"Se as várias estimativas que temos recebido se concretizarem, em 40 anos ficaremos sem peixe"

- Pavan Sukhdev, economista e consultor da ONU, sobre o eventual esgotamento dos recursos piscícolas a nível mundial, em 2050 (In Visão 20/26 Maio 2010)

sábado, 29 de dezembro de 2007

Hoje fomos!


Hoje fomos tentar os peixes. Dar a despedida à velha Licença de Pesca de 2007, que pagamos anualmente e nem sabemos para quê, parecendo uma qualquer contribuição para um qualquer benefício obscuro e que a ninguém aproveita.
Já era tarde quando fomos, passava das 12H20.
Não para apanhar peixes, mas apenas para apanhar ar frio, água fria, mas também para apanhar ar puro, cheiro do campo e imagens belas.
Fomos a tempo ainda de ver os recantos libertarem gotículas de nevoeiro, tornando-os misteriosos e imaginários.
Fomos a tempo de ver as paisagens que bem conhecemos dos meses quentes, vestidas agora de Inverno.

Na água, a temperatura nunca subiu dos 12ºC chegando a baixar aos 9ºC, em alguns locais.
Cá fora o termómetro do ar nunca marcou mais que 12ºC.
Apesar do frio generalizado, em determinados momentos, a sonda encheu-se de peixes, dezenas deles. De que espécie seriam?
Foram os únicos que conseguimos ver e imaginar presos nas nossas amostras...

sábado, 22 de dezembro de 2007

Bom Natal!


Tentando ir um pouco contra o espirito que se apodera de nós nesta época - pegar num postalzinho giro da net e mandar para o maior número possível de amigos e conhecidos, aqui deixo o nosso presépio cá de casa.

Assim partilhamos um pouco daquilo que é mesmo nosso, da nossa família e que aqui fica para todos os que por aqui passam.

É bonito, simples, barato, feito com materiais 99% disponibilizados pela Natureza e por isso amigo do ambiente. E não foi feito num país longínquo, mas em Portugal.

Aqui fica, para todos os que visitam esta página!

Um Bom Natal para todos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Nó Palomar - o todo o terreno


Um dos nós mais polivalentes em qualquer género de pesca é o nó de Palomar e utiliza-se fundamentalmente para unir a linha de pesca a uma argola de acessório, chumbada ou amostra.
Com a linha dobrada depois de passar pela argola a atar, dá-se um vulgar nó simples mas largo, passando depois a argola de linha sobrante, pelo acessório a unir.
No último passo, a linha deve ser humedecida - à falta de melhor com saliva, permitindo o deslizar final da linha sem atrito e consequentemente sem desgaste.
Fica um nó duplo, resiste e de confiança, com uma pequena desvantagem em algumas circunstâncias: gasta-se bastante linha com a troca frequente de amostras.
Pessoalmente uso-o em todas as situações em que é possivel executá-lo, excepto no empate de plumas, para poupar ao máximo o pequeno tamanho do terminal de nylon.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Bill Dance bloopers - Cena I




Uma das inúmeras "argoladas" do pró pescador de achigãs que a America mais aprecia: Mr. Bill Dance!
Nesta cena, como proceder para engatar novamente o atrelado, depois de ele se desengatar ao meter o barco na água!

sábado, 15 de dezembro de 2007

Última Hora - EUA aceitam Bali


Depois de os Estados Unidos terem já afirmado no último dia de negociações que não iriam rectificar o acordo e depois de uma maratona de negociações durante a madrugada de hoje, todos os 190 países da Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas, aprovaram ontem o documento final após 13 dias de trabalho.

De forma inesperada e um dia a mais que o previsto inicialmente, os Estados Unidos aceitaram as objecções da China e da Índia, que pediam ‘‘mais acção’’ dos países desenvolvidos, na grande batalha contra o aquecimento global, optando por esta "fuga para a frente", que arrancou palmas e uma ruidosa manifestação de júbilo entre todos os presentes.

Apesar da inércia inicial, aqui fica o meu voto positivo pela coragem e sobretudo pelo longo caminho a percorrer, que este país tem pela frente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Cimeira sobre alterações climáticas



Terminou hoje em Bali - Indonésia, a Conferência Mundial sobre alterações climáticas e perdeu-se mais uma vez a possibilidade de ver o pais mais poluidor do mundo, tomar uma atitude digna de registo: assinar este acordo, que foi já ratificado pela Austrália.

