lombar, e esbranquiçada na ventral. Possuir uma boca grande, dois grandes dentes caninos em cada maxilar e uma cauda proporcionalmente grande, bem como as barbatanas dorsais, o que indicia grande facilidade em desferir ataques às suas potencias presas.
É originária da Europa de Leste: regiões dos mares Negro, Báltico e Aral, zona dos Urais e rio Volga. Prefere zonas de águas frias, limpas e oxigenadas, embora se mostre uma verdadeira adaptada a todas as que não reúnem estas exigentes condições, como são a generalidade as albufeiras portuguesas onde tem surgido.
Desova na Primavera, ou logo que a temperatura atinja valores entre os 7 e os 12 ºC. Os ovos com cerca de 1,5mm são colocados na vegetação ou directamente no substrato do fundo.
O crescimento da lucioperca é bastante rápido, segundo estudos efectuados no rio Volga. No primeiro ano de vida podem atingir mais de 500 gramas para um tamanho de 34 centímetros e após os sete de idade, ultrapassar 4,800 Kg para o tamanho de 68 centímetros. Noutras regiões da Europa onde foi introduzida, são frequentemente capturados exemplares que ultrapassam os 10 quilos de peso, dependendo das condições de disponibilidade de alimento.
Em Portugal existe já nos rios Douro, Tejo e Guadiana e em algumas albufeiras dos seus afluentes, mas encontra-se em franca expansão por outras mais afastadas destes rios internacionais.
Não sendo um peixe com particular interesse desportivo é um predador voraz para as nossas espécies autóctones – maioritariamente peixes de pequeno porte: bogas, barbos, e escalos, - pelo que seria desejável sempre tentar conter a todo o custo, toda e qualquer introdução desta espécie, em toda e qualquer massa de água.
Infelizmente, quando se pescam os primeiros exemplares, já toda a massa de água está repovoada. Isto porque apenas procuram alimento nas camadas mais superficiais onde vulgarmente circulam as nossas amostras, quando de todo não se consegue alimentar em profundidade ou quando sobe para zonas mais baixas para a reprodução. Desportivamente, pesca-se com todo o tipo iscos que trabalhem em camadas mais profundas e imitem as suas presas habituais.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Não destruas as tuas PlayStation´s...

Mais um pequeno filme sobre a libertação das nossas espécies mais desportivas, mais perseguidas e sobretudo, mais necessitadas de protecção.
Aqui fica o meu contributo, com a colaboração do meu filho Zé Pedro e claro está, desta preciosa truta.
Protejam, para que se possa continuar a brincadeira da pesca durante muito tempo!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Caça e Pesca na TV Cabo



A ZON Multimedia vai passar a emitir a partir de hoje, um canal dedicado aos amantes da caça, pesca e natureza, na grelha de canais Premium da TV Cabo.
O Caça e Pesca é um canal com uma programação diversificada, sobre o mundo da Caça e Pesca que se praticam na Península Ibérica, dirigido tanto a apaixonados como ao público em geral.
Desde hoje e até 30 de Abril, o Canal Caça e Pesca, será emitido em sinal aberto para todos os Clientes com power box, excepto Clientes Selecção da rede Cabo.
Para mais informações, deverá ser consultado o site da ZON, no espaço dedicado a este assunto.

domingo, 30 de março de 2008

Trutas à chuva


Qualquer pessoa de bom senso, hoje não sairia da cama para ir pescar.
O céu cinzento-escuro, o vento desagradável e a preguiça, não eram bons conselheiros, para um dia de trutas, porque seria lidar directamente com água por cima e por baixo.
Mas como teimosos, ou como agora se diz, persistentes, lá fomos pescar numa ribeira que não visitávamos há mais de três anos.


Para nosso contentamento, a água continua cristalina e pura, porque felizmente não tem nenhuma dessas modernas ETAR´s para a contaminar, com toda a espécie de porcaria que nós humanos, fazemos.
Pescamos umas quantas, pequenas, mas atrevidas e endiabradas, debaixo de uma tempestade de vento e chuva que tendeu a desaparecer para o final da manhã.
Ficou prometida uma próxima visita, desta vez à pluma, embora todas aquelas árvores da ribeira já se estejam a preparar para a decoração da próxima quadra natalícia e ainda faltam uns meses largos…

quinta-feira, 27 de março de 2008

Novo monstro marinho identificado


Foi recentemente encontrado numa mina no Canadá, a cerca de 60 metros de profundidade, um fóssil marinho particularmente bem preservado.
Segundo os paleontólogos, este animal com cerca de 2,60 metros de comprimento e nitidamente adaptado ao meio aquático, viveu no período Cretácico entre 205 e 65 milhões de anos atrás e pertence à família dos Plesiosauros, que abandonaram os oceanos para se tornarem carnívoros terrestres.
É particularmente interessante o facto de este fóssil apresentar algumas semelhanças com as tartarugas marinhas, nomeadamente os meios de locomoção, bem como o pescoço alongado semelhante ao actuais e bem conhecidos lagartos.
Notícia completa na Nathional Geographic.

terça-feira, 25 de março de 2008

Trutas à mosca



A truta comum é o peixe autóctone mais selvagem, desconfiado e lutador das nossas águas interiores. Em início de temporada, vale a pena espreitar a forma de as tentar, que mais tradição tem por esse mundo fora...
Pegar num pequeníssimo anzol nº 18, num monte de penas de aves e fazer uma montagem que consiga convencer uma truta que está a ver um insecto... é obra! É realmente o que se passa quando pescamos à pluma ou vulgarmente dito, “à mosca”.
Esta é uma pesca realmente diferente em todos os aspectos e para muitos o máximo estado de graça que alguém pode atingir na pesca de trutas. No entanto, é virtualmente possível pescar qualquer tipo de peixe com esta técnica e com as devidas adaptações: barbos, carpas, bogas, achigãs, lúcios e no mar as tainhas, cavalas, agulhas, carapaus, atuns, robalos, anchovas, etc…
As canas para pescar trutas possuem entre sete e nove pés ou seja respectivamente dois metros e dez e dois metros e setenta. São bastante finas e flexíveis, existindo no entanto de vários tipos de acção. Os passadores do fio são reduzidos à mínima expressão, um pequeno pedaço de arame retorcido e aplicado na cana. O punho obrigatoriamente de cortiça, tem no extremo oposto ao da cana, o porta carretos.
Os carretos são mais um elemento de extrema simplicidade. Não possuem desmultiplicação e alguns, nem sequer embraiagem. Pretende-se o máximo de leveza e funcionalidade, servindo apenas de armazém para as trinta jardas de fio, cerca de vinte e sete metros, tamanho normalizado para esta pesca.
O fio especial e conhecido por cauda de rato é o verdadeiro responsável por projectar os iscos praticamente sem peso, a uma ou duas dezenas de metros. Este fio que pode ser de vários tipos tendo em conta a distância e o tipo de pesca, possui acoplado baixo de linha, onde se liga o isco e é constituído por um fio de nylon de diâmetro decrescente, cujo papel é o de manter a transmissão da energia do fio até ao isco e proporcionar uma apresentação mais discreta, permitindo um poisar suave e natural da pluma.
As os iscos representando insectos que vivem no rio e que servem de alimento às trutas que aí habitam, são normalmente imitados com minuciosas e pacientes montagens efectuadas com penas de uma infinidade de aves, pêlos de animais, ráfia, nylon, fio de cobre e/ou chumbo e cada vez mais materiais sintéticos.

