"Se as várias estimativas que temos recebido se concretizarem, em 40 anos ficaremos sem peixe"

- Pavan Sukhdev, economista e consultor da ONU, sobre o eventual esgotamento dos recursos piscícolas a nível mundial, em 2050 (In Visão 20/26 Maio 2010)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Rescaldo da Feira de Mora

Sulpesca - Gary Yamamoto

Decorreu no passado fim de semana, a VI edição da MoraPesca - Feira de artigos de Pesca Desportiva.
Estiveram presentes cerca de 18 expositores, espalhados por três pavilhões, que divulgaram as suas últimas novidades em material de pesca e relacionados, para o corrente ano.
Em peso, esteve a Barros & Trabucco, com o maior espaço de exposição da feira e um enorme sortido de material para a pesca de competição e mar, bem como muitos acessórios.
Em termos de pesca ao achigã, destaque para a Sulpesca – Gary Yamamoto, com um variado sortido de iscos artificiais, bem como as embarcações da famosa marca Triton e Lynx, estas últimas mais económicas.
Referencia para a Vega, que faz questão de estar sempre presente nestes eventos, evidenciando a sua atenção para com os pescadores. A prova desta postura é o facto do seu espaço estar repleto com os Campeões Nacionais 2007 - o Team Vega, que de forma descontraída respondiam às questões dos visitantes.

Vega

Aconteceram ainda outras acções em simultâneo como a demonstração de várias técnicas de pesca, no lago artificial do recinto da Feira, bem como se procedeu à entrega de prémios em cerimónias que decorreram no Auditório Municipal.
Notaram-se as ausências de algumas marcas, que pelos vistos não consideram importante o contacto directo com os potenciais clientes ou simplesmente não acham justificável o investimento numa Feira de pesca de nível nacional.
Estava também completamente vazio o espaço dedicado à Federação Portuguesa de Pesca Desportiva, o que não deixa de ser lamentável. Afinal de contas, a entidade máxima na representação dos pescadores portugueses, não esteve na festa da Pesca.

Bassboats - Barcos para achigãs



Um modelo em fibra com 18 pés, em plena navegação

Existem algumas considerações que devemos ter em conta, ao tentarmos perceber o porquê, da pesca ao achigã se efectuar normalmente de barco. Não existem grandes dúvidas que os achigãs que se encontram num período de actividade, ou seja em busca de comida, se encontram mais localizados junto das margens. E é fácil entender o porquê desta localização. Uma boa parte, senão a grande maioria dos alimentos que o achigã come, provêm das margens ou zonas baixas.
Poderíamos ainda referir um dos motivos que leva este peixe até zonas pouco profundas: A sua reprodução, com toda a actividade que envolve essa tarefa, importantíssima para um achigã, independentemente do seu sexo.
A ter em conta ainda que caminhando ao longo da margem, é mais fácil assustar esses peixes que se encontram activos, ou pelo menos, deixá-los de sobreaviso. Por outro lado, pescar de barco dá-nos sempre a possibilidade de chegar a outros locais, completamente inacessíveis da margem. Desta forma temos acesso a ilhas, zonas rochosas de grande declive, margens de vegetação densa, sem acesso por terra, e locais menos utilizados pela maioria dos pescadores.

Barcos para achigãs
Apesar de qualquer barco servir para pescar achigãs, existem os que efectivamente foram concebidos para este tipo de pesca, conhecidos por “bassboats” ou barcos para a pesca do achigã. Têm um factor comum: conjugam factores como a estabilidade quando em acção de pesca, com elevadas performances ao navegar, atingindo boa velocidade, factor importante quando se pesca em competição.
Devemos considerar, que os barcos para a pesca do achigã são fabricados em dois tipos de material, sem contudo existirem vantagens de relevo entre o alumínio e a tradicional fibra de vidro. Os fabricados em alumínio possuem vantagens que os de fibra de vidro não têm e vice-versa.
O mais importante terá certamente a ver com o gosto pessoal do pescador, sendo também o elemento custo, um dado a ter em conta, com a vantagem neste campo para os de alumínio. Estes são também mais leves, quando comparados com os construídos em fibra e de tamanho idêntico. Neste caso, é possível obter uma performance ao navegar semelhante ao rival de fibra, com um motor de menor potência e naturalmente de menor consumo.


Um modelo de 17 pés, construção de alumínio


No entanto, não há bela sem senão. O alumínio se não estiver pintado escurece e mancha com facilidade e as linhas do casco são visualmente menos atraentes. Em caso de forte ondulação e devido à (geralmente fraca) hidrodinâmica habitual nestes modelos, estes “batem” mais, tornando o navegar mais penoso que os cascos em fibra.

A estabilidade
A condição que se pode realmente considerar mais importante neste tipo de barco, é sem dúvida a estabilidade. Estes barcos possuem plataformas a que chamamos decks e que servem para os pescadores se instalarem em acção de pesca. Como estão a um nível mais elevado que o fundo do barco, permitem efectuar sem dificuldade alguns tipos de lançamentos, como o pitching e o flipping que doutra forma não seriam muito fáceis de executar. Uma vez que os decks nos dão um amplo espaço de manobra, percebe-se que se o barco não possuir alguma estabilidade, o constante baloiçar lateral pode causar algum desconforto.

O viveiro
Trata-se de um espaço estanque, que é cheio com água oxigenada e renovada periodicamente, através de uma bomba eléctrica accionada por um sistema de comando com temporizador ajustável. Este equipamento é de extrema utilidade quando se pesca em competição, visto que os peixes devem obrigatoriamente ser apresentados vivos à pesagem, e por isso em condições de serem libertados.

O compartimento das canas
O local para arrumação de canas está também contemplado neste tipo de barcos. É muito útil, uma vez que permite o transporte e arrumo das canas de pesca, em condições de segurança.

O motor eléctrico
Para as deslocações silenciosas e posicionamento em acção de pesca, o motor eléctrico é outro elemento fundamental numa embarcação deste tipo. É com este pequeno motor que nos aproximamos sem ruído e consequentemente, sem assustar os achigãs. Existem modelos que possuem um sistema de comando com o pé, o que nos deixa as duas mãos disponíveis a tempo inteiro para a pesca. Funcionam alimentados por baterias de 12 volts, idênticas às que habitualmente se utilizam nos automóveis. Alguns modelos estão equipados com um dispositivo electrónico - Duramp ou Maximaiser, dependendo do nome dos dois maiores fabricantes, que permite uma poupança da carga da bateria.


Vista superior com um lay-out típico dum barco de pesca ao achigã


A sondaTrata-se de um dispositivo que possui um écran de cristais líquidos, onde são continuamente apresentados os objectos (peixes) em suspensão na água e o relevo do fundo do local onde nos encontramos. A profundidade desse local é também representada no écran. Este é a função básica de qualquer sonda, por mais simples que seja. Alguns modelos mais completos apresentam temperatura da água, a velocidade instantânea do barco, distância percorrida e diversos alarmes de peixe e profundidades.