As críticas à actual administração norte-americana chegaram esta quinta-feira também da União Europeia. Os 27 da União acusam Washigton de não tomar uma atitude aceitável para evitar as alterações climáticas em curso.

A CEE ameaça ainda boicotar o encontro em que os Estados Unidos pretendem juntar as principais economias mundiais para se falar sobre o clima, se os norte-americanos recusarem as metas de Bali para a redução das emissões de gases poluentes.
Os progressos desejados pela grande maioria dos participantes nesta cimeira passam pelas negociações nos próximos dois anos de um pacto sobre o aquecimento global que substitua o protocolo de Quioto.
É de facto lamentável tal atitude, do país supostamente mais evoluído do Mundo.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Os cinco sentidos


Os achigãs, bem como os restantes peixes e embora com aptidões diversas mas à semelhança dos seres humanos, possuem sentidos que utilizam de maneira muito parecida com a nossa.
O sentido que o achigã utiliza com mais frequência e aquele que é mais vital para a sua sobrevivência é sem sombra de dúvida a visão. Embora os olhos, ao estarem colocados um de cada lado só lhe permitam visão bifocal a escassos centímetros, conseguem distinguir cores se houver luz suficiente, sendo o vermelho a cor que melhor detectam, segundo estudos efectuados. Em situações de pouca luz apenas têm visão monocromática (preto e branco), mas apesar disso vêm melhor que os humanos, nas mesmas condições. Atendendo ao facto dos dois olhos se encontrarem no topo da cabeça, indicam que estão preparados para detectar facilmente presas e alimento que esteja num plano superior.
A audição é provavelmente o segundo sentido mais utilizado. Embora possua ouvidos internos situados logo atrás dos olhos que lhe permitem captar sons de alta frequência, (vibrações), é a linha lateral, zona que se estende lateralmente de ambos os lados do peixe desde os opérculos até à cauda que lhe permite detectar sons de baixa frequência produzidos até próximo dos 25 metros de distância.
O olfacto funciona pouco antes do peixe morder qualquer coisa e a uma distância relativamente curta. No entanto, à medida que o peixe vai crescendo, este sentido vai-se apurando visto que os órgãos detectores são em maior numero num peixe com dois quilos do que num com trezentas gramas.
O gosto e o tacto são utilizados logo que se dá o contacto do peixe com aquilo que mete na boca. De salientar que nos peixes, o tacto está na boca visto que é a única forma que têm para “pegar” nas coisas. Como se deve calcular um achigã terá mais probabilidades de “cuspir” de imediato um objecto duro e sem qualquer tipo de sabor, do que um que seja macio e que liberte uma substância que lhe sugira algo comestível. Daí o facto de actualmente se desenvolverem muitas amostras de plástico mole impregnadas de cheiro e de sabor, uma vez que estes dois sentidos estão interligados. Inclusive existem produtos à venda no mercado que são utilizados para dar cheiro e sabor ás amostras que não os trazem de origem, como é o caso dos iscos artificias fabricados em balsa ou plástico.
Texto da minha autoria, publicado no Jornal "A Voz do Campo" em Agosto de 1999

domingo, 9 de dezembro de 2007

Raid às luzes de Natal









Árvore de Natal na Devesa - agora "Docas Secas"















Câmara Municipal










Avenida Nuno Álvares















Perspectiva do antigo Passeio Verde












Vista geral da antiga Devesa






Outra prespectiva do antigo Passeio Verde
Este sábado, eu o meu filho e um amigo, todos com gosto por fotografia, aproveitamos a noite menos fria para fazer um raid às luzes de Natal da cidade de Castelo Branco.
Apesar da descarga precoce da bateria da minha máquina, aqui ficam algumas imagens.
A ter em conta que a iluminação é da autarquia e já lá vão os tempos de exageros e gastos desnecessários, na opinião de muitos albicastrenses, incluindo eu próprio.
Isto que podemos observar chega muito bem, porque estamos em hora de apertar o cinto, todos...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A hipocrisia no seu melhor!