Em cima, imitação de ninfa de tricóptero e em baixo, o mesmo insecto na fase alada

Fazem parte do dialecto de montagem: orelha de lebre, rabo de pato (cul de cannard ou CDC), pescoço de galo, pena de cauda de faisão, fios de lã, pena de pavão, linha de seda, pena de marabu, etc., uma verdadeira macedónia de matérias primas, que passo a passo, dão origem á imitação quase perfeita do insecto que irá trair a truta.
Lançar a uma distância suficiente longa para que a trutas não nos detectem, num rio de águas límpidas, com um isco sem peso, não se afigura à partida tarefa muito fácil. O papel principal de impulsionador deste isco artificial até ao local desejado, pertence à cauda de rato. Este fio deve estar em perfeita harmonia com a cana, sendo também esta elemento importante no desempenho do lançamento. Por exemplo, para uma cana número cinco (#5) é de todo recomendável que se use uma linha cinco, sob o risco de o conjunto não funcionar optimizado.
Assim, este lançamento é efectuado à custa do peso da cauda de rato que se faz voar em falsos lançamentos que permitem o distender da linha, antes da finalização, em que todo o conjunto cai suavemente na água. Esta técnica exige algum treino que convém ser feito junto à água e num espaço desprovido de obstáculos nas proximidades. O melhor para o principiante é descobrir alguém que o auxilie nos primeiros passos, tornando-se depois o progresso muito mais fácil.
Lançar bem, é pois a verdadeira essência da pesca à pluma, como referiu um dos mestres desta apaixonante modalidade!

Texto da minha autoria, publicado no Correio da Manhã de 17 de Março de 2002

quinta-feira, 20 de março de 2008

O ruivaco

Rio da Areia

O nosso ruivaco

Este pequeno peixe, normalmente conhecido por ruivaco dá pelo nome cientifico de Rutilus macrolepidotus embora recentemente o seu nome tenha sido alterado para Chondrostoma oligolepis. Trata-se de uma espécie residente sendo um endemismo lusitânico - só existe em Portugal. Possui actualmente um estatuto de conservação pouco preocupante.
Como já referido, ocorre apenas no nosso país e nas regiões biogeográficas Mediterrânica e Atlântica.
O conhecimento sobre a distribuição desta espécie é escasso, por ser difícil de distinguir da sua congénere C. arcasii.
A sua ocorrência está confirmada nas Bacias do Douro, Entre Douro e Vouga, Vouga, Mondego, Liz, Ribeiras do Oeste e Tejo. Ocorrência possível nas bacias do Âncora, Lima, Neiva, Cávado, Ave e Leça.
Habita geralmente águas de pouca profundidade e é resistente à falta de oxigénio É uma espécie que não é habitual em albufeiras.
A alimentação é baseada principalmente em invertebrados aquáticos e reproduz-se entre Abril-Junho. A maioria dos indivíduos atinge a maturidade sexual no segundo ano de vida.
Principais Ameaças: A poluição resultante de descargas de efluentes não tratados de origem industrial ou urbana, a par com fontes de poluição difusa devidas à intensificação da utilização de pesticidas e fertilizantes na agricultura, cria situações de elevada eutrofização do meio, com a consequente perda da qualidade da água, podendo levar a situações de elevada toxicidade, com maior repercussão nos períodos de estiagem.
A extracção de materiais inertes e destruição da vegetação, tornam as zonas intervencionadas impróprias como locais de abrigo, alimentação e desova, sendo particularmente grave se efectuada nas zonas e épocas de desova da espécie. Durante os trabalhos de extracção há ainda um elevado aumento da turbidez da água num troço considerável a jusante, o que pode provocar a asfixia dos peixes (devido à deposição de partículas nas guelras) e a colmatação das posturas, podendo causar mortalidades importantes em todas as fases do desenvolvimento da espécie. No norte e centro do país existem inúmeras barragens e mini-hídricas já construídas e continua a verificar-se uma grande pressão para a construção de mais destas infraestruturas.
A construção de barragens e açudes provoca também a conversão de um sistema lótico em lêntico, com a consequente alteração dos parâmetros físico-químicos da água e das comunidades animais e vegetais. Para além disso, a eutrofização que se verifica em grande parte das albufeiras pode tornar estas áreas impróprias como habitat desta espécie. Também a fragmentação das populações, com consequências a nível de perda de variabilidade genética. Mesmo quando existem sistemas de passagem para peixes, os animais têm dificuldade em transpor os obstáculos em ambos os sentidos.
A alteração do regime de caudais a jusante, a qual depende do regime de exploração da barragem, reflectindo-se na redução do caudal, na sua homogeneização ao longo do ano ou na ocorrência de flutuações bruscas. A diminuição do caudal a jusante reduz o habitat dulciaquícola disponível, com a consequente perda de locais de crescimento, alimentação e desova.
Fonte: ICN – Plano Sectorial da Rede Natura
Fotos: Alexandre Franco