Este tipo de barcos possui ainda vários compartimentos localizados na zona inferior das plataformas, onde se pode armazenar diverso material, como caixas com material de pesca, coletes salva-vidas, roupas, alimentos e bebidas ou a palamenta da embarcação.
Embora não seja de todo necessário possuir um barco para a pesca do achigã, este facilita-nos bastante a pesca, sendo por isso uma aquisição a considerar para quem pretenda fazer uma pesca mais séria ou enveredar pela competição.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Aquicultura pode disseminar doenças


A produção de espécies aquícolas, fundamentalmente de mar, com elevado interesse para a alimentação humana é hoje uma realidade e um meio de suprimir as carências existentes nos recursos selvagens.
No entanto, parece estar provado que essa produção intensiva pode disseminar doenças e parasitas nas populações selvagens, uma vez que é possível a partilha de locais próximos, durante uma parte das suas vidas.
Outras das preocupações prendem-se com a poluição originada pelos dejectos produzidos pela elevada densidade de peixes num pequeno espaço e pela utilização intensiva de fármacos que pode influenciar e fragilizar as espécies que vivem no espaço natural.
Para ver um pequeno vídeo sobre o Colóquio “Seafood Summit 2008” realizado em Janeiro na cidade de Barcelona, clique aqui para a National Geographic.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Nó de Barril


Trata-se de um nó destinado a unir duas pontas de fio, de diâmetro pouco diferente, sendo um dos fundamentais para qualquer pescador, independentemente do género de pesca que realize. O seu nome deve-se ao formato final, que se assemelha a um barril.

Apesar de funcionar muito bem nos nylons e fluocarbonos, também pode ser utilizado com a maioria dos fios multifilares. No entanto, para os multifilares, nada melhor que efectuar alguns testes para confirmar a sua eficácia, visto que dependendo do tipo de fibra utilizado no fabrico, pode não parar de correr, impedindo a sua utilização.

Como habitualmente, deve-se humedecer a zona do nó para que "corra" melhor e não deteriore o fio por aquecimento.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Feira Nauticampo 2008


Sob o lema “Prazeres da Natureza” vai decorrer na FIL de Lisboa, de 9 a 17 de Fevereiro de 2008, mais uma edição da Nauticampo - Feira de Naútica, Campismo e actividades de lazer.
Segundo a organização pretende-se nesta edição, "acolher novos desafios, desenvolver novas e diferentes actividades, mais dinâmicas e interactivas, elevando desta forma, a sua projecção e notoriedade junto do seu público-alvo, e de uma forma ainda mais eficiente, criar uma maior proximidade e interacção com o mercado e as tendências que marcam o seu futuro".
Horários
- Sábados e Dias Uteis 15h00/23h00
- Domingos 10h00/20h00

Preço dos Bilhetes
- Sénior/Jovem - 2,50€

- Individual - 5,00€

Para mais informações consulte o site da FIL/Nauticampo

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Feira MoraPesca 2008

Clicar no cartaz, para aumentar o tamanho da imagem

Vai decorrer nos dias 8, 9 e 10 de Fevereiro de 2008 a VI MoraPesca, considerada a maior feira de artigos de pesca e acessórios relacionados, realizada a nível nacional.
O certame decorre como é já habitual, no Pavilhão Municipal de Exposições, com os seguintes horários de funcionamento:

Sexta, 08 Fevereiro
- 17h30 Cerimónia de Inauguração da Feira / 22h00 Encerramento do recinto da Exposição
Sábado, 09 Fevereiro
- 10h00 Abertura do recinto da Exposição / 23h00 Encerramento
Domingo, 10 Fevereiro
-10h00 - Abertura do recinto da Exposição / 20h00 - Encerramento da VI MoraPesca

Para mais informações, consulte o site da Câmara Municipal aqui, e depois, logo a seguir ao Cartaz da Feira Nacional do Tomate.

Até lá!

domingo, 20 de janeiro de 2008

O anzol, peça de arqueologia

Anzóis antigos, expostos no Museu das Ruínas de Conimbriga

Apesar de os anzóis hoje à venda no mercado serem manufacturados com a mais recente tecnologia, este artefacto é o que menos evoluiu desde à milhares de anos até ao nossos dias.
Quando empatamos um dos nossos anzóis, no extremo da nossa linha de fluorcarbono, bobinada num carreto com muitos rolamentos de inox e construído em grafite, instalado numa cana de carbono de alto módulo reforçado por fibras XPTO, não temos em conta que na História da pesca, esse objecto foi que menos se modificou nos últimos 20.000 anos.
Esta actividade, que o Homem primitivo desenvolveu para sobreviver, foi também uma das que naturalmente mais o obrigou a pensar e aguçar o engenho, para que as suas saídas para a pesca fossem cada vez mais produtivas. Por isso, terá nascido um gancho manufacturado em osso e/ou espinha, eventualmente preso a um pau e que servia para içar os peixes atraídos pelo alimento, colocado maliciosamente no artefacto curvo.
Com efeito, os mais antigos objectos que se podem classificar como anzóis, foram encontrados na zona da antiga Checoslováquia. Eram fabricados em osso de mamífero, e pertenciam a pescadores cujas jornadas de pesca decorreram há 20.000 anos atrás.
Os arqueólogos encontraram anzóis primitivos construídos em osso, espinha de peixe e madeira, em quase todos os locais do mundo. Algures na Escandinávia foram encontrados anzóis datados de um período com cerca de 10.000 anos. No Este da América do Norte foram encontradas gravuras rupestres da idade do Bronze, representando pescadores com varas, linhas, anzóis e peixes.
Na antiga Mesoptânia, em 4.000 A.C., construíam-se anzóis em cobre, surpreendentemente parecidos com os dos nossos dias. Os olhais, as curvas e barbelas mudaram muito pouco desde então. Hoje, os fabricantes usando tecnologia da era espacial, limitam-se basicamente a melhorar o design e o material que constitui o anzol.Provavelmente, os primeiros pescadores desportivos foram os Egípcios, segundo gravuras encontradas. Representavam vários pescadores há 2.000 anos A.C. usando canas, linhas e anzóis.
Na realidade, existem duas vertentes básicas que são as que estão em constante evolução e desde à 4.000 anos: A facilidade ou capacidade de penetração e a resistência à tracção.
A capacidade de penetração, prende-se fundamentalmente (mas não só), com a espessura, qualidade e tipo do bico do anzol. A resistência à tracção é a outra vertente a que os fabricantes estão atentos e desenvolvem continuamente, estando estes dois vectores directamente interligados.
Para melhorar a penetração recorre-se hoje a revestimentos derrapantes, como é o caso do Teflon e pontas de tipo especial, com formatos inovadores e materiais mais resistentes, que mantêm o bico sempre afiado. Estes por sua vez, são afiados a lazer, por processos químicos, etc.. Para melhorar a capacidade de penetração, tenta-se produzir um anzol mais fino - perfura melhor, mas que deve manter a capacidade de resistir aos ímpetos do peixe, ou seja é necessário manter a resistência à tracção. Se assim não fosse, o anzol “abria” ou seja, perdia o formato inicial, o que levaria à inevitável perda da captura.
O recurso a materiais mais resistentes, como o carbono, o tungsténio, titânio, inox, ou misturas entre estes elementos, permite obter uma maior ligeireza e capacidade de penetração, enquanto se mantêm a resitência à tracção. Outro processo para manter essa capacidade passa por "forjar" - que consiste em esmagar ligeiramente - a zona da curvatura, perfilando o metal para a ganhar resistência no sentido que nos interessa.
Desta forma, consegue-se um melhor desempenho dos dois binómios mais importantes, que determina a qualidade final do produto, que hoje reconhecemos no “velho” anzol que distraídamente aplicamos na ponta do fio.

