"Se as várias estimativas que temos recebido se concretizarem, em 40 anos ficaremos sem peixe"

- Pavan Sukhdev, economista e consultor da ONU, sobre o eventual esgotamento dos recursos piscícolas a nível mundial, em 2050 (In Visão 20/26 Maio 2010)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Em que é que ficamos?


Esta placa encontra-se em vários locais da albufeira da Marateca ou Sta. Águeda, como também é conhecida a massa de água que abastece Castelo Branco.
É também mais uma prova do amadorismo, da prepotência e no fundo da palermice que caracterizam o português típico, porventura imaginada por algum funcionário com categoria de capataz, que pensa que ele próprio, é dono da barragem.
Estamos em presença de uma sinalização que tem como fundo um barco à vela e em sobreposição, um sinal reconhecido como de interdição. Até aqui percebe-se que é interdita a navegação à vela nesta albufeira. Será aliás, a conclusão que qualquer estrangeiro que não entenda português e que procura a albufeira, tira de imediato.
Mas, eis que, mais abaixo encontramos uma frase que afirma categoricamente: “PROÍBIDO BARCOS COM MOTOR”. Ou seja, além dos barcos à vela, também são proibidos os barcos com motor.
Mas, no canto superior esquerdo encontramos ainda uma outra frase: “PERMITIDO MOTORES ELÉCTRICOS”. Perante esta enorme e controversa quantidade de informação, o incauto cidadão fica de certa forma atordoado e sem conseguir tirar uma conclusão decente.
Para facilitar, eu sugiro o seguinte e explico porquê:
Caro pescador eventualmente embarcado, ignore a placa e faça o que a sua consciência lhe ditar. Simplesmente porque a placa é COMPLETAMENTE ILEGAL, os símbolos não fazem parte de nenhuma listagem de símbolos reconhecidos na navegação, pelo que ninguém é obrigado a perceber tamanha palermice junta.
Para ser sincero, estou a pensar enviar a foto para o site “Portugal no seu melhor”…
Assim não vamos a lado nenhum…

domingo, 23 de novembro de 2008

A hibernação do motor do barco - Parte II

No seguimento do post anterior, iremos ainda prestar atenção à preparação dum barco para o período de descanso, bem como a outros componentes importantes do motor e da própria embarcação.

Antes de mais, é de referir que cada vez que se intervém num motor, a chave de ignição deve estar retirada, bem como o dispositivo de homem-ao-mar para que não se dê um arranque intempestivo.

Protecção interna dos cilindros
Existem líquidos no mercado (normalmente em embalagem spray), indicados para esta operação. Cada fabricante de motores apresenta o seu produto, o que não quer dizer que exista incompatibilidade entre marcas diferentes. As velas devem ser retiradas. Pelo orifício destas aplica-se o spray, seguindo as instruções do fabricante.


Depois e rodando manualmente o volante do motor, espalha-se o líquido pelo curso dos cilindros formando-se então uma película de protecção contra a corrosão, no interior destes.
Aproveite e verifique se a mistura de combustível é a correcta, verificando a cor das velas que deve ser castanha clara e se o isolador de porcelana não se encontra estalado ou partido. Os eléctrodos devem estar sem vestígios de desgaste. Aplique um pouco de óleo do motor na rosca da vela e aperte.

Lubrificação o veio do hélice
O veio do hélice deve ser lubrificado, após a retirada deste. Para tal, utilize um taco de madeira para imobilizar o hélice enquanto o desaperta.


Verifique se não existem restos de fio de pesca ou detritos no eixo e remova a massa de lubrificação antiga. Curiosamente, ao realizar esta tarefa no meu motor detectei restos de fio de pesca, que inevitavelmente iriam deteriorar o retentor do veio do hélice e permitir a saída do lubrificante da caixa do veio de transmissão. Esta avaria teria uma reparação dispendiosa e uns fins de semana sem pescar.


No veio, depois de limpar, deve-se aplicar junto ao retentor um lubrificante do género do HHS2000 - da Wurth, enquanto se roda à mão. Aplique agora massa consistente espessa e aperte a porca, utilizando o truque do taco de madeira, desta vez no lado oposto.



Bateria
A bateria é um elemento caro e que se não for cuidado deteriora-se em pouco tempo. E o Inverno é a época do ano em que mais baterias chegam ao final dos seus dias. As vulgares baterias de ácido e chumbo automotivas, devem ser guardadas com carga máxima. Antes desta carga, deve naturalmente verificar-se o nível de electrólito, se a bateria não for selada e corrigi-lo com água destilada até ao nível assinalado como máximo, se tal for necessário.
Qualquer bateria destas características deve ser submetida uma carga de manutenção de quinze a trinta minutos uma vez por mês, porque com o passar do tempo verifica-se uma descarga lenta nestes tipo de acumuladores o que dá origem ao processo de sulfatação das placas e consequentemente à sua destruição precoce.

Bom trabalho!

sábado, 15 de novembro de 2008

A hibernação do motor do barco - Parte I

A lavagem do motor antes da imobilização prolongada é imprescindível
O bom tempo decididamente já nos deixou e o Inverno está aí. Uma grande parte dos pescadores que possuem barcos, não os utiliza no Inverno, devido ao facto de ser menos agradável pescar nesta altura do ano e também porque as condições de mar muitas vezes não sugerem aventuras...