Quando há uns dias pesquisava sobre determinado assunto de pesca, deparei-me com um espaço verdadeiramente sui generis.
Trata-se, como tantos outros, sobre uma espécie de organização de defesa dos direitos dos animais (que tal se o fizessem de pessoas em dificuldades económicas?), com supostas alegações de dor e sofrimento dos peixes, quando presos no anzol.
Pessoalmente não tenho qualquer dúvida que causo desconforto e sofrimento a qualquer peixe que se espete nos meus anzóis. Não tenho qualquer dúvida também, que quando pesco no mar e resolvo sacrificar alguns para comer, lhes causo sofrimento e morte por asfixia, porque os vejo nitidamente em sofrimento até ao seu final. Mas eu também sofro e tenho stress diariamente nos engarrafamentos, com os malucos que andam na estrada, com o meu trabalho. Apesar disso e como me apercebo desse sofrimento dos peixes, os maiores (que são cada vez menos) e que permitem esta estocada final, mato-os rapidamente, para que não sofram gratuitamente. Faço-o o mais depressa possível e com todo o respeito pelo animal que me proporcionou momentos de adrenalina, além de me proporcionar alimento de qualidade, sem rações de crescimento rápido.
Quando deparo com um espaço destes, a primeira coisa que me questiono é se estas pessoas não comem carne ou peixe. Muitos, são tão fundamentalistas que não comem, sei-o bem, são vegetarianos. Mas apesar disso, comem também seres vivos, como o são a alfaces, as beterrabas ou as substâncias dos tofús e dos seitans. Aliás, é do conhecimento científico que algumas plantas detectam a presença dos seus comedores e acrescentam determinadas substâncias aos seus sucos para que se tornem desagradáveis ao sabor. É bem conhecido o caso das acácias africanas que libertam substâncias venenosas, para se defenderem dos animais. Além disso, libertam também aromas para a atmosfera, que avisa literalmente as plantas vizinhas, da aproximação dos comedores de plantas. É caso para perguntar:
-E estes seres vivos vegetais, não têm direitos e podem ser comidos, causamdo-lhes sofrimento? Mas o mais caricato desta página é que nela própria, por vezes existem vários links de publicidade a artigos de pesca desportiva, paga por clic e que reverte a favor da organização!
Ou seja, visita-se uma página que está contra uma determinada actividade, mas ao lado há publicidade directa e renumerada, a essa mesma actividade! Incrível, não é?
Esta organização não merece, por estes motivos, a publicidade que lhe estou a fazer e consequentemente um incremento de visitas na sua página. Nem sequer um clic nos seus links.
Mas pelo menos, é caso para dizer mais uma vez “ Ele há coisas deprimentes, não há?”

domingo, 2 de dezembro de 2007

A Carta do Chefe Seattle


Embora tenha chegado até mim já há algum tempo e num vulgar e-mail, daqueles que recebemos às dezenas por dia, esta mensagem é perfeitamente a cada vez mais, actual e pertinente. Foi enviada em 1854 pelo Chefe Índio Seattle, da tribo dos Suquamish - Estado de Washington, costa Oeste dos Estados Unidos - ao então Presidente, Franklin Pierce, depois do Governo americano lhe ter proposto a compra do território ocupado pelo seu povo desde sempre. Apesar de extensa, vale a pena ler.


"
- Como podeis comprar ou vender o céu, o calor da terra? A ideia não tem sentido para nós. Se não somos donos da frescura do ar ou o brilho das águas, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, cada grão de areia nas praias, a neblina nos bosques sombrios, cada monte e até o zumbido do insecto, tudo é sagrado na memória e no passado do meu povo.
A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem a terra onde nasceram, quando empreendem as suas viagens entre as estrelas; ao contrário os nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os veados, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família.
Assim, quando o grande chefe em Washington envia a mensagem manifestando o desejo de comprar as nossas terras, está a pedir demasiado de nós. O grande Chefe manda dizer ainda que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente uns com os outros. Ele será então nosso pai e nós seremos seus filhos. Se assim é, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Isto não é fácil, já que esta terra é sagrada para nós. A límpida água que corre nos ribeiros e nos rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, recordar-se-á e lembrará aos vossos filhos que ela é sagrada, e que cada reflexo nas claras águas evoca eventos e fases da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai.
Os rios são nossos irmãos, e saciam a nossa sede. Levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se lhes vendermos a terra, deveis lembrar e ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos, e também o são deles, e deveis a partir de então dispensar aos rios o mesmo tratamento e afecto que dispensais a um irmão. Nós sabemos que o homem branco não entende o nosso modo de ser. Ele não sabe distinguir um pedaço de terra de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois de vencida e conquistada, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que se compram, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. O seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. E isso, eu não compreendo.
O nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer os olhos do homem vermelho.
Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreende...Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o desabrochar das folhas na primavera, o zunir das asas de um insecto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.
O vosso ruído insulta os nossos ouvidos. Que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs nas margens dos charcos e ribeiros ao cair da noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia e aromatizada pelo perfume dos pinhais. O ar é inestimável para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis recordar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O vento que deu aos nossos avós o primeiro sopro de vida é o mesmo que lhes recebe o último suspiro.
Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir saborear a brisa aromatizada pelas flores dos bosques. Por tudo isto consideraremos a vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, eu porei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo outro modo de vida. Tenho visto milhares de bisontes apodrecendo nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco de um comboio em andamento.Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o bisonte, que nós caçamos apenas para sobreviver.Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morrerá de solidão espiritual. Porque o que suceder aos animais afectará os homens. Tudo está ligado. Deveis ensinar a vossos filhos que o solo que pisam é a cinza de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, ensina-lhes que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe.