domingo, 16 de março de 2008

As Popper´s


A popper é um isco artificial já bastante conhecido entre nós que tem como característica mais evidente o facto de possuir na zona frontal, uma concavidade que a caracteriza fisicamente, bem como o seu funcionamento. Com efeito, é a “boca“ que estas amostras possuem, que ao ser utilizada em acção de pesca, produz o som que vai atrair os achigãs ou qualquer outro predador e fazer com que a ataquem com violência.
Existem num sem número de modelos, cores e tamanhos. As que se usam habitualmente para pescar achigãs medem entre seis a dez centímetros. As cores mais comuns, são quase sempre claras e bem visíveis – branco, verde alface, amarelo vivo, vermelho, laranja, dourado e prateado – para que facilmente sejam detectadas pelo peixe. A “boca”, em muitos modelos está pintada de vermelho ou laranja. Em situações de pouca luz ou em dias sem sol, as cores mais escuras produzem melhores resultados.
Os modelos variam muito pouco e embora sejam fisicamente semelhantes, existem em inúmeros modelos e tamanhos para todos os gostos.
Para que estas amostras produzam o efeito desejado, devem ser “trabalhadas “. Quer com isto dizer que é necessário dar toques com a ponteira da cana, para que se faça ouvir o som produzido pela tal concavidade da amostra.
No lançamento, as preocupações vão para a suavidade da queda do isco na água, e precisão na colocação da amostra no local desejado. Após o lançamento, devemos esperar dois ou três segundos antes de começar. Com a ponteira da cana na horizontal ou até um pouco mais baixa, damos um pequeno toque de ponteira para que o isco faça um som parecido com “buuac”. Passados alguns segundos – um ou dois – novo toque de ponteira. Depois outro. E assim sucessivamente até que a amostra chegue próximo de nós. Este tipo de toques pode-se considerar o mais normal. Contudo, sem considerar as variantes, existem mil e umas formas de executar este trabalho.
Quando a água está espelhada, sem vento, os toques devem ser mais suaves e muitas vezes a pausa é substituída por pequeníssimos toques de ponteira, que sem produzir som, fazem apenas “mexer” a amostra, transmitindo a sensação de que se trata de um ser vivo e tenta desesperadamente sair da água, onde caiu. Numa situação de algum vento os toques serão mais enérgicos, para que os sons sejam mais audíveis pelo peixe. Nestas condições, a própria ondulação faz mexer a amostra, evitando-se os pequenos toques atrás referidos.

E já agora, não se esqueça: Pratique o Pescar e libertar para a pesca não acabar!

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Rei Robalo


Conhecido e cobiçado por todos, esta espécie de elevado interesse gastronómico, movimenta uma verdadeira legião de pescadores, que tem sempre em mente a captura de um grande exemplar, digno de registo.
Este peixe, com o nome científico Dicentrachus labrax, é um dos grandes predadores de água salgada e uma das espécies mais perseguidas pelos pescadores de costa. No entanto, encontra-se com facilidade e bastante frequência junto á foz dos rios e inclusive dentro do próprio rio onde procura os pequenos peixes, vermes e crustáceos que são a base da sua alimentação.
O aspecto do robalo é o de um peixe poderoso e resistente nadador, pelo que contribui fortemente a sua configuração fusiforme e hidrodinâmica. A sua barbatana dorsal e os opérculos apresentam espinhos aguçados que podem por descuido, ferir o pescador mais desatento. O peso máximo que pode atingir está estimado em cerca de uma dúzia de quilos, para um tamanho de um metro e meio aproximadamente, de comprimento.
Na zona dorsal, apresenta uma coloração mais escura, mas brilhante, sendo a pouco e pouco cada vez mais clara até ao branco da região ventral. De cada um dos flancos apresenta bem visível um “risco”, da cabeça á cauda. Trata-se da linha lateral com a função de detecção de vibrações provenientes das eventuais presas e de tudo o que o rodeia.
O seu habitat ou as localizações preferidas são necessariamente locais de correntes aquáticas ou água em movimento. Daí a sua preferência pelas desembocaduras dos rios no mar. Também as zonas rochosas com forte rebentação que descola os crustáceos das rochas e revolve as areias, pondo a descoberto uma infinidade de seres vivos, atraem este peixe.
Na pesca, os iscos artificiais, vão cada vez mais conquistando um maior número de adeptos na pesca do robalo. Desde o simples e barato pingalim aplicado num estralho com uma bóia de água ou chumbada, até às imitações de peixes, mais ou menos perfeitas e equipadas com anzóis triplos, são todas formas eficazes de pesca. Também as conhecidas zagaias metálicas dão bons resultados. Estas opções são as mais utilizáveis em qualquer tipo de local.
Para pescas com iscos naturais são de referir todo o tipo de minhocas de mar, para pescar nas praias de areia (surf-casting), com destaque especial para a pequena minhoca, chamada “de sangue” de coloração vermelho vivo.
Pescar robalos, exige principalmente conhecer bem os locais e os hábitos alimentares dos peixes que aí se deslocam para comer. Ou seja, na foz de um rio será talvez mais lógico pescar com a “camarinha”, do que com metade de uma sardinha num anzol nº 2. No entanto, a pesca não tem regras e aí reside precisamente um dos seus encantos.
Fundamentalmente, devemos possuir sensibilidade para estudar o local, pedir conselhos ou “espiar” quem já lá pesca e o que usa, para que os resultados sejam minimamente positivos.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Bill Dance bloopers - Cenas III


Como já há algum tempo não postava mais umas cenas do profissional americano Bill Dance, aqui ficam mais duas, uma delas com um anzol triplo dum crankbait espetado num pé.

Bill Dance a pisar um crankbait só pode rivalizar com ele próprio, a espetar um anzol triplo dum crankbait no nariz!!!!!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Unir multi-filamento a mono-filamento


Um dos nós mais úteis que podemos empregar na utilização de fio multifilar - também chamado multi-filamento ou entrançado - é quando precisamos uni-lo a um estralho ou baixada de fio mono-filamento.
Nestas circunstâncias e quando surgiu o multi-filamento, vulgarmente os fios “corriam” e o nó desfazia-se, ou teríamos que executar uma laçada em cada um e ligá-los dessa forma.
Depois de terem surgido nas tertúlias de pescadores, inúmeros tipos e modelos de nós para esta situação, chegou-se a esta forma de atar, evolução de todas as versões anteriores.
É facílimo e rápido de fazer, mas sobretudo eficaz, porque não tem nenhum nó que fragilize a resistência de qualquer um dos fios.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Cenários de trutas








Pescar trutas é muito mais do que tentar apanhar peixes astutos, pouco abundantes e com pintas vermelhas e castanhas, como se tivessem varicela.
Pescar trutas é ter acesso a locais absolutamente fantásticos, únicos e inesquecíveis.
É poder andar na água gelada sem ter frio, poder tomar banho ao ar livre em pleno Inverno...
Aqui ficam alguns desses locais.

domingo, 2 de março de 2008

Trutas, raras...