Qualquer que seja o motivo, os motores que passam longos períodos de imobilização (mais de dois meses) devem ser preparados para esta inactividade, com pequenas tarefas fáceis de realizar e que lhe aumentarão o período de vida e a fiabilidade.

Umas das acções recomendadas no início do período de imobilização é a lavagem completa do sistema de arrefecimento. Esta operação tem como objectivo fazer circular água doce por todo o sistema de refrigeração, para que este seja limpo pela água doce que aí circula. Nos modelos mais pequenos, abaixo dos 25 CV, pode fazer-se colocando o motor num bidão com água.

Nos modelos mais potentes a melhor solução é a utilização dos “auscultadores” como vulgarmente são designados. Este prático acessório permite a ligação a uma mangueira que por sua vez é ligada à torneira e assim fornece ao motor a água necessária para o sistema de arrefecimento, permitindo o seu funcionamento “ a seco”. Algumas marcas têm modelos que possuem uma entrada de água com um bujão que se desaperta e onde se liga directamente uma mangueira com um acessório de rega, dispensando os auscultadores.

Pormenor dos "auscultadores"

Deve-se em primeiro lugar abrir a torneira da água, fazendo depois o arranque do motor e confirmando que o esguicho de água de arrefecimento é contínuo. Desta forma certificamo-nos que o caudal de água é suficiente e não existe risco de sobreaquecimento do motor. Por outro lado confirmamos igualemnte que todo o sistema funciona bem e não existem problemas de entupimento no circuito, nem o impulsor da bomba de água está gasto ou danificado.

Depois de funcionar entre cinco a dez minutos, deve desligar-se a mangueira da gasolina do motor, levando a que este pare por falta de combustível. Isto evita que a gasolina fique retida nos carburadores, ou injectores nos modelos mais recentes e ao longo do tempo evapore, deixando resíduos acumulados no sistema de alimentação.

Nunca de deve desligar a água com o motor em funcionamento, mas só depois deste parar, mesmo que sejamos nós a desligar a ignição.

No próximo post serão abordados outros elementos importantes para a manutenção invernal do motor, bem como cuidar da(s) bateria(s) do barco neste periodo.

sábado, 8 de novembro de 2008

O achigã recorde do Zé Pedro...


Partilhar uma jornada de pesca com uma criança pode revelar-se uma surpresa. Em especial, porque os peixes não escolhem os anzóis...Esta história verídica passou-se em 2001, no fim de uma tarde de Julho.
- Há aqui alguém interessado em ir dar uma volta de barco?
Foi como se de repente, se ouvisse gritar que havia fogo cá em casa...
- Hehehe… - Como gosto de fazer isto... pensei para comigo.
A mãe foi preparar o lanche, porque o ar do campo abre sempre o apetite, vestir o fato de banho, calçar os ténis, procurar o livro que está a ler, etc.
O pescador mais jovem, foi preparar o colete de pesca, calçar as sandálias, procurar o boné, eventualmente debaixo da cama, junto de uma infinidade de coisas que só ele conhece a utilidade.
- Daqui a cinco minutos, na garagem! - Fui dizendo enquanto fechava a porta.
Engatei o barco no carro, enquanto chegavam os restantes passageiros e aí vamos nós.
Já no rio, como estavam bastantes pescadores de margem nas imediações, fomo-nos afastando com o motor eléctrico, que não faz ruído e aproveitando para começar a tentar enganar os achigãs mais distraídos, mesmo já ali.
Após alguns lançamentos, pesquei um, com cerca de quatrocentas gramas.
- Já cá tenho o primeiro... Disse em voz alta e tom jocoso, para espevitar o meu aprendiz.
Mas ele resmungou qualquer coisa relacionada com o fio e não ligou.
Depois de tirado do anzol, foi devolvido com cuidado à água. Mais uns lançamentos e mais um achigã, pouco maior que o primeiro.
- Dois, a zero…digo eu, em jeito de provocação.
Nada… Não responde…
Após alguns lançamentos, o jovem pescador capturou um, com cerca de meio quilo, enquanto eu lutava com outro, de cerca de um quilo. Algazarra a bordo. Dois peixes, ao mesmo tempo... Espectacular!!!
- Mãe, foto para a equipa, por favor… digo eu enquanto o Zé Pedro se colocava ao meu lado. Peixes na água, e toca a recomeçar.
- Pai, temos que ir àquelas pedras fazer uns lançamentos, diz ele.
- Claro, respondo sem hesitar.
Lancei e apercebo-me de um derivar da linha, quase imperceptível. Ferrei, mas nada.
Entretanto, o Zé Pedro lança para lá e ferra com violência. Em troca recebe um violento puxão que lhe deixa a cana apontada para a água e sem capacidade de reagir.
- Pai… paaaai... gagueja, enquanto o fio continua a sair do carreto…
- Vai ajudá-lo, depressa...diz a mãe, enquanto eu corro para a máquina fotográfica.
- Nem penses, retorqui, não vou perder a oportunidade de fazer umas fotos...
Vejo a linha a dirigir-se para a superfície, indicando que o peixe vai saltar fora de água. E aí está ele...em todo o seu esplendor... tem... mais de... dddois quilos... DOIS QUILOS... ??????
Só agora é que todos nos apercebemos do que é que o Zé Pedro tem na ponta da cana a lutar com barbatanas e dentes para se soltar... Um enorme achigã, o peixe mais desportivo, lutador e espectacular que existe.
Está instalado um motim a bordo: O miúdo grita porque acha que não está a ver bem. A mãe acha que o devo ajudar. E eu estou muito mais interessado em eternizar este momento único, não dando tréguas à máquina fotográfica.
O peixe, ora salta fora de água, ora afunda, deixando o iniciado pescador, sem pinga de sangue...
Finalmente, já cansado, aproxima-se para ser içado para o barco, pelas pequenas mãos do meu filho, que está nitidamente em estado de choque.
Já com o peixe dentro do barco, ninguém quer acreditar no que está a ver.
- Ganda Zé Pedro!!!... digo emocionado, - Vamos pesá-lo, rápido.
- Dois quilos e quinhentas gramas, meu !!! digo enquanto mostro a balança à mãe, incrédula !!
Uma foto do pescador com o peixe na balança e aí vai ele para a água, bem vivo e em condições de crescer mais uns quilos. Se não se deixar enganar por alguém que o ache mais interessante rodeado por batatas no forno. Nós, pelo contrário, consideramo-lo mais importante bem vivo e aos saltos na ponta das nossas linhas...
- Pai, agora já não me podes chamar pescador de meia-tigela...
- Tá bem, pescador de tigela inteira... Imagino os sonhos dele, nessa noite...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mesa de Plumas