Texto da minha autoria, publicado no Jornal "Correio da Manhã" de 22 Setembro de 2001

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Grifos na Web


A atestar que os grifos, cegonhas pretas e restante passarada do Parque Natural do Tejo Internacional pode e deve ser um meio de atrair visitantes à Raia, está a quantidade de visitantes e comentadores a neste site, recentemente divulgado.
On-line e 24 horas por dia, uma câmara vigia o local de nidificação de um casal de grifos (Gyps fulvus) nas escarpas das Portas de Ródão mas que está até ao momento a ser disputado por um outro indivíduo isolado de outra espécie de grifo (Gyps rueppellii), desconhecido ou raro em Portugal. Parece história de Big Brother, como já vários comentários referiram!!!

Este projecto foi desenvolvido no âmbito do programa Público na Escola, um projecto do Jornal PÚBLICO que visa estimular a conservação da Natureza e a protecção do Ambiente junto dos alunos das Escolas Básicas e Secundárias.
As entidades envolvidas neste projecto são a Refer, responsável pela instalação da câmara e de toda a infraestrutura tecnológica que permite as imagens em directo; a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), responsável pela disponibilização do sinal e por gravar todas as acções no ninho para posterior divulgação; a SIC, que fará a cobertura televisiva ao longo de toda a época de nidificação; e o próprio Jornal Público, que fornecerá as imagens em directo através do seu site e promoverá as acções educativas junto das escolas.
Como se calcula, à noite dificilmente se consegue observar alguma coisa e durante o dia, as aves podem não estar no local. No entanto a época que se aproxima é a da (re)construção do ninho pelo que se prevê muita actividade e vai/vem.

Pena é que as pessoas se limitem a este espectáculo "voyeurista" pela tecnologia dos PC´s e da comunicação e não se promova a visita aos próprios locais, para cheirar a Natureza e disfrutar de um passeio de barco pelo nosso Tejo, que tanto tem para mostrar.
O que seria de bom para todos os comentadores, se tivessem a oportunidade de observar as aves no local...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Activistas reféns em baleeiro japonês


Um australiano e um britânico da organização Sea Shepard Conservation Society, estão retidos há 48 horas no navio baleeiro japonês “Yushin Maru 2”. Na terça-feira, os dois activistas saltaram da sua embarcação “Steve Irwin” para o navio japonês para entregar uma carta a salientar que é ilegal caçar baleias. Ver video aqui

Minoru Morimoto, do Instituto japonês de Investigação sobre Cetáceos (ICR), admitiu que os dois activistas estão detidos mas negou terem sido mal tratados.

“- É ilegal entrar nos navios de outro país em mar alto. Por isso, estão a ser mantidos sob custódia, enquanto são tomadas decisões sobre o seu futuro”.

Os japoneses acusam ainda os activistas de terem tentado danificar o navio, que se encontra a Sul da Austrália.

A Sea Shepard informou entretanto que a tripulação do baleeiro colocou condições para a libertação dos dois homens, algo que a associação considera inaceitável.
“- Usar reféns para fazer exigências é a marca do terrorismo e a Sea Shepard não tem interesse em negociar com grupos terroristas”, comentou o capitão Paul Watson.

Ver notícia completa e video . Fonte: Público

domingo, 13 de janeiro de 2008

A taínha


Desprezada por uns, procurada por outros, este peixe das nossas águas acaba por ser uma das espécies mais difíceis de pescar para os pescadores de mar.
A taínha é fundamentalmente uma espécie de água salgada. Encontra-se com facilidade em estuários de rios, molhes, cais e ancoradouros marítimos e zonas rochosas junto à costa. Encontra-se também a muitos quilómetros acima da foz dos rios, que mantêm ligação directa ao mar, isto é, sem barragens que lhe parem a subida. É por isso fácil pescarem-se taínhas, junto a Mértola, no Guadiana ou no Tejo, junto a Belver, a jusante da barragem com o mesmo nome, ou em outros locais de características semelhantes.
As espécies mais abundantes são três: a Chelon labrosus, identificável por possuir os lábios muito grossos, conhecida por taínha de lábios grossos ou liça. A Liza ramada, diferenciada da anterior pelos lábios mais finos, pela pequena mancha escura junto à raiz das barbatanas peitorais e cauda menos pontiaguda e a Liza aurata, vulgarmente chamada de garrento, identificável pela pequena mancha dourada junto ao opérculo e tonalidade geral amarelada.
De todas, a que atinge maior tamanho é a de lábios grossos ou liça, sendo vulgares as de dois a três quilos, alcançando contudo os cinco a seis. A fataça, de lábios finos, pode atingir os três, sendo esta a espécie que vulgarmente encontramos mais a montante nos nossos rios. O garrento raramente ultrapassa o quilo de peso.
Qualquer uma destas espécies é um poderoso lutador, quando preso no anzol. Gastronomicamente, não é dos peixes mais apetecidos.
A alimentação natural das taínhas baseia-se em pequenos organismos marinhos, algas, fitoplâncton, e detritos orgânicos de toda a espécie, incluindo os produzidos pelo Homem.
A taínha gosta de permanecer junto à costa, frequentando os locais onde encontra alimentação com facilidade. Normalmente deslocam-se em cardumes, compostos por algumas dezenas de indivíduos.
As taínhas são conhecidas pelos pescadores de mar, como peixes muito desconfiados e difíceis de pescar. Com efeito, pela forma como se alimenta, mais sugando do que comendo, este peixe exige fios finos e delicadeza na apresentação do isco.
A pesca à bóia é a forma mais convencional de capturar taínhas. Para tal, utiliza-se uma cana de passadores, entre os quatro e os seis metros de comprimento. Esta deve ser leve, robusta e com acção de ponta, ou seja bastante dura na sua acção. Também o carreto, bobinado com fio 0.18 a 0.22mm, deve ser pequeno, leve e dotado de uma embraiagem precisa, capaz de segurar os ímpetos deste vigoroso lutador.
As bóias podem ser de madeira de balsa de 0.5 a 1.5 gramas, se a pesca for feita num porto sem ondulação ou até às 15 gramas, se efectuada num local desabrigado, embora seja recomendável escolher os dias mais calmos, para pescar taínhas.
O fio do terminal do anzol, com cerca de trinta centímetros deve ser o mais fino possível, entre os 0.12 a 0.16mm. O anzol deve ser fino também e entre os nºs 8 e 12, consoante a desconfiança e o tamanho do peixe.
O isco mais utilizado para a taínha é a sardinha ou o carapau. Na sardinha deve tirar-se com cuidado a barbatana dorsal, ficando então os dois lombos de onde, com pequenos beliscos, se vai retirando a iscada. É errado cortar com uma faca!
Para melhores resultados é recomendável a utilização de engodo, feito com sardinha bem pisada num balde. Deve ser fino e lançado à água logo que cheguemos ao pesqueiro, para que vá atraindo as taínhas, dando-lhes confiança no alimento. Só depois devemos iniciar a pesca, aumentando a liquidez do engodo e diminuindo a frequência da engodagem.
Esta pesca é um óptimo desafio para quem gosta pescar fino e leve, o que não quer necessariamente dizer peixes pequenos...