Dia 1 de Março é dia de abertura oficial para a pesca à truta. Oficial, porque para muitos a época já abriu há muito tempo. Por toda a zona centro e norte do país, alguns aficionados desta pesca percorrem as margens de ribeiros com águas cristalinas e frias à procura de um peixe difícil, arisco, lutador e cada vez mais raro.
É uma pesca difícil, esta. É difícil percorrer as margens cheias de matagal, silvas e árvores tombadas pelas cheias, ainda do ano passado. Pescar uma truta também é difícil. Especialmente porque este peixe é perseguido pelo Homem, que também lhe suja as águas com resíduos e com as modernas ETAR´s. Nota-se um sedimento no fundo, que decididamente não faz parte do habitat de uma truta.
Nota-se nas margens a erva pisada recentemente em locais inacessíveis, em carreiros feitos por pessoas que não vão lá apenas para ver a água.
Pena é que o ICNB – Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade que preconiza uma desprotecção das espécies exóticas, como o achigã e a carpa, não se preocupe minimamente em proteger as espécies autóctones, como a preciosa truta.
O resultado de uma manhã de pesca de três pescadores saldou-se numa truta “especial”, com cerca de trinta centímetros que foi cuidadosamente devolvida à água. Especial, porque é mesmo única, uma vez que tinha uma enorme pinta preta, com cerca de um centímetro e meio, no seu lado esquerdo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O Fluviário de Mora





Recentemente tive oportunidade de visitar o ainda novo Fluviário de Mora, localizado junto da simpática Vila de Mora, no Açude do Gameiro - Cabeção.
Este Fluviário inaugurado há menos de um ano é sem dúvida um espaço bem concebido e agradável. Idealiza o trajecto de um rio imaginário, com as espécies de peixes, plantas e anfíbios, associadas a cada um dos passos do seu percurso.
É possível identificar por intermédio de quadros próximos, as espécies de ribeira, rio, albufeira e por fim a foz de águas salobras e já com espécies de água salgada como as taínhas, douradas, raias e até um xarroco.
Há ainda um espaço para o casal de lontras – a Marisa e o Cristiano Ronaldo. Um deles aproveitou para mostrar a sua magnífica dentadura, registada pela minha máquina fotográfica. Existe ainda um espaço com várias espécies de peixes exóticos, sendo uma boa parte deles da América do Sul. Outro dos aquários exibe o espectacular colorido e variedade dos peixes dos lagos africanos.
À saída, existe uma loja de recordações com objectos relacionados com o Fluviário.
Nota menos positiva para os seis euros por pessoa adulta, um preço que considero exagerado para uma visita que se faz sempre em família ou em grupo. Nestas circunstâncias, quem vai tirar os bilhetes é melhor levar a carteira bem recheada. Além disso, é um espaço bastante pequeno e que por isso se visita em muito pouco tempo.
Pode visitar na Internet, o site do Fluviário de Mora.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

As Rattlin Trap


Não é das amostras mais antigas e com mais tradição, surgindo o primeiro modelo, o Sonic da Heddon, em 1950. No entanto, nos últimos anos, foram muitos os fabricantes que apresentaram novos modelos bastante atraentes, até para os achigãs...

Constituição
O aspecto exterior deste género de iscos artificiais é o de uma amostra um pouco mais espalmada lateralmente que as demais. Característica também bastante visível é a ausência da habitual patilha frontal plástica dos crank´s tradicionais. Aqui o efeito é conseguido de outra forma.
Uma vez que afundam logo que entram na água, a vibração do isco é conseguida pela parte frontal superior da amostra, que ao “cortar” a água, vibra de forma muito rápida. Outra característica que sobressai de imediato é o chocalhar de qualquer coisa no interior quando lhes pegamos, fazendo lembrar um brinquedo de criança. Este é com efeito, uma das características mais apelativas para o peixe. Alojadas em várias câmaras estão esferas metálicas de diferentes tamanhos, responsáveis pelo ruído característico. Este ruído quando produzido dentro de água, chama a atenção dos achigãs ou qualquer outro predador a uma distância muito grande.
O material base com que são construídas as amostras lipless é o plástico duro ou outro material semelhante, com a característica fundamental que seja bastante duro, para que o ruído produzido seja mais audível.
Os anzóis triplos, habitualmente dois, estão colocados um no ventre e o outro na parte posterior do isco sendo o peso mais utilizado a ½ onça ou seja cerca de 14 gramas, que cobre a maioria das situações de pesca.

Pescar com as Rattlin Trap
Como qualquer crankbait, esta amostra é uma excelente localizadora de peixe. Ou seja, tratando-se de um isco rápido, muito rápido até, dá-nos boas indicações de localização das estruturas ou dos locais em que os achigãs estejam situados.
Pode ser utilizada como um crankbait normal, iniciando a recuperação logo após a entrada na água. Neste caso o lançamento é efectuado para junto da margem e sem mais nenhuma acção especial por parte do pescador, que não seja guiar a amostra e recuperar o fio.
Como se trata de um isco que afunda de imediato após a entrada na água, dá-nos teoricamente a possibilidade de pescar à profundidade desejada. Para que tal suceda, basta-nos ter um conhecimento, pelo menos aproximado, da profundidade do local em que queremos que a amostra trabalhe. Depois da entrada na água, calculamos mentalmente o local em que o isco se encontra durante a queda, iniciando a recuperação na profundidade desejada, cruzando desta forma a área pretendida.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Alton Jones vence Bassmasters Classic 2008


Terminou hoje o Bassmaster Classic 2008, a maior prova de pesca de embarcada ao achigã, realizada nos Estados Unidos. A edição deste ano decorreu no Lake Hartwell, próximo de Greenville - estado da Carolina do Sul e contou com a presença de cinquenta pescadores, embora no último dia apenas tenham participado os vinte e cinco melhores classificados dos dois dias anteriores.
O vencedor deste Clássico 2008 foi Alton Jones que partiu para o terceiro dia de competição já na liderança desta prestigiosa prova. Capturou nos três dias o limite de cinco peixes diários, totalizando 49,7 Lbs de peso, cerca de 25 quilos nos quinze peixes.
Levou também para casa um cheque de 500.000 dólares, que corresponde a um pouco menos em euros…
Mais informações, na página da ESPN.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Nós e laçadas para multifilamento



As vantagens do fio multifilar são indiscutíveis, pelo menos em determinadas técnicas de pesca de mar, devido à relação diâmetro/resistência. Também a ausência de memória e a reduzida elasticidade, são importantes vantagens para o pescador.
Mas estes fios podem trazer alguns dissabores na hora de os utilizar, visto que têm alguma tendência para deixar correr os nós…
A Berkley, uma das marcas que desenvolve e produz linhas multifilares, recomenda algumas formas de atar, para utilização neste tipo de fios de pesca.
Nestas duas imagens, duas formas de fazer uma laçada segura, em fio multifilar.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Associação de Pescadores Lúdicos

Local do encontro na Lourinhã - clique na imagem para ampliar

Recebi recentemente um mail-divulgação para uma reunião cujo objectivo é a criação duma Associação de Pescadores Lúdicos de âmbito nacional e multidisciplinar. Dada a necessidade duma entidade do género do que esta se propõe fazer e devido à inépcia da Federação representiva dos pescadores portugueses, parece-me oportuno a divulgação do mail, na integra.