Já um pouco farto de ouvir as reclamações da desarrumação constante e dos restos de penas e linhas por todo o lado, também de deixar cair um acessório e nunca mais o encontrar, decidi finalmente fazer eu próprio, uma mesa de plumas.
Levou tempo, mas já está.
Andei meses a magicar, como seria o lay-out que cumprisse todos os pré-requisitos que pretendia.
- Ser espaçosa
- Ser fácil de limpar
- Ser facilmente transportável para outro lugar em caso de emergência (visitas, levar para o campo, etc..
- Poder albergar também a maioria dos materiais que utilizo frequentemente. Resolvi fazer uma espécie de espaço inferior para albergar três caixas plásticas.
- Ter capacidade para reter os anzóis e cabeças douradas, missangas e todo o género de pequenos acessórios que utilizamos e que desaparecem misteriosamente quando caem… Para isso apliquei um rebordo a toda a volta da mesa para evitar “saídas de campo”.
-Aguns imans e esponjas seguram as plumas já feitas e em fase de secagem.

Finalmente e depois de alguns ensaios, está pronta e já levou a camada final de verniz, aplicada à pistola por mim próprio.

Aqui fica o modelo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Peixe Recorde!


Este verão, numa fugida de fim-de-semana até à albufeira do Cabril, tive a surpresa de bater o meu recorde pessoal do maior peixe pescado em todas as águas.
Mais uma vez, numa amostra destinada aos achigãs, ferro um peixe que me deixou a cana apontada para a água e o fio a sair furiosamente do carreto.
Mais uma briga de dá e recupera linha, até que o peixe já no final da luta decide dar a última corrida junto à margem, em águas particularmente baixas e com bastantes arbustos submersos.
- Vai-se prender nos paus e vai partir… disse já a antecipar o final da contenda.
-Pode ser que não, responde o meu filho.
- Pronto, já está! Digo logo de seguida.
De facto o peixe em fuga consegui que a linha passasse num arbusto e que continuasse a levar linha do carreto, mas com esta a entrar na água sempre no mesmo sítio.
- Vou afrouxar um pouco, pode ser que solte ou que o peixe volte para trás e a linha saia dos paus…acrescento, com pouca convicção.
Não resultou. Agora o peixe parecia já imóvel, porque a linha continuava estática, a entrar na água no mesmo local.
Nisto, o meu filho olha para o lado esquerdo e diz:
- Olha, o peixe está ali ao cima de água… De facto, embora a linha continuasse a entrar na água no mesmo local, o peixe estava exausto à tona de água, a cerca de quinze metros à nossa esquerda.
- Pronto, então segura aqui a cana, que eu vou tentar soltar a linha dos paus. Quando te fizer sinal, é porque está livre e recolhes rapidamente, para que o peixe não se solte por o fio estar frouxo.
Passo-lhe a cana, e salto do barco para as límpidas águas do Cabril. Segurando a linha para me guiar, facilmente chego ao pequeno pauzinho onde a linha passa. Percebo que a sua passagem fez um vinco na madeira amolecida, - por estar à tantos anos submersa e solto a linha que de imediato fica bamba.
- Recupera, rápido!
Ele assim faz, até a linha ficar esticada e o peixe começar a ser trazido lentamente até nós.
- Vá, acaba de a tirar porque o peixe é teu, diz ele.
- Deixa-te de coisas, este foi a meias!
Já no barco e com a cana na mão, ele armou rapidamente o camaroeiro que mergulha por baixo do peixe que é finalmente assim trazido a bordo, depois desta pequena peripécia…
Esta carpa acusou na nossa balança digital 8,700Kg, tornando-se assim o maior peixe de qualquer género que já pesquei, destronando o barbo de 7200Kg que também se interessou por um isco dos achigãs. E o fio Gamma 0,30 resistiu a todas estas torturas de forma heróica, sim senhor…
É o meu recorde, mas resta acrescentar, a meias com o meu filho…
Obviamente, depois de pesada, foi devolvida às águas da albufeira.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Se pensa que a poluição não o afecta, pense melhor…

Para os que consideram que a poluição é um problema dos outros, deveriam considerar que tudo o que fazem à Natureza os afectará inevitavelmente.