Quando o homem cospe sobre a terra, cospe sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos a certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra. O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Por fim talvez, e apesar de tudo, sejamos irmãos. Uma coisa sabemos, e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus.
Hoje pensais que Ele é só vosso, tal como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Também os brancos acabarão um dia talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai os vossos rios e uma noite morrerão afogados nos vossos resíduos.Contudo, caminhareis para a vossa destruição, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum desígnio especial vos deu o domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último bisonte for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes. Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu.
Termina a vida começa a sobrevivência.

"

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Achigã, o que é que este peixe nos faz?


Não são poucas as vezes que dou comigo a pensar qual é o motivo que optei por pescar este peixe tão estranho, com uma boca tão disforme, capaz de engolir uma presa quase do tamanho dele próprio, que normalmente não é fácil de enganar e que ainda por cima não existe em grande quantidade …
As respostas não me surgem com facilidade. Assim de repente, quase que me apetecia pescar outra espécie mais abundante, que me desse resultados mais concretos rápidamente e sobretudo, que me facilitasse um pouco a vida quando tento motivar alguém de novo ou mais novo, para este passatempo.
Em verdade se diga, trazer alguém para esta actividade, não se revela tarefa fácil, hoje em dia. Não é canja eu convencer o meu filho com dez anos, que se pode divertir a pescar achigãs…A ele, que nasceu no meio de amostras e palavrões como Zara Spook e Dying Flutter, constava das primeiras palavras que conseguiu balbuciar… No entanto, quando lhe pergunto se quer ir á pesca, nem pestaneja e fica com cara de quem acha que já lá devíamos estar… Dá-me ideia que por vezes tem mais vontade que eu próprio, embora acabe por gastar uma boa parte do tempo a passear as amostras junto ao barco.
É caso para perguntar: O que é que este estranho peixe nos faz? De que forma é que ele nos contamina as mentes para que nada nos faça desistir de o tentarmos convencer a atacar as nossas amostras?
Não há dúvida de que existe algo de mágico, de droga e dependência nesta pesca. As amostras, cada uma com a sua história, de pescarias passadas. As formas esquisitas dos iscos de plástico mole, que permitem um número quase infinito de montagens e puxam pela nossa imaginação. Os locais onde quase apostamos que, “ali está um grande” Os saltos que um bom achigã executa para sacudir a amostra que o traiu… Os nossos barcos, personalizados ao máximo, que nos gastam muitas horas de bricolage e “nunca está tudo como queremos” As histórias de quem foi a determinada barragem e “era só meter e tirar”... A amizade que se estabelece entre quem partilha a mesma dependência…O contacto que relaciona o bicho Homem e a Natureza, cada vez mais longe do nosso dia a dia … o ver nascer o Sol no meio da água e sentirmo-nos insignificantes perante o espectáculo…
Estas pequenas coisas serão partes importantes dum todo que provavelmente ninguém consegue descrever muito bem, com precisão e sem gaguejar. Provavelmente nenhum pescador de achigãs conseguirá explicar porque optou por pescar esta espécie. Não estou obviamente a considerar quem pesca com objectivos puramente gastronómicos. Estes apanhadores de peixe, facilmente responderão ao porquê desta questão.
É de facto uma questão que envolve algum misticismo, a nossa pesca. É sem dúvida uma grande paixão, pescar este peixe louco, que no fundo traduz um pouco da loucura desta pesca e destes pescadores.
Poucos serão os pescadores de achigãs que terão vindo de outros tipos de pesca. E os que vieram e ficaram, ainda não tinham tido oportunidade de encontrar o que procuravam. Esses já eram achiganistas sem o saberem.
É que um pescador deste peixe, já nasce com esse destino…
Publicado na revista "Achigã" da APPA, em 2000