" Amigos, a Comissão para a Defesa da Pesca Lúdica e dos Recursos Marinhos, consciente do momento trágico que os pescadores lúdicos portugueses enfrentam, devido a todas as dificuldades criadas pela Portaria 868/2006 relativamente à pesca no mar e a publicação da recente Lei 7/2008, que afronta a pesca em águas interiores, decidiu tomar a iniciativa de efectuar uma reunião na Lourinhã, no próximo dia 23 de Fevereiro, pelas 14h00, abrangendo todos os pescadores lúdicos que entendam estar presentes, de mar ou rio, no sentido de discutir a actual situação pós-entrega do Manifesto Pela Pesca e respectiva Fundamentação. Nesta reunião debater-se-á a necessidade de criar uma Associação de Pescadores Lúdicos de âmbito Nacional, que esperamos possa vir a ser constituída no final da mesma. A presença de todos é importante. A participação de todos é necessária. Vamos todos lutar por melhores dias e contribuir activa e democraticamente para a defesa da pesca lúdica e da sua prática saudável. Para esclarecimento de dúvidas, contacta: Raúl Ferrão, Membro da Comissão para a Defesa da Pesca Lúdica e dos Recursos Marinhos.
A morada onde se vai realizar a reunião é a seguinte, (morada do Élvio Mendonça)
Rua D. Sancho I, nº 73
2530-144 Lourinhã
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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Nova Lei da Pesca para Águas Interiores


O Governo publicou no dia 15 do corrente - sexta-feira, a Lei 7 de 2008 que estabelece as novas regras para a Pesca em Águas Interiores.
O documento pode ser consultado aqui, em formato PDF.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Rescaldo da Feira de Mora

Sulpesca - Gary Yamamoto

Decorreu no passado fim de semana, a VI edição da MoraPesca - Feira de artigos de Pesca Desportiva.
Estiveram presentes cerca de 18 expositores, espalhados por três pavilhões, que divulgaram as suas últimas novidades em material de pesca e relacionados, para o corrente ano.
Em peso, esteve a Barros & Trabucco, com o maior espaço de exposição da feira e um enorme sortido de material para a pesca de competição e mar, bem como muitos acessórios.
Em termos de pesca ao achigã, destaque para a Sulpesca – Gary Yamamoto, com um variado sortido de iscos artificiais, bem como as embarcações da famosa marca Triton e Lynx, estas últimas mais económicas.
Referencia para a Vega, que faz questão de estar sempre presente nestes eventos, evidenciando a sua atenção para com os pescadores. A prova desta postura é o facto do seu espaço estar repleto com os Campeões Nacionais 2007 - o Team Vega, que de forma descontraída respondiam às questões dos visitantes.

Vega

Aconteceram ainda outras acções em simultâneo como a demonstração de várias técnicas de pesca, no lago artificial do recinto da Feira, bem como se procedeu à entrega de prémios em cerimónias que decorreram no Auditório Municipal.
Notaram-se as ausências de algumas marcas, que pelos vistos não consideram importante o contacto directo com os potenciais clientes ou simplesmente não acham justificável o investimento numa Feira de pesca de nível nacional.
Estava também completamente vazio o espaço dedicado à Federação Portuguesa de Pesca Desportiva, o que não deixa de ser lamentável. Afinal de contas, a entidade máxima na representação dos pescadores portugueses, não esteve na festa da Pesca.

Bassboats - Barcos para achigãs



Um modelo em fibra com 18 pés, em plena navegação

Existem algumas considerações que devemos ter em conta, ao tentarmos perceber o porquê, da pesca ao achigã se efectuar normalmente de barco. Não existem grandes dúvidas que os achigãs que se encontram num período de actividade, ou seja em busca de comida, se encontram mais localizados junto das margens. E é fácil entender o porquê desta localização. Uma boa parte, senão a grande maioria dos alimentos que o achigã come, provêm das margens ou zonas baixas.
Poderíamos ainda referir um dos motivos que leva este peixe até zonas pouco profundas: A sua reprodução, com toda a actividade que envolve essa tarefa, importantíssima para um achigã, independentemente do seu sexo.
A ter em conta ainda que caminhando ao longo da margem, é mais fácil assustar esses peixes que se encontram activos, ou pelo menos, deixá-los de sobreaviso. Por outro lado, pescar de barco dá-nos sempre a possibilidade de chegar a outros locais, completamente inacessíveis da margem. Desta forma temos acesso a ilhas, zonas rochosas de grande declive, margens de vegetação densa, sem acesso por terra, e locais menos utilizados pela maioria dos pescadores.

Barcos para achigãs
Apesar de qualquer barco servir para pescar achigãs, existem os que efectivamente foram concebidos para este tipo de pesca, conhecidos por “bassboats” ou barcos para a pesca do achigã. Têm um factor comum: conjugam factores como a estabilidade quando em acção de pesca, com elevadas performances ao navegar, atingindo boa velocidade, factor importante quando se pesca em competição.
Devemos considerar, que os barcos para a pesca do achigã são fabricados em dois tipos de material, sem contudo existirem vantagens de relevo entre o alumínio e a tradicional fibra de vidro. Os fabricados em alumínio possuem vantagens que os de fibra de vidro não têm e vice-versa.
O mais importante terá certamente a ver com o gosto pessoal do pescador, sendo também o elemento custo, um dado a ter em conta, com a vantagem neste campo para os de alumínio. Estes são também mais leves, quando comparados com os construídos em fibra e de tamanho idêntico. Neste caso, é possível obter uma performance ao navegar semelhante ao rival de fibra, com um motor de menor potência e naturalmente de menor consumo.


Um modelo de 17 pés, construção de alumínio


No entanto, não há bela sem senão. O alumínio se não estiver pintado escurece e mancha com facilidade e as linhas do casco são visualmente menos atraentes. Em caso de forte ondulação e devido à (geralmente fraca) hidrodinâmica habitual nestes modelos, estes “batem” mais, tornando o navegar mais penoso que os cascos em fibra.

A estabilidade
A condição que se pode realmente considerar mais importante neste tipo de barco, é sem dúvida a estabilidade. Estes barcos possuem plataformas a que chamamos decks e que servem para os pescadores se instalarem em acção de pesca. Como estão a um nível mais elevado que o fundo do barco, permitem efectuar sem dificuldade alguns tipos de lançamentos, como o pitching e o flipping que doutra forma não seriam muito fáceis de executar. Uma vez que os decks nos dão um amplo espaço de manobra, percebe-se que se o barco não possuir alguma estabilidade, o constante baloiçar lateral pode causar algum desconforto.

O viveiro
Trata-se de um espaço estanque, que é cheio com água oxigenada e renovada periodicamente, através de uma bomba eléctrica accionada por um sistema de comando com temporizador ajustável. Este equipamento é de extrema utilidade quando se pesca em competição, visto que os peixes devem obrigatoriamente ser apresentados vivos à pesagem, e por isso em condições de serem libertados.

O compartimento das canas
O local para arrumação de canas está também contemplado neste tipo de barcos. É muito útil, uma vez que permite o transporte e arrumo das canas de pesca, em condições de segurança.