Ou pior, irá afectar os seus filhos, netos e bisnetos.

O lixo e a poluição vão ser uma pesadíssima herança que os nossos descendentes irão receber de nós, descuidados utilizadores do Mundo. Pense melhor no assunto.

- Reduza o consumo de bens não essenciais.

- Reutilize as coisas que pensava deitar fora.

- Recicle aquilo que não pode reutilizar.

domingo, 26 de outubro de 2008

O Flappin Hog II para achigãs


A Gary Yamamoto lançou recentemente uma nova versão do isco Flappin Hog passando a designar-se por Flappin Hog II, disponível exclusivamente com o tamanho de 4 polegadas.
Este isco pode considerar-se posicionado entre os géneros de lagostim e criatura, permitindo uma enorme diversidade de utilizações. Apresenta uma consistência compacta e está provido de vários apêndices que simulam patas. Este desenho cria uma acção irresistível para os predadores, enquanto o vinil composto com sal, aumenta o tempo que o peixe retém o isco na boca.
Pode ser utilizado na montagem tradicional ao estilo do Texas ou Carolina. Aplicado num jig ou numa simples montagem Texas, é também particularmente indicado para as técnicas de pitching e flipping, produzindo nestas condições uma queda lenta por acção dos apêndices, o que dá tempo ao peixe a detectar o isco e a atacá-lo.
Pode ainda ser utilizado sem peso, como se de um senko se tratasse, quando pretendemos pescar zonas baixas ou os peixes estão mais próximo da superfície e assim evitar o ruído da queda na água.
Por oposição, instalado num cabeçote permite pescar zonas mais fundas e explorar localizações de peixes que doutra forma estariam acessíveis apenas às técnicas de finesse fishing.
Como se verifica, este isco é um extremamente polivalente e francamente indispensável na caixa dum pescador de achigãs.
O representante em Portugal da Gary Yamamoto Custum Baits é a Sulpesca.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A cavala


A cavala do Atlântico (Scomber scombrus) é um peixe bem conhecido dos pescadores de água salgada. Pertence à família dos escombrideos, tal como os atuns. São ferozes predadores e pouco selectivos, aproveitando tudo o que é comestível para saciar o apetite, motivado pelo seu movimento constante e por isso exigente, em termos energéticos. São extremamente velozes, o que quer dizer endiabrados lutadores, quando presos numa linha de pesca. Alguns peixes desta família têm a possibilidade de recolher parte das barbatanas no interior do corpo para diminuir o atrito na água, quando nadam a grande velocidade.
O corpo é fusiforme e hidrodinâmico, denotado aptidão para a velocidade. O dorso é esverdeado/azulado, com riscas em azul escuro, sendo a zona ventral quase branca. A cauda é francamente bifurcada. Podem atingir os 60 centímetros e quase três quilos e meio de peso. No entanto, uma cavala comum pesa entre as duzentas e as seiscentas gramas.
Formam grandes cardumes, constituídos por milhares de indivíduos, alimentando-se muitas vezes junto à costa, no período mais quente do ano.
Pesca
A cavala é dos peixes mais fáceis de pescar, quando se encontra próximo da costa, sendo uma boa espécie para os iniciados que rapidamente se contagiam com a sua espectacular luta. Como são pouco selectivas, atacam qualquer género de isco, incluindo os artificiais, como zagaias pequenas, colheres e amostras duras que imitam peixes.
Pescada à pluma com streamers e outras imitações de peixes é simplesmente uma das espécies mais acessíveis e lutadores que um mosqueiro pode encontrar nas nossas águas costeiras.
Como são fáceis de pescar e se movimentam em grandes cardumes, facilmente se cometem exageros por parte dos pescadores. Pode parecer que existem em grande quantidade, mas o que é certo é que se não se verificar uma consciência preservadora da nossa parte, em breve lhes acharemos a falta, como aconteceu com o seu parente atum, nas águas do Algarve.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dois quilos de carpa à pluma.

Este sábado, o sortudo da pesca voltou a fazer estragos nas carpas, enganadas com um monte de penas enroladas num anzol dos pequenos.

A maior ficou registada em fotos e pesou dois quilos na nossa balança.

- Epáh… parecia uma locomotiva sem vagões… dizia ele.

Foi libertada, como não podia deixar de ser.






sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Feira Norcaça e Norpesca


Decorre este fim-de-semana de 16 a 19 em Bragança, a VII Feira Internacional Norcaça e Norpesca. O certame propõe ao visitante várias actividades, como uma montaria ao Javali, Provas de Sto. Humberto, Tiro, Técnicas e Segredos da Pesca, Exposições, Concurso de Pesca, demonstrações de Pesca, debates dobre Caça & Pesca e ainda Passagem de Modelos.
As actividades estendem-se por vários locais embora o Centro Empresarial de Bragança - NERBA, receba os visitantes da Feira e das acções indoor.