Texto da minha autoria, publicado no Jornal "Correio da Manhã" de 9 de Junho de 2002

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Bill Dance bloopers - Cena II


Mais uma "argolada" do pró pescador de achigãs que a América mais aprecia: Mr. Bill Dance! Nesta cena o nosso amigo luta desenfreadamente contra um motor eléctrico ligado, que se separa do apoio do mesmo!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Conserve o Planeta, só temos este!

Tudo o que fizermos, voltar-se-á contra nós.
Infelizmente, o dinheiro e os interesses privados, muitos deles provenientes de quem devia dar o exemplo, fazem o Mundo girar...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Faculdade estuda peixes do Algarve


Embora não seja recente a marcação e estudo das espécies piscícolas com mais valor comercial e desportivo, uma recente notícia da LUSA informa a continuação e intensificação desse trabalho, iniciado já há uns anos pela Universidade do Algarve, que prevê até final de 2008 a marcação de mais de 5.000 peixes.
O projecto, que está a ser desenvolvido por investigadores da Faculdade de Ciências do Mar e Ambiente (FCMA), inclui a marcação de milhares de peixes juvenis, que se espera que sejam depois recapturados por pescadores ou pelos próprios técnicos.
Segundo disse à Lusa o coordenador do projecto, Karim Erzini, a ideia é que as marcas lhes sejam depois devolvidas pelos pescadores, mesmo que o peixe seja reposto na água, ou lhes sejam fornecidos os dados por telefone ou Internet, estando já disponível um formulário on- line.
Segundo um dos investigadores envolvidos no projecto, Jorge Gonçalves, uma das mais valias do estudo é a obtenção de dados sobre a abundância ou não das espécies comerciais ali existentes, essenciais para uma política integrada de gestão da pesca artesanal.
Os investigadores, que marcaram até agora 2.300 peixes, entre sargos, safias, choupas, robalos e douradas, vão também utilizar o sistema de telemetria para observar o comportamento dos peixes.
O estudo, orçado em 86.500 euros, estende-se até ao final do próximo ano e será totalmente financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Ao todo são cerca de dez os investigadores aliados ao estudo, que está a ser desenvolvido pelo Grupo de Investigação Pesqueira Costeira, inserido no Centro de Ciências do Mar da FCMA.

Veja a notícia completa aqui.

A idade dos peixes



Na crónica deste mês gostava de propor aos que sentem mais curiosidade sobre a vida dos peixes, um exercício que podemos fazer em casa. Trata-se de determinar a idade dos peixes que pescamos.
Esta questão tem obviamente mais interesse quando se trata de grandes exemplares, que não pescamos todos os dias, e que nos fazem pensar quanto tempo este peixe levou até atingir este peso.
Esta curiosidade pode ser satisfeita de uma forma muito simples. Basta-nos que cuidadosamente retiremos uma escama desse peixe de preferencia por baixo da barbatana peitoral, visto que são as que com mais facilidade proporcionam bons resultados. Depois desta operação podemos lavar a escama com água corrente deixando-a depois numa mistura com cerca de metade água e a outra metade com vinagre de cozinha, cerca de 12 horas. Depois basta passar por água corrente e enxugar com um pano seco ou guardanapo de papel, deixando-se de seguida, secar completamente.
Com facilidade e se for necessário em contraluz, conseguimos observar anéis concêntricos a partir do centro da escama. Poderemos recorrer a uma lupa, senão for fácil esta observação à vista desarmada. Cada espaço constituído por uma zona mais esbranquiçada e outra maior e mais transparente, constitui um ano de idade. A área mais clara e pequena corresponde ao período de inverno em que o crescimento é menor devido á pouca actividade desenvolvida. Os espaços maiores correspondem ao período de Verão, com o consequente aumento de actividade e correspondente aumento de crescimento.
Desta forma fácil podemos determinar a idade dos peixes maiores que pescamos ser ter que os sacrificar, deixando que permaneçam no espaço de água onde os pescamos, perpetuando assim a sua espécie.

Texto da minha autoria, publicado no Jornal "Voz do Campo", em Julho de 1999

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Nasceu 2008






































Primeiros momentos de 2008, em Castelo Branco, com uma temperatura de 1ºC.
Aproveito para desejar atodos os que por aqui passam, votos de um Bom Ano Novo, de preferência cheio de coisas boas.
José Gomes Torres







sábado, 29 de dezembro de 2007

Hoje fomos!


Hoje fomos tentar os peixes. Dar a despedida à velha Licença de Pesca de 2007, que pagamos anualmente e nem sabemos para quê, parecendo uma qualquer contribuição para um qualquer benefício obscuro e que a ninguém aproveita.
Já era tarde quando fomos, passava das 12H20.
Não para apanhar peixes, mas apenas para apanhar ar frio, água fria, mas também para apanhar ar puro, cheiro do campo e imagens belas.
Fomos a tempo ainda de ver os recantos libertarem gotículas de nevoeiro, tornando-os misteriosos e imaginários.
Fomos a tempo de ver as paisagens que bem conhecemos dos meses quentes, vestidas agora de Inverno.

Na água, a temperatura nunca subiu dos 12ºC chegando a baixar aos 9ºC, em alguns locais.
Cá fora o termómetro do ar nunca marcou mais que 12ºC.
Apesar do frio generalizado, em determinados momentos, a sonda encheu-se de peixes, dezenas deles. De que espécie seriam?
Foram os únicos que conseguimos ver e imaginar presos nas nossas amostras...

sábado, 22 de dezembro de 2007

Bom Natal!


Tentando ir um pouco contra o espirito que se apodera de nós nesta época - pegar num postalzinho giro da net e mandar para o maior número possível de amigos e conhecidos, aqui deixo o nosso presépio cá de casa.

Assim partilhamos um pouco daquilo que é mesmo nosso, da nossa família e que aqui fica para todos os que por aqui passam.

É bonito, simples, barato, feito com materiais 99% disponibilizados pela Natureza e por isso amigo do ambiente. E não foi feito num país longínquo, mas em Portugal.

Aqui fica, para todos os que visitam esta página!