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Arsénio na água que bebemos


É notícia recente que 4 dos 51 concelhos portugueses ultrapassaram em 2006, o limite máximo de arsénio, permitido por lei, na água das suas torneiras. Os resultados de análises foram efectuadas pelo Instituto Regulador da Água e Resíduos que tem a responsabilidade de controlar esta matéria.

Os concelhos referidos no estudo são os de Évora, Barcelos, Vila Franca de Xira e Pombal. Évora registou um incumprimento de 7,5% dos níveis máximos permitidos de arsénio na água. Logo depois, Barcelos (5%), Vila Franca de Xira (2,86%) e Pombal (1,75%).
O excesso de arsénio na água já suscitou preocupação junto da Organização Mundial de Saúde (OMS), devido aos graves problemas de saúde que pode causar, visto que há indicadores que revelam que este elemento aumenta o risco de cancro em bebés cujas mães beberam água contaminada durante a gravidez.

É caso para perguntar: Será dos barcos a motor dos pescadores desportivos que navegam nas nossas barragens?

Passando a ironia barata, nas albufeiras que abastecem as referidas regiões, não há navegação a motor nas águas de abastecimento público...

Nota negativa para quem toma conta da nossa água!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Um barbo dos grandes...


O André, na altura com 16 anos, tinha vindo passar uns dias comigo. Aproveitamos o facto de estarmos de férias em casa, para ir incomodar os achigãs.
- Epá, devias fazer aí uns pitchings, para eu ver como é que era e começar a fazer também para desenvolver essa técnica, disse ele.
-Então repara bem, vou montar um jig com um lagostim de plástico. Pegas no isco, balanceias a cana e com um impulso projectas para a frente, enquanto soltas a mão esquerda que segura a amostra. Capiche?
- Faz lá devagar, para eu ver.
Aproveito a sombra dum salgueiro que se estende sobre a água e imagino um achigã escondido lá em baixo, à espera duma presa distraída.
O isco entra na água e sinto de imediato um ataque. Ferro, enquanto o peixe assustado e sem poder afundar muito porque a margem é baixa, passa em frente ao barco com a barbatana dorsal fora de água e em velocidade máxima, fazendo um grande estardalhaço…
- Ena pá, ganda achigã GT!
- Vais o achigã que daqui vai sair, digo eu depois de já ter percebido que era um barbo comizo dos grandes e que de achigã só tinha o apetite…
Depois de várias correrias, afundanços e arranques à última da hora, o peixe é finalmente embarcado, não antes do camaroeiro dobrar, quando estava a ser içado pelo André.
Ficamos sem fala uns instantes, até que eu disse:
-Fooooogo!!!! Meu, ganda bicho!!!!!!
- Caraças, pá…
Pesou sete quilos e duzentas gramas e mediu oitenta e sete centímetros, sendo desta forma o segundo maior barbo comizo pescado desportivamente e que há memória aqui pelas redondezas, logo a seguir ao barbo que o Vasco pescou.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Planeta Terra


Uma das melhores séries sobre vida animal, produzida pela BBC e exibida entre nós pela SIC -passo a publicidade - foi agora editada em DVD.

Para além do conteúdo de inegável qualidade científica, esta série possui imagens absolutamente espectaculares, já habituais neste tipo de documentários, mas desta feita com a garantia da BBC.

Um pequeno video de apresentação, com um pouco mais de um minutos e quinze segundos, pode ser visto aqui.

A não perder, PLANETA TERRA...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Pedaços de roupa






Pedaços de lã, retidos pelo arame farpado e dourados pela luz dum cair da tarde de Outono.


Após várias passagens furtivas pela vedação, as ovelhas deixam acumulados pequenos pedaços de lã, que se vão amontoando como pedaços de roupa delas próprias, a enxugar ao sol.