O horário é o seguinte:
Dia 16: 17.00h às 23.45h
Dia 17: 12.00h às 23.45Dia 18: 08.00h às 23.45h
Dia 19: 08.00h às 19.00h

A Organização propõe-se atingir vários objectivos tais como:
- Um projecto de valorização do património cinegético, piscícola, gastronómico e turístico do Norte.
- Um desafio a todos os caçadores, pescadores, agentes económicos e amantes da natureza.
- Um chamamento à melhor gestão dos nossos recursos hídricos e piscícolas.
- Uma evidência de que os nossos muitos rios necessitam de urgente protecção da sua variada, mas já escassa, fauna ictiológica.
- Uma resposta aos que crêem, e sempre acreditaram, no futuro da sua terra.
- Um espaço de reflexão e convívio sobre novas tecnologias, novas estratégias de protecção da caça, da pesca e do ambiente e sobre a identificação das agressões ilícitas à fauna cinegética e piscícola.
- Um encontro de todos com a natureza, a arte e a cultura de um povo.
- Um compromisso com a juventude, determinada a defender o seu património natural.
- A consciencialização de que a utilização racional dos nossos ricos recursos naturais é geradora de riqueza para todos.
- A determinação em apresentar estratégias técnicas para o aproveitamento da riqueza cinegética e piscícola do Norte de Portugal.

Para mais informações consulte o site da feira ou faça o download do cartaz

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ao fim do dia

Embora o S. Pedro nos possa ainda prendar com uns dias de pesca aceitáveis, aproveito para deixar aqui uma colectânea de fotografias de finais de tarde, obtidas no seguimento das nossas jornadas de pesca deste ano.

São poucas, mas feitas com gosto e boa vontade.

São puras, porque não sofreram qualquer tratamento digital, tendo por isso o mérito da oportunidade das cores, dos locais, da visão do fotógrafo e até das imperfeições, naturais em tudo o que existe e é natural.

Pena que os cheiros, para mim associados a cada uma, não se possam deixar aqui.
Haverá quem, ao vê-las, lhes consiga subtrair esse cheiro, porque lhe é familiar.
Esses são os privilegiados que entendem a Natureza e por isso a amam, dependendo dessa dependência para viver tranquilamente.

Haverá outros para quem estas palavras são têm sentido. Esses, provavelmente, terão algum outro tipo de anti-depressivo...













Máquina Fotográfica - Pentax K100 Super

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A delicadeza contra a força

Por vezes, o gozo da pesca obtém-se pescando de forma muito diferente da habitual. Por vezes, mais vale apanhar um peixe, do que muitos...

O dia de Março estava soalheiro, quente até para época e convidativo para um passeio no rio. Preparei o material de pesca ao achigã, embora o meu objectivo nesse dia fosse realmente outro. Se as condições o permitissem iria tentar capturar um barbo ou uma carpa, com o equipamento de pesca à pluma.
Quando o tempo está calmo, com pouco vento e os dias começam a aquecer é frequente ver nos nossos rios, carpas e barbos de respeito, passeando calmamente junto à superfície em busca de algum insecto caído na água.
Assim, é teoricamente possível pescar estes peixes quase da mesma forma que se pescam as trutas, ou seja com imitações de insectos confeccionados por nós, quer flutuem à superfície ou afundem lentamente.
Comecei por procurar nos pequenos recantos abrigados da ligeira brisa desse dia, sinais das movimentações dos ciprinídeos. Com efeito, num deles havia várias carpas mais pequenas em cardume e uma ou outra solitária de tamanho apreciável, patrulhando a superfície.

Embora tivesse no barco uma cana de pluma de linha #8 que uso para os achigãs e é mais poderosa, optei pela das trutas, de linha #5 e por isso mais ligeira, pela maior discrição na apresentação do isco ao peixe. Assim era possível a queda da pluma na água, sem assustar as carpas que vagueavam a dez centímetros da superfície
Empatei no terminal de 0.14mm, uma ninfa de cabeça dourada em anzol nº 16. Trata-se da imitação de um insecto que passa uma parte da sua vida na água e que depois sobe à superfície para passar à fase alada.
A carpa à qual dirigi o primeiro lançamento passou ao lado do isco sem sequer lhe dispensar atenção. Algumas das seguintes, não reagiam ou mudavam de direcção. Outras ainda, dirigiam-se ao isco mas no último instante recusavam-no, desviando-se.
Estas que se dirigiam ao isco e se desviavam no último instante, tinham a particularidade de me acelerar descontroladamente o ritmo do coração, tornando esta pesca pouco recomendável a cardíacos. E se elas eram grandes...
Apesar de tentar manter alguma esperança, uma vez que algumas se interessavam pelo isco, confesso que estava já com alguma falta de fé...
Nisto, detecto mais uma potencial captura que vinha na minha direcção, nadando paralelamente à margem. Faço o lançamento e puxo ligeiramente o fio para que a imitação se posicione quase à sua frente, caindo lentamente para não a assustar. O peixe direcciona-se para o isco e suga-o de imediato. Ferro instantaneamente. O peixe dispara numa corrida quase à tona e uma dezena de metros depois, efectua um enorme salto fora de água como se fosse um achigã!!!
Eiaaaa…incrível, uma carpa a saltar durante o combate... E é enorme!... digo atabalhoadamente enquanto tento dominar minimamente a situação.
Nisto, o peixe inicia uma corrida fortíssima em direcção ao meio do rio, afundando sempre e levando quase toda a “cauda de rato” que tenho no rudimentar carreto. Volta e mais volta, dá linha, recupera linha...
Quarenta minutos depois de ferrada, o Zé Pedro consegue finalmente içá-la no camaroeiro para dentro do barco. É bem grande, e uma pequena proeza para mim que sempre quis pescar desta forma muito especial, mas que dá um enorme prazer pelo que exige de nós. E uma carpa deste tamanho é um digno adversário para um equipamento tão frágil.