O motor eléctrico
Para as deslocações silenciosas e posicionamento em acção de pesca, o motor eléctrico é outro elemento fundamental numa embarcação deste tipo. É com este pequeno motor que nos aproximamos sem ruído e consequentemente, sem assustar os achigãs. Existem modelos que possuem um sistema de comando com o pé, o que nos deixa as duas mãos disponíveis a tempo inteiro para a pesca. Funcionam alimentados por baterias de 12 volts, idênticas às que habitualmente se utilizam nos automóveis. Alguns modelos estão equipados com um dispositivo electrónico - Duramp ou Maximaiser, dependendo do nome dos dois maiores fabricantes, que permite uma poupança da carga da bateria.


Vista superior com um lay-out típico dum barco de pesca ao achigã


A sondaTrata-se de um dispositivo que possui um écran de cristais líquidos, onde são continuamente apresentados os objectos (peixes) em suspensão na água e o relevo do fundo do local onde nos encontramos. A profundidade desse local é também representada no écran. Este é a função básica de qualquer sonda, por mais simples que seja. Alguns modelos mais completos apresentam temperatura da água, a velocidade instantânea do barco, distância percorrida e diversos alarmes de peixe e profundidades.

Este tipo de barcos possui ainda vários compartimentos localizados na zona inferior das plataformas, onde se pode armazenar diverso material, como caixas com material de pesca, coletes salva-vidas, roupas, alimentos e bebidas ou a palamenta da embarcação.
Embora não seja de todo necessário possuir um barco para a pesca do achigã, este facilita-nos bastante a pesca, sendo por isso uma aquisição a considerar para quem pretenda fazer uma pesca mais séria ou enveredar pela competição.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Aquicultura pode disseminar doenças


A produção de espécies aquícolas, fundamentalmente de mar, com elevado interesse para a alimentação humana é hoje uma realidade e um meio de suprimir as carências existentes nos recursos selvagens.
No entanto, parece estar provado que essa produção intensiva pode disseminar doenças e parasitas nas populações selvagens, uma vez que é possível a partilha de locais próximos, durante uma parte das suas vidas.
Outras das preocupações prendem-se com a poluição originada pelos dejectos produzidos pela elevada densidade de peixes num pequeno espaço e pela utilização intensiva de fármacos que pode influenciar e fragilizar as espécies que vivem no espaço natural.
Para ver um pequeno vídeo sobre o Colóquio “Seafood Summit 2008” realizado em Janeiro na cidade de Barcelona, clique aqui para a National Geographic.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Nó de Barril


Trata-se de um nó destinado a unir duas pontas de fio, de diâmetro pouco diferente, sendo um dos fundamentais para qualquer pescador, independentemente do género de pesca que realize. O seu nome deve-se ao formato final, que se assemelha a um barril.

Apesar de funcionar muito bem nos nylons e fluocarbonos, também pode ser utilizado com a maioria dos fios multifilares. No entanto, para os multifilares, nada melhor que efectuar alguns testes para confirmar a sua eficácia, visto que dependendo do tipo de fibra utilizado no fabrico, pode não parar de correr, impedindo a sua utilização.

Como habitualmente, deve-se humedecer a zona do nó para que "corra" melhor e não deteriore o fio por aquecimento.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Feira Nauticampo 2008


Sob o lema “Prazeres da Natureza” vai decorrer na FIL de Lisboa, de 9 a 17 de Fevereiro de 2008, mais uma edição da Nauticampo - Feira de Naútica, Campismo e actividades de lazer.
Segundo a organização pretende-se nesta edição, "acolher novos desafios, desenvolver novas e diferentes actividades, mais dinâmicas e interactivas, elevando desta forma, a sua projecção e notoriedade junto do seu público-alvo, e de uma forma ainda mais eficiente, criar uma maior proximidade e interacção com o mercado e as tendências que marcam o seu futuro".
Horários
- Sábados e Dias Uteis 15h00/23h00
- Domingos 10h00/20h00

Preço dos Bilhetes
- Sénior/Jovem - 2,50€

- Individual - 5,00€

Para mais informações consulte o site da FIL/Nauticampo

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Feira MoraPesca 2008

Clicar no cartaz, para aumentar o tamanho da imagem

Vai decorrer nos dias 8, 9 e 10 de Fevereiro de 2008 a VI MoraPesca, considerada a maior feira de artigos de pesca e acessórios relacionados, realizada a nível nacional.
O certame decorre como é já habitual, no Pavilhão Municipal de Exposições, com os seguintes horários de funcionamento:

Sexta, 08 Fevereiro
- 17h30 Cerimónia de Inauguração da Feira / 22h00 Encerramento do recinto da Exposição
Sábado, 09 Fevereiro
- 10h00 Abertura do recinto da Exposição / 23h00 Encerramento
Domingo, 10 Fevereiro
-10h00 - Abertura do recinto da Exposição / 20h00 - Encerramento da VI MoraPesca

Para mais informações, consulte o site da Câmara Municipal aqui, e depois, logo a seguir ao Cartaz da Feira Nacional do Tomate.

Até lá!