Curioso efeito, este...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Siluro, o monstro


Embora aparentemente sejam vários os pescadores desportivos que afirmam existir já siluros (Silurus glanis) em Portugal, não foi até ao momento comprovada e muito menos documentada a sua existência em águas nacionais ou mesmo nos troços que fazem fronteira com o país vizinho.
Felizmente para nós, porque a introdução de uma espécie predadora de grandes proporções certamente iria causar um enorme desiquilibrio junto da população autóctone e exótica, considerando também a (ausência de) gestão das nossas águas interiores.
Este peixe é nativo em vários países: Afeganistão, Arménia, Áustria, Bulgária, China, Estónia, Georgia, Hungria, Irão, Lituania, Moldávia, República de Montenegro, Turquia, Uzbequistão, só para citar alguns exemplos.
Em Espanha existe desde a década de oitenta, nomeadamente no rio Ebro, suas albufeiras e afluentes, espalhando-se já em toda a bacia hidrográfica. Existe ainda noutras massas de água para onde foi transportando, sendo feitas algumas acusações às pessoas ligadas ao comércio de artigos e equipamentos de pesca desportiva.
Este peixe ultrapassa os cem quilos de peso, para tamanhos superiores aos dois metros e meio de comprimento e deve ser pescado com equipamentos de big game.
Os iscos vão desde amostras "tamanho XXL" a iscos naturais. Nas modalidades de isco vivo, das quais pessoalmente não sou adepto, são vulgarmente utilizadas carpas de meio quilo e também enguias, devido à sua resistência no anzol.
Na foto, um siluro bebé com cerca de quatro quilos que pesquei enquanto tentava os achigãs, na barragem de Mequinenza - Espanha. Pena a qualidade da imagem, mas na ocasião - 1999, as máquinas digitais ainda eram uma miragem.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Prestige, NUNCA MAIS






Faz precisamente hoje cinco anos que se deu início à maior catástrofe ecológica da Península Ibérica, que acabou por provocar o derrame de 77 mil toneladas de fuel-óleo nas costas espanholas e francesas. Com efeito, o pedido de socorro emitido pelo petroleiro Prestige às 15h15 do dia 13 de Novembro de 2002, dava apenas inicio a um calvário de más decisões, desorganização, braços de ferros e fraquezas, mas sobretudo de destruição de uma boa parte da vida marinha da "Costa da Morte".


Nem de propósito.


O Prestige, seis dias depois, partiu-se em dois e naufragou a 270 quilómetros em frente ao cabo de Finisterra, no extremo noroeste da Península Ibérica. Imediatamente espalharam-se pelo mar 20 mil toneladas de combustível.


Sobre as plataformas submarinas da Galícia e de Cantábrico jazem 347 toneladas de óleo. O casco partido do Prestige continuará a lançar ao mar uma tonelada diária durante os próximos 20 anos, advertiu o Centro de Pesquisas Energéticas, de Meio Ambiente e Tecnológicas do Ministério da Ciência e Tecnologia da Espanha.


Porquê?


Esperemos que NUNCA MAIS.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A minha primeira truta