Um Bom Natal para todos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Nó Palomar - o todo o terreno


Um dos nós mais polivalentes em qualquer género de pesca é o nó de Palomar e utiliza-se fundamentalmente para unir a linha de pesca a uma argola de acessório, chumbada ou amostra.
Com a linha dobrada depois de passar pela argola a atar, dá-se um vulgar nó simples mas largo, passando depois a argola de linha sobrante, pelo acessório a unir.
No último passo, a linha deve ser humedecida - à falta de melhor com saliva, permitindo o deslizar final da linha sem atrito e consequentemente sem desgaste.
Fica um nó duplo, resiste e de confiança, com uma pequena desvantagem em algumas circunstâncias: gasta-se bastante linha com a troca frequente de amostras.
Pessoalmente uso-o em todas as situações em que é possivel executá-lo, excepto no empate de plumas, para poupar ao máximo o pequeno tamanho do terminal de nylon.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Bill Dance bloopers - Cena I




Uma das inúmeras "argoladas" do pró pescador de achigãs que a America mais aprecia: Mr. Bill Dance!
Nesta cena, como proceder para engatar novamente o atrelado, depois de ele se desengatar ao meter o barco na água!

sábado, 15 de dezembro de 2007

Última Hora - EUA aceitam Bali


Depois de os Estados Unidos terem já afirmado no último dia de negociações que não iriam rectificar o acordo e depois de uma maratona de negociações durante a madrugada de hoje, todos os 190 países da Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas, aprovaram ontem o documento final após 13 dias de trabalho.

De forma inesperada e um dia a mais que o previsto inicialmente, os Estados Unidos aceitaram as objecções da China e da Índia, que pediam ‘‘mais acção’’ dos países desenvolvidos, na grande batalha contra o aquecimento global, optando por esta "fuga para a frente", que arrancou palmas e uma ruidosa manifestação de júbilo entre todos os presentes.

Apesar da inércia inicial, aqui fica o meu voto positivo pela coragem e sobretudo pelo longo caminho a percorrer, que este país tem pela frente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Cimeira sobre alterações climáticas



Terminou hoje em Bali - Indonésia, a Conferência Mundial sobre alterações climáticas e perdeu-se mais uma vez a possibilidade de ver o pais mais poluidor do mundo, tomar uma atitude digna de registo: assinar este acordo, que foi já ratificado pela Austrália.

As críticas à actual administração norte-americana chegaram esta quinta-feira também da União Europeia. Os 27 da União acusam Washigton de não tomar uma atitude aceitável para evitar as alterações climáticas em curso.

A CEE ameaça ainda boicotar o encontro em que os Estados Unidos pretendem juntar as principais economias mundiais para se falar sobre o clima, se os norte-americanos recusarem as metas de Bali para a redução das emissões de gases poluentes.
Os progressos desejados pela grande maioria dos participantes nesta cimeira passam pelas negociações nos próximos dois anos de um pacto sobre o aquecimento global que substitua o protocolo de Quioto.
É de facto lamentável tal atitude, do país supostamente mais evoluído do Mundo.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Os cinco sentidos


Os achigãs, bem como os restantes peixes e embora com aptidões diversas mas à semelhança dos seres humanos, possuem sentidos que utilizam de maneira muito parecida com a nossa.
O sentido que o achigã utiliza com mais frequência e aquele que é mais vital para a sua sobrevivência é sem sombra de dúvida a visão. Embora os olhos, ao estarem colocados um de cada lado só lhe permitam visão bifocal a escassos centímetros, conseguem distinguir cores se houver luz suficiente, sendo o vermelho a cor que melhor detectam, segundo estudos efectuados. Em situações de pouca luz apenas têm visão monocromática (preto e branco), mas apesar disso vêm melhor que os humanos, nas mesmas condições. Atendendo ao facto dos dois olhos se encontrarem no topo da cabeça, indicam que estão preparados para detectar facilmente presas e alimento que esteja num plano superior.
A audição é provavelmente o segundo sentido mais utilizado. Embora possua ouvidos internos situados logo atrás dos olhos que lhe permitem captar sons de alta frequência, (vibrações), é a linha lateral, zona que se estende lateralmente de ambos os lados do peixe desde os opérculos até à cauda que lhe permite detectar sons de baixa frequência produzidos até próximo dos 25 metros de distância.
O olfacto funciona pouco antes do peixe morder qualquer coisa e a uma distância relativamente curta. No entanto, à medida que o peixe vai crescendo, este sentido vai-se apurando visto que os órgãos detectores são em maior numero num peixe com dois quilos do que num com trezentas gramas.
O gosto e o tacto são utilizados logo que se dá o contacto do peixe com aquilo que mete na boca. De salientar que nos peixes, o tacto está na boca visto que é a única forma que têm para “pegar” nas coisas. Como se deve calcular um achigã terá mais probabilidades de “cuspir” de imediato um objecto duro e sem qualquer tipo de sabor, do que um que seja macio e que liberte uma substância que lhe sugira algo comestível. Daí o facto de actualmente se desenvolverem muitas amostras de plástico mole impregnadas de cheiro e de sabor, uma vez que estes dois sentidos estão interligados. Inclusive existem produtos à venda no mercado que são utilizados para dar cheiro e sabor ás amostras que não os trazem de origem, como é o caso dos iscos artificias fabricados em balsa ou plástico.
Texto da minha autoria, publicado no Jornal "A Voz do Campo" em Agosto de 1999

domingo, 9 de dezembro de 2007

Raid às luzes de Natal









Árvore de Natal na Devesa - agora "Docas Secas"















Câmara Municipal










Avenida Nuno Álvares















Perspectiva do antigo Passeio Verde












Vista geral da antiga Devesa






Outra prespectiva do antigo Passeio Verde
Este sábado, eu o meu filho e um amigo, todos com gosto por fotografia, aproveitamos a noite menos fria para fazer um raid às luzes de Natal da cidade de Castelo Branco.
Apesar da descarga precoce da bateria da minha máquina, aqui ficam algumas imagens.
A ter em conta que a iluminação é da autarquia e já lá vão os tempos de exageros e gastos desnecessários, na opinião de muitos albicastrenses, incluindo eu próprio.
Isto que podemos observar chega muito bem, porque estamos em hora de apertar o cinto, todos...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A hipocrisia no seu melhor!