domingo, 20 de janeiro de 2008

O anzol, peça de arqueologia

Anzóis antigos, expostos no Museu das Ruínas de Conimbriga

Apesar de os anzóis hoje à venda no mercado serem manufacturados com a mais recente tecnologia, este artefacto é o que menos evoluiu desde à milhares de anos até ao nossos dias.
Quando empatamos um dos nossos anzóis, no extremo da nossa linha de fluorcarbono, bobinada num carreto com muitos rolamentos de inox e construído em grafite, instalado numa cana de carbono de alto módulo reforçado por fibras XPTO, não temos em conta que na História da pesca, esse objecto foi que menos se modificou nos últimos 20.000 anos.
Esta actividade, que o Homem primitivo desenvolveu para sobreviver, foi também uma das que naturalmente mais o obrigou a pensar e aguçar o engenho, para que as suas saídas para a pesca fossem cada vez mais produtivas. Por isso, terá nascido um gancho manufacturado em osso e/ou espinha, eventualmente preso a um pau e que servia para içar os peixes atraídos pelo alimento, colocado maliciosamente no artefacto curvo.
Com efeito, os mais antigos objectos que se podem classificar como anzóis, foram encontrados na zona da antiga Checoslováquia. Eram fabricados em osso de mamífero, e pertenciam a pescadores cujas jornadas de pesca decorreram há 20.000 anos atrás.
Os arqueólogos encontraram anzóis primitivos construídos em osso, espinha de peixe e madeira, em quase todos os locais do mundo. Algures na Escandinávia foram encontrados anzóis datados de um período com cerca de 10.000 anos. No Este da América do Norte foram encontradas gravuras rupestres da idade do Bronze, representando pescadores com varas, linhas, anzóis e peixes.
Na antiga Mesoptânia, em 4.000 A.C., construíam-se anzóis em cobre, surpreendentemente parecidos com os dos nossos dias. Os olhais, as curvas e barbelas mudaram muito pouco desde então. Hoje, os fabricantes usando tecnologia da era espacial, limitam-se basicamente a melhorar o design e o material que constitui o anzol.Provavelmente, os primeiros pescadores desportivos foram os Egípcios, segundo gravuras encontradas. Representavam vários pescadores há 2.000 anos A.C. usando canas, linhas e anzóis.
Na realidade, existem duas vertentes básicas que são as que estão em constante evolução e desde à 4.000 anos: A facilidade ou capacidade de penetração e a resistência à tracção.
A capacidade de penetração, prende-se fundamentalmente (mas não só), com a espessura, qualidade e tipo do bico do anzol. A resistência à tracção é a outra vertente a que os fabricantes estão atentos e desenvolvem continuamente, estando estes dois vectores directamente interligados.
Para melhorar a penetração recorre-se hoje a revestimentos derrapantes, como é o caso do Teflon e pontas de tipo especial, com formatos inovadores e materiais mais resistentes, que mantêm o bico sempre afiado. Estes por sua vez, são afiados a lazer, por processos químicos, etc.. Para melhorar a capacidade de penetração, tenta-se produzir um anzol mais fino - perfura melhor, mas que deve manter a capacidade de resistir aos ímpetos do peixe, ou seja é necessário manter a resistência à tracção. Se assim não fosse, o anzol “abria” ou seja, perdia o formato inicial, o que levaria à inevitável perda da captura.
O recurso a materiais mais resistentes, como o carbono, o tungsténio, titânio, inox, ou misturas entre estes elementos, permite obter uma maior ligeireza e capacidade de penetração, enquanto se mantêm a resitência à tracção. Outro processo para manter essa capacidade passa por "forjar" - que consiste em esmagar ligeiramente - a zona da curvatura, perfilando o metal para a ganhar resistência no sentido que nos interessa.
Desta forma, consegue-se um melhor desempenho dos dois binómios mais importantes, que determina a qualidade final do produto, que hoje reconhecemos no “velho” anzol que distraídamente aplicamos na ponta do fio.

Texto da minha autoria, publicado no Jornal "Correio da Manhã" de 22 Setembro de 2001

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Grifos na Web


A atestar que os grifos, cegonhas pretas e restante passarada do Parque Natural do Tejo Internacional pode e deve ser um meio de atrair visitantes à Raia, está a quantidade de visitantes e comentadores a neste site, recentemente divulgado.
On-line e 24 horas por dia, uma câmara vigia o local de nidificação de um casal de grifos (Gyps fulvus) nas escarpas das Portas de Ródão mas que está até ao momento a ser disputado por um outro indivíduo isolado de outra espécie de grifo (Gyps rueppellii), desconhecido ou raro em Portugal. Parece história de Big Brother, como já vários comentários referiram!!!

Este projecto foi desenvolvido no âmbito do programa Público na Escola, um projecto do Jornal PÚBLICO que visa estimular a conservação da Natureza e a protecção do Ambiente junto dos alunos das Escolas Básicas e Secundárias.
As entidades envolvidas neste projecto são a Refer, responsável pela instalação da câmara e de toda a infraestrutura tecnológica que permite as imagens em directo; a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), responsável pela disponibilização do sinal e por gravar todas as acções no ninho para posterior divulgação; a SIC, que fará a cobertura televisiva ao longo de toda a época de nidificação; e o próprio Jornal Público, que fornecerá as imagens em directo através do seu site e promoverá as acções educativas junto das escolas.
Como se calcula, à noite dificilmente se consegue observar alguma coisa e durante o dia, as aves podem não estar no local. No entanto a época que se aproxima é a da (re)construção do ninho pelo que se prevê muita actividade e vai/vem.

Pena é que as pessoas se limitem a este espectáculo "voyeurista" pela tecnologia dos PC´s e da comunicação e não se promova a visita aos próprios locais, para cheirar a Natureza e disfrutar de um passeio de barco pelo nosso Tejo, que tanto tem para mostrar.
O que seria de bom para todos os comentadores, se tivessem a oportunidade de observar as aves no local...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Activistas reféns em baleeiro japonês


Um australiano e um britânico da organização Sea Shepard Conservation Society, estão retidos há 48 horas no navio baleeiro japonês “Yushin Maru 2”. Na terça-feira, os dois activistas saltaram da sua embarcação “Steve Irwin” para o navio japonês para entregar uma carta a salientar que é ilegal caçar baleias. Ver video aqui

Minoru Morimoto, do Instituto japonês de Investigação sobre Cetáceos (ICR), admitiu que os dois activistas estão detidos mas negou terem sido mal tratados.

“- É ilegal entrar nos navios de outro país em mar alto. Por isso, estão a ser mantidos sob custódia, enquanto são tomadas decisões sobre o seu futuro”.

Os japoneses acusam ainda os activistas de terem tentado danificar o navio, que se encontra a Sul da Austrália.

A Sea Shepard informou entretanto que a tripulação do baleeiro colocou condições para a libertação dos dois homens, algo que a associação considera inaceitável.
“- Usar reféns para fazer exigências é a marca do terrorismo e a Sea Shepard não tem interesse em negociar com grupos terroristas”, comentou o capitão Paul Watson.