O meu telefone tocou.
Era o Tó Zé.
Nem precisava de falar, que eu já adivinhava qual era o desafio...
-Queres ir ver se...
-Quero! Respondi prontamente.
-A que horas?
A tarde não convidava qualquer pessoa com o mínimo de bom senso a sair de casa. Chovia uma água miudinha daquelas que entram pelos ossos dentro.
-Tens um impermeável bom? - perguntou.
-Tenho e não tentes arranjar desculpas porque os peixes estão sempre molhados, mesmo que não chova – retorqui.
Chegamos e tratamos de vestir os impermeáveis rapidamente. Hoje vamos tentar percorrer uma zona completamente desconhecida, para os dois. O Tó Zé já tinha pescado e capturado algumas trutas, numa zona mais a jusante do local onde íamos começar hoje.
Após alguns lançamentos com a medalha dourada com pintas vermelhas nº2, uma truta com cerca de quinze centímetros atacou e lutou para se libertar, chegando quase até mim.
Espectaculares estes peixes!
Têm uma força incrível para o tamanho.
Mas, quando me preparava para lhe pegar, soltou-se.
Ainda bem, é porque não ficou muito picada com o anzol, pensei.
De qualquer forma ia libertá-la, porque não tinha o tamanho mínimo exigido por lei e considero que os peixes desportivos devem ser na sua maioria libertados. Ainda por cima há tão poucas...
Uns bons três quilómetros do local onde começamos e mais duas trutas iguais à primeira, surge um açude no rio. O meu companheiro faz uns lançamentos e continua subindo. Faço mais umas tentativas na queda de água, e resolvo lançar para parte de cima, ainda cá de baixo, mesmo para o meio do rio.
Fecho a asa de cesto do carreto depois da medalha entrar na água e sinto que o isco não vem.
-Bolas, isto já prendeu outra vez em qualquer coisa... digo entre dentes, sem me aperceber em quê. Cá em baixo, tenho dificuldade em ver para cima, no açude. Milésimos de segundos depois, sinto um violento puxão na cana, que me deixa à toa e sem saber o que se passa. Tento pôr-me em bicos de pés, na tentativa de perceber minimamente o que se está a passar, enquanto a cana se sacode sem descanso e o fio vai saindo do carreto aos esticões daquilo que só pode ser uma truta de respeito!!!
Quando finalmente consigo subir para a zona superior do açude enquanto lutava com uma verdadeira truta, vejo graças à limpidez das águas, a maior truta selvagem que já tinha visto, na curta minha existência de truteiro iniciado e inexperiente!
- Incrível! As minhas pernas tremem do esforço recente e da adrenalina. O peixe faz um salto fora de água, para se libertar, a uns bons oitenta centímetro de altura e a uns três metros de mim. Não vou conseguir pescá-la, pensei. Vai-se soltar ou partir o fio ou qualquer coisa do género, para aumentar ainda mais as “estórias” de pesca...
-Tóóóó Zééééé..., gritei.
Pelo menos ele vai ver a “fera” que estive quase a pescar !!!
O Tó Zé chega esbaforido e de olhos esbugalhados com o que vê, entra pela água até junto a mim, enquanto a truta se debate ainda. Se fosse um achigã deste tamanho, há muito que estava na minha mão. Já cansado, este belo peixe deixa-se capturar pelas mãos do meu companheiro de pesca.
- Formidável!!!... Onde é que ela estava, pá?
Não sei o que respondi, porque as minhas pernas não paravam de tremer tal como tudo o resto e o raciocínio estava perturbado...
Tinha atingido os meus objectivos... E tinha ficado provado que o peixe maior nem sempre foge... O Tó Zé ainda pescou nessa tarde duas trutas com mais de dezanove centímetros. Para mim tudo o resto deixou de ter importância nesse dia.
A minha primeira truta Fário a sério, pesava cerca de oitocentos gramas e media quarenta e dois centímetros. Tenho a certeza que vou demorar anos, até conseguir pescar uma maior.
Infelizmente, segundo nos informaram na povoação ribeirinha, a maioria das trutas do local são pescadas à bomba e com venenos, no período de Verão.
E nunca se viu um Guarda Florestal por ali...

Texto da minha autoria para o Correio da Manhã, publicado em Junho de 2001

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Gozando a últimas tardes de Outono


- Estava passande por aqui, quande da repente me dêu cá uma vontade de me dêtari...

Foto obtida a sul do Tejo, numa destas tardes.
Não admira, o tempo ameno que se mantém nestes últimos dias, convida à melancolia, à reflexão e pode facilmente levar-nos ao pensamento sobre quem somos, o que fazemos aqui, e que pode com facilidade ir mais para além disso... como se comprova.


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Peixes, 1/3 em risco na Europa


Segundo refere o site da National Geographic, mais de um terço das espécies dulciaquícolas da Europa enfrentam o perigo de extinção, segundo um relatório encontrado no Handbook of European Freshwater Fishes - Guia Europeu dos Peixes de Água Doce.
Este estudo refere que 200 das 522 espécies existentes, se encontram em situção crítica, estando mesmo 12 delas já extintas.
"A tarefa de conservação é mais difícil porque sobretudo são espécies pouco carismáticas e representam pouco valor para as populações", refere William Darwall, um responsável pelo estudo, da organização internacional IUCN - World Conservation Union.
Nesta listagem está infelizmente o nosso saramugo, que já referi neste post e aqui se pode identificar na última foto em baixo.
Para ler o artigo no site da National Geographic, clique aqui.