O nylon onde atei a pluma tinha segundo o fabricante uma resistência de 2.300Kg, sem nós, o que não era obviamente o caso. A carpa pesou na minha balança digital 3.400 kg, sendo após a sessão de fotografias, devolvida de imediato à água pelo Zé Pedro.

O que é que mais eu podia oferecer a este peixe, que me proporcionou quarenta minutos de adrenalina, senão a vida?

Texto da minha autoria, publicado no jornal "Correio da Manhã" de 26 de Maio de 2002
P.S. - Lamento a qualidade das fotos mas são "AD" -Antes do Digital!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

II Festival Gastronómico do Achigã

Clique na imagem para ampliar

À semelhança do ocorrido no ano transacto, Vila de Rei volta a organizar o Festival Gastronómico do Achigã, que segundo consta, terá sido um enorme sucesso.
Com efeito e a par de outro tipo de organizações, como por exemplo de cariz desportivo, em que se pretende chamar a atenção das entidades responsáveis para a preservação do achigã, este evento será certamente mais um óptimo contributo para esse objectivo.
Poderão assim os órgãos tutelares deste recurso, incrementem a ténue fiscalização na pesca desportiva, com o objectivo de evitar que nunca falte o ingrediente principal a este já famoso Festival Gastronómico.
Oxalá por isso que o Chefe Silva que até “provou achigã noutro local, mas que não tinha o tempêro daqui”, nunca saia de Vila de Rei, sem ir saciado com esta exótica iguaria. Sim, porque o achigã é uma espécie exótica…
Espero também que a famosíssima Filipa Vacondeus tenha já idealizado uns pastéis que lhe permitam aproveitar as espinhas e peles que sobraram dos diversos pratos de achigã, e no fundo concretizar mais uma iguaria, na linha daquilo a tornou eminente.
Faço votos ainda que a ASAE, tão zelosa da qualidade alimentar dos produtos que nos servem nos restaurantes, se certifique da origem, das condições de transporte, da embalagem e da higiene em geral dos achigãs a confeccionar, bem como das facturas emitidas pelos pescadores, supostamente profissionais que fornecem os restaurantes, que amavelmente aderiram a este festival.

Bom apetite!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Kit Pluma: Hiro e Daiwa, linha #5/6

Graças ao actual desenvolvimento da pesca à pluma no nosso país, a Fário Desporto decidiu criar um conjunto cana/carreto para quem pretende iniciar-se nesta modalidade.
Este kit é constituído por uma cana Hiro Clasic Fly de 8 pés para linha #5/6 e um carreto Daiwa Lochmore-S 300, para linha #5/6 também.

A cana, construída em carbono possuiu uma excelente acção de ponta, sendo indicada para trutas, mas também muito adequada para a pesca de ciprinídeos de tamanho médio.
Uma capa em pano macio acomoda a cana, que por sua vez é inserida num tubo rígido de transporte, que lhe proporciona uma protecção completa e evita danos no equipamento.

O carreto é construído em metal de liga leve e possui um excelente acabamento em pintura cinza metalizada e prima pela simplicidade, robustez e fiabilidade.

O preço de venda deste conjunto é de 50€ e está disponível na loja Fário Desporto, na cidade da Covilhã.
Mais informações pelo telefone 275 341 455.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Alburno


O alburno (Alburnus alburnus), ou ablete como o designam os franceses, é mais uma das espécies introduzidas recentemente em Portugal. A albufeira do Caia, próximo de Campo Maior, foi a primeira massa de água portuguesa onde se verificou a sua presença, há cerca de sete anos, indiciando a sua chegada de águas espanholas e trazido, segundo se crê, por pescadores desportivos. De facto esta espécie já existe na bacia do Ebro há quase duas dezenas de anos, aparentemente trazia de Itália, mas já disseminada um pouco por toda a Europa.
Trata-se de um pequeno ciprinídeo, bastante parecido com o escalo. É no entanto mais espalmado e de cor prateada, com o dorso esverdeado escuro, por oposição ao dourado do escalo. É bastante activo e encontra-se sempre em busca de comida, normalmente em pequenos cardumes desorganizados e junto à superfície da água. Alimenta-se de plâncton e pequenos insectos, crustáceos, larvas e tudo o que possa servir de alimento para refrear a sua voracidade. Os ovos são postos na areia, cascalho ou rocha, a baixa profundidade. Cresce até cerca dos vinte centímetros e por isso não tem particular interesse desportivo. No entanto e uma vez que procura insectos próximo da superfície, pode ser pescado à pluma, com imitações de insectos em anzóis 16 a 20.
Em alguns locais onde foi introduzido é já considerado uma praga e compete directamente com as espécies instaladas, saindo normalmente vencedor devido ao seu insaciável apetite.
É um adversário sem escrúpulos, para os pequenos ciprinídeos autóctones, como as bogas, escalos e ruivacos e barbos, recomendando-se por isso que não se proceda à sua introdução noutras massas de água, uma vez que irá contribuir de forma activa para a diminuição drástica das referidas espécies.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sopa de Plástico