Quando há uns dias pesquisava sobre determinado assunto de pesca, deparei-me com um espaço verdadeiramente sui generis.
Trata-se, como tantos outros, sobre uma espécie de organização de defesa dos direitos dos animais (que tal se o fizessem de pessoas em dificuldades económicas?), com supostas alegações de dor e sofrimento dos peixes, quando presos no anzol.
Pessoalmente não tenho qualquer dúvida que causo desconforto e sofrimento a qualquer peixe que se espete nos meus anzóis. Não tenho qualquer dúvida também, que quando pesco no mar e resolvo sacrificar alguns para comer, lhes causo sofrimento e morte por asfixia, porque os vejo nitidamente em sofrimento até ao seu final. Mas eu também sofro e tenho stress diariamente nos engarrafamentos, com os malucos que andam na estrada, com o meu trabalho. Apesar disso e como me apercebo desse sofrimento dos peixes, os maiores (que são cada vez menos) e que permitem esta estocada final, mato-os rapidamente, para que não sofram gratuitamente. Faço-o o mais depressa possível e com todo o respeito pelo animal que me proporcionou momentos de adrenalina, além de me proporcionar alimento de qualidade, sem rações de crescimento rápido.
Quando deparo com um espaço destes, a primeira coisa que me questiono é se estas pessoas não comem carne ou peixe. Muitos, são tão fundamentalistas que não comem, sei-o bem, são vegetarianos. Mas apesar disso, comem também seres vivos, como o são a alfaces, as beterrabas ou as substâncias dos tofús e dos seitans. Aliás, é do conhecimento científico que algumas plantas detectam a presença dos seus comedores e acrescentam determinadas substâncias aos seus sucos para que se tornem desagradáveis ao sabor. É bem conhecido o caso das acácias africanas que libertam substâncias venenosas, para se defenderem dos animais. Além disso, libertam também aromas para a atmosfera, que avisa literalmente as plantas vizinhas, da aproximação dos comedores de plantas. É caso para perguntar:
-E estes seres vivos vegetais, não têm direitos e podem ser comidos, causamdo-lhes sofrimento? Mas o mais caricato desta página é que nela própria, por vezes existem vários links de publicidade a artigos de pesca desportiva, paga por clic e que reverte a favor da organização!
Ou seja, visita-se uma página que está contra uma determinada actividade, mas ao lado há publicidade directa e renumerada, a essa mesma actividade! Incrível, não é?
Esta organização não merece, por estes motivos, a publicidade que lhe estou a fazer e consequentemente um incremento de visitas na sua página. Nem sequer um clic nos seus links.
Mas pelo menos, é caso para dizer mais uma vez “ Ele há coisas deprimentes, não há?”

domingo, 2 de dezembro de 2007

A Carta do Chefe Seattle


Embora tenha chegado até mim já há algum tempo e num vulgar e-mail, daqueles que recebemos às dezenas por dia, esta mensagem é perfeitamente a cada vez mais, actual e pertinente. Foi enviada em 1854 pelo Chefe Índio Seattle, da tribo dos Suquamish - Estado de Washington, costa Oeste dos Estados Unidos - ao então Presidente, Franklin Pierce, depois do Governo americano lhe ter proposto a compra do território ocupado pelo seu povo desde sempre. Apesar de extensa, vale a pena ler.


"
- Como podeis comprar ou vender o céu, o calor da terra? A ideia não tem sentido para nós. Se não somos donos da frescura do ar ou o brilho das águas, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, cada grão de areia nas praias, a neblina nos bosques sombrios, cada monte e até o zumbido do insecto, tudo é sagrado na memória e no passado do meu povo.
A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem a terra onde nasceram, quando empreendem as suas viagens entre as estrelas; ao contrário os nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os veados, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família.
Assim, quando o grande chefe em Washington envia a mensagem manifestando o desejo de comprar as nossas terras, está a pedir demasiado de nós. O grande Chefe manda dizer ainda que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente uns com os outros. Ele será então nosso pai e nós seremos seus filhos. Se assim é, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Isto não é fácil, já que esta terra é sagrada para nós. A límpida água que corre nos ribeiros e nos rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, recordar-se-á e lembrará aos vossos filhos que ela é sagrada, e que cada reflexo nas claras águas evoca eventos e fases da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai.
Os rios são nossos irmãos, e saciam a nossa sede. Levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se lhes vendermos a terra, deveis lembrar e ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos, e também o são deles, e deveis a partir de então dispensar aos rios o mesmo tratamento e afecto que dispensais a um irmão. Nós sabemos que o homem branco não entende o nosso modo de ser. Ele não sabe distinguir um pedaço de terra de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois de vencida e conquistada, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que se compram, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. O seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. E isso, eu não compreendo.
O nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer os olhos do homem vermelho.
Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreende...Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o desabrochar das folhas na primavera, o zunir das asas de um insecto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.
O vosso ruído insulta os nossos ouvidos. Que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs nas margens dos charcos e ribeiros ao cair da noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia e aromatizada pelo perfume dos pinhais. O ar é inestimável para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis recordar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O vento que deu aos nossos avós o primeiro sopro de vida é o mesmo que lhes recebe o último suspiro.
Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir saborear a brisa aromatizada pelas flores dos bosques. Por tudo isto consideraremos a vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, eu porei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo outro modo de vida. Tenho visto milhares de bisontes apodrecendo nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco de um comboio em andamento.Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o bisonte, que nós caçamos apenas para sobreviver.Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morrerá de solidão espiritual. Porque o que suceder aos animais afectará os homens. Tudo está ligado. Deveis ensinar a vossos filhos que o solo que pisam é a cinza de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, ensina-lhes que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe.

Quando o homem cospe sobre a terra, cospe sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos a certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra. O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Por fim talvez, e apesar de tudo, sejamos irmãos. Uma coisa sabemos, e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus.
Hoje pensais que Ele é só vosso, tal como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Também os brancos acabarão um dia talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai os vossos rios e uma noite morrerão afogados nos vossos resíduos.Contudo, caminhareis para a vossa destruição, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum desígnio especial vos deu o domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último bisonte for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes. Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu.
Termina a vida começa a sobrevivência.

"

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Achigã, o que é que este peixe nos faz?


Não são poucas as vezes que dou comigo a pensar qual é o motivo que optei por pescar este peixe tão estranho, com uma boca tão disforme, capaz de engolir uma presa quase do tamanho dele próprio, que normalmente não é fácil de enganar e que ainda por cima não existe em grande quantidade …
As respostas não me surgem com facilidade. Assim de repente, quase que me apetecia pescar outra espécie mais abundante, que me desse resultados mais concretos rápidamente e sobretudo, que me facilitasse um pouco a vida quando tento motivar alguém de novo ou mais novo, para este passatempo.
Em verdade se diga, trazer alguém para esta actividade, não se revela tarefa fácil, hoje em dia. Não é canja eu convencer o meu filho com dez anos, que se pode divertir a pescar achigãs…A ele, que nasceu no meio de amostras e palavrões como Zara Spook e Dying Flutter, constava das primeiras palavras que conseguiu balbuciar… No entanto, quando lhe pergunto se quer ir á pesca, nem pestaneja e fica com cara de quem acha que já lá devíamos estar… Dá-me ideia que por vezes tem mais vontade que eu próprio, embora acabe por gastar uma boa parte do tempo a passear as amostras junto ao barco.
É caso para perguntar: O que é que este estranho peixe nos faz? De que forma é que ele nos contamina as mentes para que nada nos faça desistir de o tentarmos convencer a atacar as nossas amostras?
Não há dúvida de que existe algo de mágico, de droga e dependência nesta pesca. As amostras, cada uma com a sua história, de pescarias passadas. As formas esquisitas dos iscos de plástico mole, que permitem um número quase infinito de montagens e puxam pela nossa imaginação. Os locais onde quase apostamos que, “ali está um grande” Os saltos que um bom achigã executa para sacudir a amostra que o traiu… Os nossos barcos, personalizados ao máximo, que nos gastam muitas horas de bricolage e “nunca está tudo como queremos” As histórias de quem foi a determinada barragem e “era só meter e tirar”... A amizade que se estabelece entre quem partilha a mesma dependência…O contacto que relaciona o bicho Homem e a Natureza, cada vez mais longe do nosso dia a dia … o ver nascer o Sol no meio da água e sentirmo-nos insignificantes perante o espectáculo…
Estas pequenas coisas serão partes importantes dum todo que provavelmente ninguém consegue descrever muito bem, com precisão e sem gaguejar. Provavelmente nenhum pescador de achigãs conseguirá explicar porque optou por pescar esta espécie. Não estou obviamente a considerar quem pesca com objectivos puramente gastronómicos. Estes apanhadores de peixe, facilmente responderão ao porquê desta questão.
É de facto uma questão que envolve algum misticismo, a nossa pesca. É sem dúvida uma grande paixão, pescar este peixe louco, que no fundo traduz um pouco da loucura desta pesca e destes pescadores.
Poucos serão os pescadores de achigãs que terão vindo de outros tipos de pesca. E os que vieram e ficaram, ainda não tinham tido oportunidade de encontrar o que procuravam. Esses já eram achiganistas sem o saberem.
É que um pescador deste peixe, já nasce com esse destino…
Publicado na revista "Achigã" da APPA, em 2000