Ver notícia completa e video . Fonte: Público

domingo, 13 de janeiro de 2008

A taínha


Desprezada por uns, procurada por outros, este peixe das nossas águas acaba por ser uma das espécies mais difíceis de pescar para os pescadores de mar.
A taínha é fundamentalmente uma espécie de água salgada. Encontra-se com facilidade em estuários de rios, molhes, cais e ancoradouros marítimos e zonas rochosas junto à costa. Encontra-se também a muitos quilómetros acima da foz dos rios, que mantêm ligação directa ao mar, isto é, sem barragens que lhe parem a subida. É por isso fácil pescarem-se taínhas, junto a Mértola, no Guadiana ou no Tejo, junto a Belver, a jusante da barragem com o mesmo nome, ou em outros locais de características semelhantes.
As espécies mais abundantes são três: a Chelon labrosus, identificável por possuir os lábios muito grossos, conhecida por taínha de lábios grossos ou liça. A Liza ramada, diferenciada da anterior pelos lábios mais finos, pela pequena mancha escura junto à raiz das barbatanas peitorais e cauda menos pontiaguda e a Liza aurata, vulgarmente chamada de garrento, identificável pela pequena mancha dourada junto ao opérculo e tonalidade geral amarelada.
De todas, a que atinge maior tamanho é a de lábios grossos ou liça, sendo vulgares as de dois a três quilos, alcançando contudo os cinco a seis. A fataça, de lábios finos, pode atingir os três, sendo esta a espécie que vulgarmente encontramos mais a montante nos nossos rios. O garrento raramente ultrapassa o quilo de peso.
Qualquer uma destas espécies é um poderoso lutador, quando preso no anzol. Gastronomicamente, não é dos peixes mais apetecidos.
A alimentação natural das taínhas baseia-se em pequenos organismos marinhos, algas, fitoplâncton, e detritos orgânicos de toda a espécie, incluindo os produzidos pelo Homem.
A taínha gosta de permanecer junto à costa, frequentando os locais onde encontra alimentação com facilidade. Normalmente deslocam-se em cardumes, compostos por algumas dezenas de indivíduos.
As taínhas são conhecidas pelos pescadores de mar, como peixes muito desconfiados e difíceis de pescar. Com efeito, pela forma como se alimenta, mais sugando do que comendo, este peixe exige fios finos e delicadeza na apresentação do isco.
A pesca à bóia é a forma mais convencional de capturar taínhas. Para tal, utiliza-se uma cana de passadores, entre os quatro e os seis metros de comprimento. Esta deve ser leve, robusta e com acção de ponta, ou seja bastante dura na sua acção. Também o carreto, bobinado com fio 0.18 a 0.22mm, deve ser pequeno, leve e dotado de uma embraiagem precisa, capaz de segurar os ímpetos deste vigoroso lutador.
As bóias podem ser de madeira de balsa de 0.5 a 1.5 gramas, se a pesca for feita num porto sem ondulação ou até às 15 gramas, se efectuada num local desabrigado, embora seja recomendável escolher os dias mais calmos, para pescar taínhas.
O fio do terminal do anzol, com cerca de trinta centímetros deve ser o mais fino possível, entre os 0.12 a 0.16mm. O anzol deve ser fino também e entre os nºs 8 e 12, consoante a desconfiança e o tamanho do peixe.
O isco mais utilizado para a taínha é a sardinha ou o carapau. Na sardinha deve tirar-se com cuidado a barbatana dorsal, ficando então os dois lombos de onde, com pequenos beliscos, se vai retirando a iscada. É errado cortar com uma faca!
Para melhores resultados é recomendável a utilização de engodo, feito com sardinha bem pisada num balde. Deve ser fino e lançado à água logo que cheguemos ao pesqueiro, para que vá atraindo as taínhas, dando-lhes confiança no alimento. Só depois devemos iniciar a pesca, aumentando a liquidez do engodo e diminuindo a frequência da engodagem.
Esta pesca é um óptimo desafio para quem gosta pescar fino e leve, o que não quer necessariamente dizer peixes pequenos...

Texto da minha autoria, publicado no Jornal "Correio da Manhã" de 9 de Junho de 2002

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Bill Dance bloopers - Cena II


Mais uma "argolada" do pró pescador de achigãs que a América mais aprecia: Mr. Bill Dance! Nesta cena o nosso amigo luta desenfreadamente contra um motor eléctrico ligado, que se separa do apoio do mesmo!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Conserve o Planeta, só temos este!

Tudo o que fizermos, voltar-se-á contra nós.
Infelizmente, o dinheiro e os interesses privados, muitos deles provenientes de quem devia dar o exemplo, fazem o Mundo girar...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Faculdade estuda peixes do Algarve


Embora não seja recente a marcação e estudo das espécies piscícolas com mais valor comercial e desportivo, uma recente notícia da LUSA informa a continuação e intensificação desse trabalho, iniciado já há uns anos pela Universidade do Algarve, que prevê até final de 2008 a marcação de mais de 5.000 peixes.
O projecto, que está a ser desenvolvido por investigadores da Faculdade de Ciências do Mar e Ambiente (FCMA), inclui a marcação de milhares de peixes juvenis, que se espera que sejam depois recapturados por pescadores ou pelos próprios técnicos.
Segundo disse à Lusa o coordenador do projecto, Karim Erzini, a ideia é que as marcas lhes sejam depois devolvidas pelos pescadores, mesmo que o peixe seja reposto na água, ou lhes sejam fornecidos os dados por telefone ou Internet, estando já disponível um formulário on- line.
Segundo um dos investigadores envolvidos no projecto, Jorge Gonçalves, uma das mais valias do estudo é a obtenção de dados sobre a abundância ou não das espécies comerciais ali existentes, essenciais para uma política integrada de gestão da pesca artesanal.
Os investigadores, que marcaram até agora 2.300 peixes, entre sargos, safias, choupas, robalos e douradas, vão também utilizar o sistema de telemetria para observar o comportamento dos peixes.
O estudo, orçado em 86.500 euros, estende-se até ao final do próximo ano e será totalmente financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Ao todo são cerca de dez os investigadores aliados ao estudo, que está a ser desenvolvido pelo Grupo de Investigação Pesqueira Costeira, inserido no Centro de Ciências do Mar da FCMA.

Veja a notícia completa aqui.

A idade dos peixes



Na crónica deste mês gostava de propor aos que sentem mais curiosidade sobre a vida dos peixes, um exercício que podemos fazer em casa. Trata-se de determinar a idade dos peixes que pescamos.
Esta questão tem obviamente mais interesse quando se trata de grandes exemplares, que não pescamos todos os dias, e que nos fazem pensar quanto tempo este peixe levou até atingir este peso.
Esta curiosidade pode ser satisfeita de uma forma muito simples. Basta-nos que cuidadosamente retiremos uma escama desse peixe de preferencia por baixo da barbatana peitoral, visto que são as que com mais facilidade proporcionam bons resultados. Depois desta operação podemos lavar a escama com água corrente deixando-a depois numa mistura com cerca de metade água e a outra metade com vinagre de cozinha, cerca de 12 horas. Depois basta passar por água corrente e enxugar com um pano seco ou guardanapo de papel, deixando-se de seguida, secar completamente.
Com facilidade e se for necessário em contraluz, conseguimos observar anéis concêntricos a partir do centro da escama. Poderemos recorrer a uma lupa, senão for fácil esta observação à vista desarmada. Cada espaço constituído por uma zona mais esbranquiçada e outra maior e mais transparente, constitui um ano de idade. A área mais clara e pequena corresponde ao período de inverno em que o crescimento é menor devido á pouca actividade desenvolvida. Os espaços maiores correspondem ao período de Verão, com o consequente aumento de actividade e correspondente aumento de crescimento.
Desta forma fácil podemos determinar a idade dos peixes maiores que pescamos ser ter que os sacrificar, deixando que permaneçam no espaço de água onde os pescamos, perpetuando assim a sua espécie.

Texto da minha autoria, publicado no Jornal "Voz do Campo", em Julho de 1999

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Nasceu 2008






































Primeiros momentos de 2008, em Castelo Branco, com uma temperatura de 1ºC.
Aproveito para desejar atodos os que por aqui passam, votos de um Bom Ano Novo, de preferência cheio de coisas boas.
José Gomes Torres