Cientistas alertam para a enorme quantidade de lixo plástico despejado nos oceanos de todo o mundo. Referem as duas enormes ilhas de plástico flutuante do Oceano Pacifico, que são já consideradas as maiores concentrações de lixo do mundo, com cerca de mais de 1000 km de extensão. Esta dupla concentração de lixo extende-se a partir da costa da Califórnia, atravessa o Havai e chega a meio caminho do Japão, atingindo uma profundidade de cerca de 10 metros e 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos.
Pedaços de redes de pesca, garrafas, tampas, bolas, bonecos, sapatos, isqueiros, sacos de plásticos, pequenos pedaços impossíveis de identificar e muito de tudo o que é possível ser fabricado em plástico. Segundo os mesmos cientistas, a mancha de lixo, ou sopa de plástico tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.
Esta mancha encontra-se actualmente dividida em duas grandes áreas, ligadas por uma parte estreita, junto ao atol de Midway. Um marinheiro que navegou pela área disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. “Como foi possível fazermos isso?Naveguei mais de uma semana sobre todo aquele lixo...”.
Refira-se ainda que todas as peças plásticas fabricadas desde que se inventou este material e que de alguma forma não foram recicladas, ainda estão em algum lugar do planeta. Simplesmente porque a generalidades dos plásticos demoram entre os 300 e os 500 anos a decompor.
Tamanha quantidade de lixo plástico é grave para a vida marinha. Segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas, o plástico constitui 90% de todo o lixo flutuante nos oceanos e é a causa da morte de mais de um milhão de aves marinhas todos os anos, bem como de mais de cem mil mamíferos marinhos.
Rolhas, isqueiros e escovas de dentes já foram encontrados nos estômagos de aves mortas, principalmente albatrozes, que os engolem pensando tratar-se de comida.
Com quero que fique a pensar nisto, sugiro que veja um vídeo do YouTube sobre a autópsia dum albatroz. Se tiver estômago para isso...
Estima-se ainda que cada metro quadrado de oceano contenha cerca de 46 mil pedaços de plástico. Cerca de cem milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos e 10% acabam invariavelmente no mar. Cerca de um quinto do lixo vem de navios e plataformas petrolíferas, o restante vem de terra.
Está também nas nossas mãos evitar a utilização abusiva de produtos de plástico. Evite os produtos com embalagens sofisticadas e recorra aos sacos reutilizáveis.
Aliás, vai ter que se habituar a isso, porque em breve terá que os pagar um a um, em todos os lugares onde for às compras…

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Formiga Alada de 2 componentes


Aos primeiros raios de sol e após estas primeiras chuvadas de Outono que já ocorrem por todo o país, várias espécies de formigas aladas surgem a esvoaçar pelo campo. Vão proporcionar alimento a muitos animais que aproveitam o banquete há muito esperado, antes do difícil período do Inverno, em que quase não há insectos. Os peixes, nomeadamente os ciprinideos, não fogem à regra e tal como répteis, pássaros e até mamíferos, aproveitam tanto quanto podem esta breve fonte de proteínas.
É por isso a altura ideal para a pesca dos ciprinideos à pluma, com as imitações da conhecida formiga de asa ou agúdia, mas sem asas...
Aqui fica a minha versão de formiga, que como sou adepto da simplicidade, usa apenas além do anzol, dois componentes: Fio de montagem multifilar 3/0 de cor preta para corpos e uma pena de hackle, também preta.
O anzol pode ser de qualquer marca, desde que seja fino, entre os nºs 14 e 16 para mosca seca.

Depois de o prender o anzol no torno, preenche-se o corpo com fio de montagem desde o olhal até à curvatura, aproveitando a ponta do fio para fazer várias dobragens junto a esta e assim começar a dar mais volume ao futuro corpo.

Fazem-se várias voltas sobrepostas para construir o abdómen, com o objectivo de imitar o da formiga.

Coloca-se o hackle, dando uma volta com fio de montagem para segurar a ponta e aplica-se um pouco de cola de cianocrilato, para dar resistência à união.



Fazem-se quatro voltas com o hackle e prende-se novamente o extremo com o fio de montagem.



Dobram-se os pêlos do hackle para trás com os dedos para facilitar a construção da cabeça, conseguida também com várias voltas do fio.
Depois, ata-se com o nó e fixa-se com mais um pouco de cola de cianocrilato, para rematar.
Está feita a nossa formiga de asa, mas sem asas.

É exactamente por isso que as formigas caem na água, visto que perdem as asas naturalmente após algum tempo de voo…
Os barbos e as carpas e são os peixes mais gulosos por formigas e também mais interessantes para a pesca à pluma. No entanto as bogas, as percas, os escalos e bordalos e outros ainda, são também potenciais presas para a nossa simples formiga sem asas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Walking the dog ou passear o cão...