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Arsénio na água que bebemos


É notícia recente que 4 dos 51 concelhos portugueses ultrapassaram em 2006, o limite máximo de arsénio, permitido por lei, na água das suas torneiras. Os resultados de análises foram efectuadas pelo Instituto Regulador da Água e Resíduos que tem a responsabilidade de controlar esta matéria.

Os concelhos referidos no estudo são os de Évora, Barcelos, Vila Franca de Xira e Pombal. Évora registou um incumprimento de 7,5% dos níveis máximos permitidos de arsénio na água. Logo depois, Barcelos (5%), Vila Franca de Xira (2,86%) e Pombal (1,75%).
O excesso de arsénio na água já suscitou preocupação junto da Organização Mundial de Saúde (OMS), devido aos graves problemas de saúde que pode causar, visto que há indicadores que revelam que este elemento aumenta o risco de cancro em bebés cujas mães beberam água contaminada durante a gravidez.

É caso para perguntar: Será dos barcos a motor dos pescadores desportivos que navegam nas nossas barragens?

Passando a ironia barata, nas albufeiras que abastecem as referidas regiões, não há navegação a motor nas águas de abastecimento público...

Nota negativa para quem toma conta da nossa água!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Um barbo dos grandes...


O André, na altura com 16 anos, tinha vindo passar uns dias comigo. Aproveitamos o facto de estarmos de férias em casa, para ir incomodar os achigãs.
- Epá, devias fazer aí uns pitchings, para eu ver como é que era e começar a fazer também para desenvolver essa técnica, disse ele.
-Então repara bem, vou montar um jig com um lagostim de plástico. Pegas no isco, balanceias a cana e com um impulso projectas para a frente, enquanto soltas a mão esquerda que segura a amostra. Capiche?
- Faz lá devagar, para eu ver.
Aproveito a sombra dum salgueiro que se estende sobre a água e imagino um achigã escondido lá em baixo, à espera duma presa distraída.
O isco entra na água e sinto de imediato um ataque. Ferro, enquanto o peixe assustado e sem poder afundar muito porque a margem é baixa, passa em frente ao barco com a barbatana dorsal fora de água e em velocidade máxima, fazendo um grande estardalhaço…
- Ena pá, ganda achigã GT!
- Vais o achigã que daqui vai sair, digo eu depois de já ter percebido que era um barbo comizo dos grandes e que de achigã só tinha o apetite…
Depois de várias correrias, afundanços e arranques à última da hora, o peixe é finalmente embarcado, não antes do camaroeiro dobrar, quando estava a ser içado pelo André.
Ficamos sem fala uns instantes, até que eu disse:
-Fooooogo!!!! Meu, ganda bicho!!!!!!
- Caraças, pá…
Pesou sete quilos e duzentas gramas e mediu oitenta e sete centímetros, sendo desta forma o segundo maior barbo comizo pescado desportivamente e que há memória aqui pelas redondezas, logo a seguir ao barbo que o Vasco pescou.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Planeta Terra


Uma das melhores séries sobre vida animal, produzida pela BBC e exibida entre nós pela SIC -passo a publicidade - foi agora editada em DVD.

Para além do conteúdo de inegável qualidade científica, esta série possui imagens absolutamente espectaculares, já habituais neste tipo de documentários, mas desta feita com a garantia da BBC.

Um pequeno video de apresentação, com um pouco mais de um minutos e quinze segundos, pode ser visto aqui.

A não perder, PLANETA TERRA...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Pedaços de roupa






Pedaços de lã, retidos pelo arame farpado e dourados pela luz dum cair da tarde de Outono.


Após várias passagens furtivas pela vedação, as ovelhas deixam acumulados pequenos pedaços de lã, que se vão amontoando como pedaços de roupa delas próprias, a enxugar ao sol.


Curioso efeito, este...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Siluro, o monstro


Embora aparentemente sejam vários os pescadores desportivos que afirmam existir já siluros (Silurus glanis) em Portugal, não foi até ao momento comprovada e muito menos documentada a sua existência em águas nacionais ou mesmo nos troços que fazem fronteira com o país vizinho.
Felizmente para nós, porque a introdução de uma espécie predadora de grandes proporções certamente iria causar um enorme desiquilibrio junto da população autóctone e exótica, considerando também a (ausência de) gestão das nossas águas interiores.
Este peixe é nativo em vários países: Afeganistão, Arménia, Áustria, Bulgária, China, Estónia, Georgia, Hungria, Irão, Lituania, Moldávia, República de Montenegro, Turquia, Uzbequistão, só para citar alguns exemplos.
Em Espanha existe desde a década de oitenta, nomeadamente no rio Ebro, suas albufeiras e afluentes, espalhando-se já em toda a bacia hidrográfica. Existe ainda noutras massas de água para onde foi transportando, sendo feitas algumas acusações às pessoas ligadas ao comércio de artigos e equipamentos de pesca desportiva.
Este peixe ultrapassa os cem quilos de peso, para tamanhos superiores aos dois metros e meio de comprimento e deve ser pescado com equipamentos de big game.
Os iscos vão desde amostras "tamanho XXL" a iscos naturais. Nas modalidades de isco vivo, das quais pessoalmente não sou adepto, são vulgarmente utilizadas carpas de meio quilo e também enguias, devido à sua resistência no anzol.
Na foto, um siluro bebé com cerca de quatro quilos que pesquei enquanto tentava os achigãs, na barragem de Mequinenza - Espanha. Pena a qualidade da imagem, mas na ocasião - 1999, as máquinas digitais ainda eram uma miragem.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Prestige, NUNCA MAIS






Faz precisamente hoje cinco anos que se deu início à maior catástrofe ecológica da Península Ibérica, que acabou por provocar o derrame de 77 mil toneladas de fuel-óleo nas costas espanholas e francesas. Com efeito, o pedido de socorro emitido pelo petroleiro Prestige às 15h15 do dia 13 de Novembro de 2002, dava apenas inicio a um calvário de más decisões, desorganização, braços de ferros e fraquezas, mas sobretudo de destruição de uma boa parte da vida marinha da "Costa da Morte".


Nem de propósito.


O Prestige, seis dias depois, partiu-se em dois e naufragou a 270 quilómetros em frente ao cabo de Finisterra, no extremo noroeste da Península Ibérica. Imediatamente espalharam-se pelo mar 20 mil toneladas de combustível.


Sobre as plataformas submarinas da Galícia e de Cantábrico jazem 347 toneladas de óleo. O casco partido do Prestige continuará a lançar ao mar uma tonelada diária durante os próximos 20 anos, advertiu o Centro de Pesquisas Energéticas, de Meio Ambiente e Tecnológicas do Ministério da Ciência e Tecnologia da Espanha.


Porquê?


Esperemos que NUNCA MAIS.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A minha primeira truta


O meu telefone tocou.
Era o Tó Zé.
Nem precisava de falar, que eu já adivinhava qual era o desafio...
-Queres ir ver se...
-Quero! Respondi prontamente.
-A que horas?
A tarde não convidava qualquer pessoa com o mínimo de bom senso a sair de casa. Chovia uma água miudinha daquelas que entram pelos ossos dentro.
-Tens um impermeável bom? - perguntou.
-Tenho e não tentes arranjar desculpas porque os peixes estão sempre molhados, mesmo que não chova – retorqui.
Chegamos e tratamos de vestir os impermeáveis rapidamente. Hoje vamos tentar percorrer uma zona completamente desconhecida, para os dois. O Tó Zé já tinha pescado e capturado algumas trutas, numa zona mais a jusante do local onde íamos começar hoje.
Após alguns lançamentos com a medalha dourada com pintas vermelhas nº2, uma truta com cerca de quinze centímetros atacou e lutou para se libertar, chegando quase até mim.
Espectaculares estes peixes!
Têm uma força incrível para o tamanho.
Mas, quando me preparava para lhe pegar, soltou-se.
Ainda bem, é porque não ficou muito picada com o anzol, pensei.
De qualquer forma ia libertá-la, porque não tinha o tamanho mínimo exigido por lei e considero que os peixes desportivos devem ser na sua maioria libertados. Ainda por cima há tão poucas...
Uns bons três quilómetros do local onde começamos e mais duas trutas iguais à primeira, surge um açude no rio. O meu companheiro faz uns lançamentos e continua subindo. Faço mais umas tentativas na queda de água, e resolvo lançar para parte de cima, ainda cá de baixo, mesmo para o meio do rio.
Fecho a asa de cesto do carreto depois da medalha entrar na água e sinto que o isco não vem.
-Bolas, isto já prendeu outra vez em qualquer coisa... digo entre dentes, sem me aperceber em quê. Cá em baixo, tenho dificuldade em ver para cima, no açude. Milésimos de segundos depois, sinto um violento puxão na cana, que me deixa à toa e sem saber o que se passa. Tento pôr-me em bicos de pés, na tentativa de perceber minimamente o que se está a passar, enquanto a cana se sacode sem descanso e o fio vai saindo do carreto aos esticões daquilo que só pode ser uma truta de respeito!!!
Quando finalmente consigo subir para a zona superior do açude enquanto lutava com uma verdadeira truta, vejo graças à limpidez das águas, a maior truta selvagem que já tinha visto, na curta minha existência de truteiro iniciado e inexperiente!
- Incrível! As minhas pernas tremem do esforço recente e da adrenalina. O peixe faz um salto fora de água, para se libertar, a uns bons oitenta centímetro de altura e a uns três metros de mim. Não vou conseguir pescá-la, pensei. Vai-se soltar ou partir o fio ou qualquer coisa do género, para aumentar ainda mais as “estórias” de pesca...
-Tóóóó Zééééé..., gritei.
Pelo menos ele vai ver a “fera” que estive quase a pescar !!!
O Tó Zé chega esbaforido e de olhos esbugalhados com o que vê, entra pela água até junto a mim, enquanto a truta se debate ainda. Se fosse um achigã deste tamanho, há muito que estava na minha mão. Já cansado, este belo peixe deixa-se capturar pelas mãos do meu companheiro de pesca.
- Formidável!!!... Onde é que ela estava, pá?
Não sei o que respondi, porque as minhas pernas não paravam de tremer tal como tudo o resto e o raciocínio estava perturbado...
Tinha atingido os meus objectivos... E tinha ficado provado que o peixe maior nem sempre foge... O Tó Zé ainda pescou nessa tarde duas trutas com mais de dezanove centímetros. Para mim tudo o resto deixou de ter importância nesse dia.
A minha primeira truta Fário a sério, pesava cerca de oitocentos gramas e media quarenta e dois centímetros. Tenho a certeza que vou demorar anos, até conseguir pescar uma maior.
Infelizmente, segundo nos informaram na povoação ribeirinha, a maioria das trutas do local são pescadas à bomba e com venenos, no período de Verão.
E nunca se viu um Guarda Florestal por ali...

Texto da minha autoria para o Correio da Manhã, publicado em Junho de 2001

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Gozando a últimas tardes de Outono


- Estava passande por aqui, quande da repente me dêu cá uma vontade de me dêtari...

Foto obtida a sul do Tejo, numa destas tardes.
Não admira, o tempo ameno que se mantém nestes últimos dias, convida à melancolia, à reflexão e pode facilmente levar-nos ao pensamento sobre quem somos, o que fazemos aqui, e que pode com facilidade ir mais para além disso... como se comprova.


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Peixes, 1/3 em risco na Europa


Segundo refere o site da National Geographic, mais de um terço das espécies dulciaquícolas da Europa enfrentam o perigo de extinção, segundo um relatório encontrado no Handbook of European Freshwater Fishes - Guia Europeu dos Peixes de Água Doce.
Este estudo refere que 200 das 522 espécies existentes, se encontram em situção crítica, estando mesmo 12 delas já extintas.
"A tarefa de conservação é mais difícil porque sobretudo são espécies pouco carismáticas e representam pouco valor para as populações", refere William Darwall, um responsável pelo estudo, da organização internacional IUCN - World Conservation Union.
Nesta listagem está infelizmente o nosso saramugo, que já referi neste post e aqui se pode identificar na última foto em baixo.
Para ler o artigo no site da National Geographic, clique aqui.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Nove quilos de barbo!


Foi já em 2000 que o meu amigo Vasco pescou no troço internacional do rio Tejo, este barbo comizo que fez a balança chegar ao 9 quilos e cem gramas.
O peixe foi pescado com um crankbait de balsa, cor de achigã e com fio multifilamento de 0.20mm.
Além de ser o maior barbo comizo que conheço a ser pescado desportivamente, o que se traduz num recorde, revela bem a agressividade desta espécie, que não se coíbe de atacar amostras que não lhe são destinadas.
Na ordem decrescente e logo depois deste, dos que eu conheço, está o que eu pesquei mas tinha apenas 7,200 kg, do qual em breve deixarei a foto.


sábado, 3 de novembro de 2007

Ensaio sobre exposições longas





A abertura prolongada do obturador duma máquina fotográfica permite obter imagens curiosas e pouco comuns.

Neste caso, fotos obtidas durante a deslocação de um veículo.