Pescar qualquer peixe seja de água doce ou salgada com amostras de superfície, tem sempre qualquer coisa de mágico. A imagem que de imediato associo a esta pesca é a de um teatro de marionetas, em que as amostras são as marionetas inanimadas. Com mestria e inspiração, tornam-se verdadeiros seres vivos que nadam, chapinham, saltam e cospem água. Ou seja, rapidamente passam de seres inanimados a bichos irrequietos e endiabrados de um momento para o outro, desde que o mestre animador tenha talento para isso...
Na categoria das amostras “passeantes” encontramos os iscos que trabalham à superfície, descrevendo um percurso de curtos ziguezagues. É o chamado “walking the dog” como dizem os americanos que se pode traduzir por “passear o cão”. Esta parábola surgiu porque quando passeamos o cão ele vai de um ao outro lado da rua, cheirando todos os obstáculos ao seu alcance.
Para conseguir esta acção deve imprimir-se na cana ao recolher, uma sequência de curtos e rápidos toques de ponteira, para que a amostra venha a até nós em constante mudança de direcção, enquanto se recolhe o fio. Nesta categoria de amostras, encontra-se aquela que conseguiu enganar o “nosso” recorde nacional e europeu. Não é de estranhar, visto que este tipo de iscos produz habitualmente peixes grandes.
São amostras que lançam bastante longe devido ao tamanho e consequentemente ao seu peso. A desvantagem disto surge aquando do contacto com a água, sendo habitualmente ruidoso. Por isso há necessidade de lançar para além do local onde pretendemos pescar, para que abordagem da amostra ao local pretendido seja mais natural. Ou ainda, pouco antes da queda na água, com o dedo indicador, trava-se a saída do fio, baixando ao mesmo tempo a ponteira da cana, conseguindo-se desta forma amortecer o impacto na água.
Como locais de eleição para a sua utilização encontram-se as árvores caídas, docas, plataformas de captações de água ou pilares de pontes, ou qualquer ouro tipo de estrutura que possa dar abrigo e local de emboscada a um achigã.
Quando utilizadas no mar os pontos ter em conta são os mesmos, ou seja a discrição ao contacto com a água e a sua utilização aplicada aos locais onde possam circular os predadores.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O GPS - como funciona?


Uma das tecnologias cada vez mais utilizadas pelos pescadores, principalmente os que pescam embarcados, é a do GPS. A variedade e proliferação de modelos, a par do abaixamento dos preços, também vulgarizou a sua utilização nos restantes transportes, particularmente nas viaturas, sendo um precioso auxiliar nas viagens por estradas e caminhos desconhecidos.
Este sistema, criado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e com fins militares, foi posteriormente disponibilizado para a população civil de todo o planeta, embora o seu controlo e manutenção continue sob jurisdição do referido Departamento.
Existem actualmente dois sistemas de Navegação Global por Satélite em operação: O sistema GPS (Global Position System) Americano e o mais utilizado pela sociedade civil e o sistema GLONASS (Global Navigation Satellite System) Russo.
Um terceiro sistema denominado Galileu está em desenvolvimento na Europa com o objectivo de aumentar os níveis de precisão, importante para a segurança em todo o género de transportes, sem ser necessário expandir os sistemas existentes. Ainda assim, os sistemas GPS e GLONASS estão a ser desenvolvidos para conseguir uma maior precisão, utilizando estações terrestres e satélites geostacionários em regiões específicas.

Como funciona
Qualquer sistema de navegação e posicionamento global é constituído por uma constelação de satélites que circundam o planeta e transmitem sinais de rádio de alta-frequência. Estes sinais contêm dados de tempo e posição, que são recebidos num receptor - o nosso receptor GPS, e permitem obter a localização precisa, em qualquer ponto do globo em que nos encontremos.
Os satélites dedicados ao posicionamento global transmitem ininterruptamente informações sobre períodos de tempo e posições, à medida que giram numa órbita geoestacionária. O receptor de GPS recebe essas informações e utiliza estes dados para calcular a sua posição exacta a partir da triangulação de satélites. Ao receber informações da posição de cada satélite, o receptor compara a hora a que os sinais foram transmitidos e a hora a que eles foram recebidos, calculando assim a distância a que cada satélite está, bem como a sua própria posição.
Como se percebe, a medição do tempo torna-se um factor extremamente importante, pelo que a sua precisão dos relógios de todo o sistema deverá ser máxima. No caso dos satélites, utilizam-se relógios atómicos que recorrem à excitação do átomo de Césio 133, que vibra com uma frequência de 9.192.631.770 por segundo e cuja precisão não foi ainda ultrapassada por nenhuma tecnologia de medição do tempo.
Para o mínimo de precisão, o receptor necessita de informação recebida de pelo menos três satélites, que depois é apresentada como coordenadas no display do aparelho. Como sabemos, todos os locais do planeta são identificados por dois conjuntos de números denominados coordenadas. A coordenada de um local é o ponto exacto onde uma linha horizontal designada latitude, se cruza uma linha vertical designada longitude.
Desta forma e conhecendo a sua posição instantânea, além das coordenadas, o receptor de GPS facilmente calcula com precisão a velocidade - se estiver em deslocação, bem como tempos de viagem, distância percorrida, azimute, altitude, etc.. Pode inclusive fazer gráficos de altitude, traçar percursos, memorizar rotas percorridas, distâncias até ao destino, dependendo do grau de sofisticação de cada receptor.